Numa altura em que um banco – o BPI – já apresentou resultados do primeiro trimestre, o Banco Montepio divulgou finalmente, na noite de segunda-feira, as contas anuais de 2019, que apresenta um resultado líquido de 21,7 milhões de euros, mais 60% do que no ano anterior (cujos números foram reexpressos). Mas a margem financeira do banco baixou, mesmo com uma quintuplicação das vendas de dívida pública, que contribuíram com quase 50 milhões para o resultado final.

Na carta de apresentação do documento, o presidente da instituição, Carlos Tavares, destacou que “o ano de 2019 representa um período de ajustamentos, inseridos num processo que se espera venha a ser de recuperação dos níveis de eficiência e de rentabilidade do Banco Montepio”. A margem financeira baixou de 248,1 milhões em 2018 para 236,8 milhões em 2019.

Estes resultados de menos de 22 milhões dizem respeito a um ano em que vários bancos nacionais, embora com dimensão maior, tiveram resultados muito mais positivos – desde os 302 milhões do BCP, os 776 milhões da CGD, os 328 milhões do BPI e os 527 milhões do Santander Portugal. O Novo Banco, por seu lado, teve prejuízos de 1.059 milhões, garantindo que o peso da “atividade legacy“, herdada do BES, pesou em mais de 1.236 milhões.

Carlos Tavares, o presidente do conselho de administração do Banco Montepio (cuja comissão executiva é liderada por Pedro Leitão), especificou que “as contas que são objeto de reporte continuam a refletir fortemente os custos das políticas de crédito adotadas no passado e o necessário ajustamento dos critérios de seletividade, já iniciado em exercícios anteriores”.

Um dado também relevante é a diminuição do negócio, isto é, a contração que o banco apresentou em termos de ativo líquido, crédito a clientes (bruto) e depósitos de clientes. Assim, o primeiro destes indicadores baixou 3,2%, para 17,7 mil milhões de euros, o segundo diminuiu 6,3%, para 12,2 mil milhões de euros, e o último contraiu-se em 0,4%, para 12,5 mil milhões de euros. Ainda assim, o banco diz estar a ter um “crescimento do crédito nas empresas, com destaque para o segmento de grandes empresas“.

O banco indicou, também, que tem um rácio de non-performing exposures, ou seja, exposições não rentáveis e créditos em incumprimento que correspondiam no final do ano de 2019 a 12,2%. Foram registados 120,3 milhões de euros em imparidades de crédito neste exercício, mais do que o dobro do ano anterior, “como resultado do esforço encetado pelo banco com vista a assegurar adequados níveis de cobertura da carteira de crédito”.

A qualidade da carteira de crédito, avaliada pela proporção dos non performing exposures (NPE) sobre o total do crédito, registou uma  evolução favorável, com o rácio NPE a situar-se em 12,2% no final de 2019, beneficiando do impacto da venda de uma carteira de créditos em situação de incumprimento e das medidas que têm vindo a ser implementadas na área da recuperação do crédito”.

“Os resultados em operações financeiras contabilizados em 2019 totalizaram 49,9 milhões e refletem, face aos 10,9 milhões de euros relevados em 2018, os maiores ganhos realizados no decurso do terceiro trimestre de 2019 com a carteira de dívida pública portuguesa e estrangeira”, diz o banco. Estas vendas de dívida pública, aproveitando os preços do mercado, ajudam as contas deste ano mas retiram rendibilidade ao banco nos anos seguintes porque esses títulos deixam de constar no balanço da instituição e, por isso, já não rendem.

Os custos operacionais registaram uma redução de 2,1%, determinada pelo efeito das medidas implementadas com vista ao decréscimo de custos, “nomeadamente ao nível do desempenho observado nos gastos gerais administrativos, em particular nos custos com consultoria e com conservação e reparação de imóveis”, salienta o banco.