Portugal e outros 11 países da União Europeia (UE) pediram esta sexta-feira à Comissão para, no seu plano de recuperação económica pós-pandemia, incluir “medidas urgentes” para o setor automóvel, dada a paragem da produção, que criou um “cenário dramático”.

“Nós, ministros da Bulgária, República Checa, Hungria, Itália, Letónia, Malta, Polónia, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia e Espanha, expressamos o nosso interesse comum para a introdução de um Plano de Recuperação Dedicado para o Setor Automóvel na UE“, defendem estes governantes, incluindo o português Pedro Siza Vieira, numa declaração esta sexta-feira divulgada e à qual a agência Lusa teve acesso.

Na missiva assinada pelo ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e pelos seus homólogos de 11 países, destaca-se que o setor automóvel é “uma das atividades centrais e estratégicas” destas economias, pesando 7% no produto interno bruto (PIB) da UE, 6% no emprego na União e 12% no total de exportações europeias.

Porém, devido à Covid-19, “a produção praticamente parou durante pelo menos dois meses, tendo toda a cadeia de valor sido afetada”, destacam.

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Ao mesmo tempo, “a procura por parte dos consumidores caiu drasticamente”, afirmam os ministros, assinalando as “perdas significativas de todos os grupos de fabricantes de automóveis e às indústrias a eles associadas”.

“Este cenário é ainda mais dramático se tivermos em conta que a crise chegou numa altura em que o setor estava a fazer investimentos económicos significativos, conduzindo principalmente à transição para um novo modelo de mobilidade mais sustentável, em conformidade com a estratégia da UE para se tornar neutro do ponto de vista climático até 2050”, adiantam os responsáveis pela tutela da Economia, que esta sexta-feira estiveram reunidos num Conselho de Indústria, realizado à distância.

Por essa razão, Pedro Siza Vieira e os outros 11 ministros exortam a que o chamado Plano de Recuperação da UE que a Comissão está a traçar e vai apresentar no próximo dia 27 de maio “inclua, urgentemente, um Plano Dedicado ao Setor Automóvel”, que crie um “forte apoio” para estes negócios, dado o “papel relevante que podem desempenhar como importantes motores da recuperação económica”.

E, para isso, o plano deverá ter “uma dotação financeira significativa, a fim de garantir, não só a recuperação para os níveis anteriores à crise, mas também um crescimento sustentável”, sublinham os governantes na carta a que a Lusa teve acesso.

Dados revelados na quinta-feira pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) indicam que, no país, a produção automóvel cedeu 95,7% em abril, em comparação com igual mês de 2019, para 1.238 veículos automóveis ligeiros e pesados, refletindo o impacto da Covid-19. Entre janeiro e abril, por seu turno, registou-se um decréscimo de 36,3% na produção, em comparação com o período homólogo, o equivalente a 78.442 unidades fabricadas.

Segundo a ACAP, a Europa continuou a ser o mercado líder no que se refere às exportações dos veículos fabricados em Portugal, representando 97,5% do total, com destaque para países como Alemanha (19,6%), França (16,7%), Itália (15,7%), Espanha (11,2%) e Reino Unido (9,9%).

A Comissão Europeia anunciou esta sexta-feira que vai adotar e apresentar em 27 de maio as suas propostas do orçamento plurianual da UE para 2021-2027 e do fundo de recuperação da economia europeia no quadro da crise da Covid-19.

O fundo de recuperação, por muitos classificado como um novo ‘Plano Marshall’ para a Europa, é considerado o grande instrumento da UE para ultrapassar a crise da Covid-19, que, segundo estimativas da Comissão Europeia, provocará uma contração recorde de 7,7% do PIB da zona euro este ano e de 7,4% no conjunto da União.