Um estudo sobre a população açoriana, feito pela Fundação Gaspar Frutuoso, revelou diferentes dinâmicas demográficas nas várias ilhas, mas aponta a mobilidade como solução para “o decréscimo da população e o envelhecimento demográfico” da região.

“Tendo em conta a dinâmica populacional analisada, e apesar de os Açores se posicionarem, nos últimos anos, como território pouco atrativo para a captação de população estrangeira de longa duração e, mesmo, de fixação de residentes, principalmente de mais jovens e qualificados”, os investigadores defendem que a mobilidade pode ser “uma solução que minimize o decréscimo da população e o envelhecimento demográfico”, salienta a síntese do estudo.

A conclusão aponta que aspetos como a crise económica, que pode gerar “uma menor atratividade dos países de destino [da emigração açoriana], quer do continente norte-americano, quer do europeu”, e o aumento de discursos nacionalistas, racistas e xenófobos podem “vir a dificultar a emigração”.

Por outro lado, “também a entrada de estrangeiros e a mobilidade de cidadãos nacionais pode vir a constituir uma solução, decorrente das dificuldades de outros países, que sofrem alterações económicas, sociais e políticas”.

Os resultados dos estudos realizados pela Fundação Gaspar Frutuoso de “caracterização da dinâmica demográfica recente dos Açores e das qualificações da população”, traçando “cenários de evolução até 2030 e estratégias para o desenvolvimento económico, social e recuperação populacional das ilhas açorianas”, foram apresentados esta sexta-feira ao Conselho Económico e Social dos Açores.

O presidente do Conselho Económico e Social dos Açores, Gualter Furtado, destacou, em nota enviada à Lusa, que este trabalho é “um instrumento importante para a tomada de consciência de que existem ilhas nos Açores com problemas sérios de envelhecimento e quebra de população, e forte limitação de recursos disponíveis e devidamente preparados para responderem às exigências do mercado e contexto normal e de pandemia”.

O economista mencionou que, para as ilhas de São Miguel e Terceira, os investigadores “destacam as políticas de família adequadas a uma população mais jovem”, enquanto que para Santa Maria, Faial e Pico recomendam “as políticas de mobilidade com atração de população”.

Graciosa, São Jorge, Flores e Corvo merecem “uma atenção especial para as políticas de saúde, atendendo à existência de uma população envelhecida”, aponta Gualter Furtado.

Da reunião, realizada por videoconferência, que juntou os autores do estudo e os membros do Conselho Económico e Social dos Açores, que o encomendou, salienta também a necessidade de “investimento na escolarização, formação e qualificação do emprego” em setores de atividade como “as pescas, a agricultura e o turismo, com especial relevância para a restauração”.

“É fundamental melhorar a base estatística disponível ao nível agregado dos Açores, e por ilha, de toda a problemática relacionada com a ligação entre o mercado de trabalho e a Universidade dos Açores, bem como dos estudantes dos Açores que estudam na Região Autónoma dos Açores e nas universidades portuguesas do Continente”, considerou Gualter Furtado.

O presidente do Conselho Económico e Social dos Açores sublinhou a “utilidade destes estudos para os decisores políticos e as forças vivas das diferentes ilhas nortearem a sua atividade política, económica e social”, por forma a que as ilhas do arquipélago tenham “atratividade, qualidade de vida e sustentabilidade, respeitando as diferenças de cada uma, mas reforçando a identidade de Região Autónoma dos Açores”.