O almirante Nuno Gonçalo Vieira Matias, que foi chefe do Estado-Maior da Armada entre 1997 e 2002, morreu hoje, vítima de doença prolongada, anunciou a Marinha.

Numa nota publicada no portal oficial da Marinha, o almirante Vieira Matias é recordado como “um dos mais notáveis líderes e militares contemporâneos com uma carreira brilhante” ao serviço de Portugal.

O Presidente da República lamentou a morte do almirante Nuno Gonçalo Vieira Matias, antigo chefe do Estado-Maior da Armada, recordando-o como um “notável militar” que se tornou também num “notável investigador e académico”.

Numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa enviou “sentidas condolências à família, aos amigos e às Forças Armadas”.

“O Almirante Vieira Matias foi um notável militar, com uma carreira muito diversificada ao serviço de Portugal, que passou brilhantemente pelos fuzileiros e pelo comando no mar, tornando-o uma referência como marinheiro. Chefe do Estado-Maior da Armada entre 1997 e 2002, é com a sua liderança, com a sua visão inovadora e arrojada que consegue ditar muita da presente capacidade operacional da Marinha”, lê-se na nota.

O chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas referiu que, “concluído o seu serviço ativo como militar”, Vieira Matias “tornou-se num notável investigador e académico, dedicando-se ao estudo dos mares e das suas potencialidades”.

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Marcelo Rebelo de Sousa elogiou “o seu conjunto de qualidades pessoais, profissionais e académicas”, considerando que favoreceram o exercício de funções como membro da Comissão Estratégica dos Oceanos e do Conselho Consultivo Europeu de Investigação sobre Segurança da União Europeia, como presidente do Conselho Supremo da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, presidente da Academia de Marinha, membro efetivo da Academia das Ciências de Lisboa e vogal do Conselho das Ordens Honorificas Portuguesas.

O Presidente da República salienta ainda que “o Almirante Vieira Matias foi várias vezes agraciado pelo Estado Português, destacando-se as condecorações com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo e mais recentemente com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique”, atribuída em janeiro deste ano.

O ministro da Defesa também lamentou  “profundamente” a morte do almirante Vieira Matias, que foi chefe do Estado-Maior da Armada entre 1997 e 2002, e lembrou-o como “um dos mais notáveis líderes e militares contemporâneos”.

Endereçando ainda as “mais sentidas” condolências à família, à Armada e a toda a família militar, João Gomes Cravinho recordou a sua “carreira brilhante ao serviço da Marinha”.

No comunicado, o Ministério da Defesa ressalvou que o almirante comandou o N.R.P. “João Belo”, foi chefe de divisão do Estado-Maior da Armada e professor do Instituto Superior Naval de Guerra.

“Ao longo da sua vida, o almirante Vieira Matias foi agraciado com 16 condecorações nacionais, incluindo a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, e 10 estrangeiras do Brasil, Espanha, Estados Unidos da América, França e Itália”, sublinhou.

O velório realiza-se no domingo, limitado à família, e haverá uma missa de corpo presente na segunda-feira, às 10h15 na Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, presidida pelo bispo das Forças Armadas, Rui Valério.

De acordo com a mesma nota da Marinha, após a missa, o funeral segue para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, pelas 11h00.

Fundação Oceano Azul destaca homem notável que quis “país mais desenvolvido”

O diretor executivo da Fundação Oceano Azul classificou hoje o almirante Vieira Matias, chefe de Estado-Maior da Armada entre 1997 e 2002, como um “homem notável”, dos que “ambicionam um país mais desenvolvido na ligação e respeito ao mar”.

“O Almirante Nuno Vieira Matias foi um Homem notável, corajoso, íntegro e incansável na defesa da causa do mar em Portugal. Para além de se ter destacado como grande líder militar, esteve sempre na primeira linha daqueles que ambicionam um país mais desenvolvido na sua ligação e no respeito ao mar”, sublinhou Tiago Pitta e Cunha, numa nota enviada à Lusa.

Nascido em Porto de Mós, no distrito de Leiria, em 1939, Vieira Matias entrou para a Academia Militar em 1957 e um ano mais tarde para a Escola Naval. Após a sua graduação em 1961, fez várias comissões em Portugal e em Angola, tendo-se especializado em artilharia e em fuzileiro especial.