Quatro potências ocidentais alinharam-se para demonstrar uma “profunda preocupação com Hong Kong”. Nesta quinta-feira, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália assinaram uma posição conjunta, num documento em que acusam a China de violar obrigações internacionais com a adoção de uma nova lei de segurança na região.

Na declaração pode ler-se que a iniciativa chinesa “corre o risco” de minar a confiança nos governos e na cooperação internacional – numa altura em que o mundo luta contra uma pandemia – ao “restringir as liberdades do povo de Hong Kong” e a sua autonomia.

A decisão da China de impor uma nova lei de segurança nacional a Hong Kong está em conflito direto com suas obrigações internacionais sob os princípios da Declaração Conjunta Sino-Britânica, registrada pela ONU, legalmente registrada”, afirmam os três países.

Nesta semana, as ruas de Hong Kong voltaram a ser invadidas por protestos, como já não se via há meses. A população reagiu com ira à lei aprovada pelo parlamento chinês, que tem como objetivo “impedir, deter e punir” comportamentos na região que ponham em risco a segurança nacional. Exemplos: separatismo e atividades de forças estrangeiras “que interfiram” nos assuntos internos”.

Na prática, a lei permitirá um maior controlo da China sobre Hong Kong, um receio que tem provocado uma onda de protestos na região. Aí tem vigorado até então um regime especial — “um país, dois sistemas” —, que Reino Unido, EUA, Canadá e Austrália descrevem como algo “que a tornou tão próspera”.

Os quatro países defendem que a nova legislação “aumenta a possibilidade de processos por crimes políticos em Hong Kong” e reforçam o aspeto da imposição: trata-se de uma imposição de uma lei, que não recorre “a instituições próprias” que a região têm para tal. No entanto, as novas medidas contam com a aprovação do governo local, liderado por Carrie Lam, e permitirão à China desviar-se do parlamento de Hong Kong para obter aprovação.

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A declaração foi divulgada no mesmo dia em que os EUA pediram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para discutir a situação de Hong Kong. A proposta foi recusada quase de imediato pela China.