O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) considerou esta quinta-feira essencial a imposição de confinamento em 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa, onde há um maior número de casos de Covid-19, mas lamentou que pague o “justo pelo pecador”.

O Governo aprovou o dever cívico de recolhimento domiciliário em 19 freguesias de cinco dos 18 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (AML), designadamente de Lisboa, Sintra, Amadora, Odivelas e Loures, a partir de 1 de julho. “Naturalmente que estas medidas de maior confinamento são essenciais como são também essenciais medidas de aplicação deste confinamento particularmente às pessoas que estão infetadas”, disse à Agência Lusa o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha.

O dirigente sindical lembrou que quando há dois meses chamou a atenção de que “o problema estava longe de ser controlado, que era fundamental as pessoas não baixarem a guarda, os médicos e profissionais de saúde protegerem-se e as pessoas usarem máscara, não estava a ser pessimista” nem “catastrofista”.

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“Sou uma pessoa otimista por natureza, mas com esta atitude, o que os políticos estão a dar é uma mensagem errada porque ao mesmo tempo que dizem que está tudo bem, de repente, está tudo péssimo”, afirmou o médico, que está a acompanhar mais de 20 cidadãos infetados com Covid-19 da sua lista de utentes na Unidade de Saúde Familiar (USF) da Travessa da Saúde, em Camarate, no concelho de Loures.

Para Roque da Cunha, o primeiro-ministro “é o principal responsável” por “desvalorizar o problema, ao tentar à força toda dourar a pílula” e “chamar alarmista a todos os que o chamavam a atenção”. Também criticou “as autoridades de saúde que quiseram mais do que impor o seu parecer técnico ser agradáveis com os políticos” e agora a população está “a pagar a consequência”.

“A esmagadora maioria dos cidadãos destes concelhos são cumpridores e está agora a pagar o justo pelo pecador e, portanto, demonstra-se que não foi correta, não foi nenhum sucesso” a estratégia adotada, disse o líder sindical, esperando que “a partir de agora exista uma direção objetiva e que as pessoas não facilitem”.

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Em conferência de imprensa, após uma reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, disse que as 19 freguesias correspondem à totalidade dos concelhos de Odivelas (quatro) e Amadora (seis), seis do município de Sintra, duas de Loures e uma de Lisboa. Entre as medidas a implementar nestas freguesias destaca-se o “dever cívico de recolhimento domiciliário”, que implica que as pessoas só devem sair de casa para ir trabalhar, ir às compras, praticar desporto ou prestar auxílio a familiares.