A Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) integra um projeto europeu, financiado em 18 milhões de euros, que visa avaliar os riscos de exposição da população à radiação das minas de urânio desativadas, foi esta quinta-feira anunciado.

Numa publicação no “site” da Universidade do Porto (U.Porto), o gabinete de comunicação da FCUP avança que o projeto RADONorm, que conta com investigadores do centro GreenUPorto, vai avaliar o risco de exposição a radiação ionizante e a metais, “alguns com elevada toxicidade ou até mesmo com potencial cancerígeno”.

Citada no comunicado, Ruth Pereira, docente da FCUP e diretora do GreenUPorto, afirma que “as formações geológicas dominadas por granitos, em muitas regiões do país, contribuem também para que a exposição ao radão [gás radioativo que provém do urânio presente nas rochas e solos] seja uma realidade que não pode ser negligenciada”.

Nesse sentido, os investigadores pretendem contribuir para reduzir as “incertezas associadas à exposição à radiação ionizante emitida pelo radão e por materiais radioativos de ocorrência natural” e, assim, gerirem os riscos para a saúde humana e para o ambiente.

Recorrendo a métodos científicos e tecnológicos, o RADONorm, que arranca em setembro, vai melhorar a caracterização das exposições humanas e de um conjunto de outros seres vivos nesses ambientes.

“Pretende-se, por exemplo, aperfeiçoar as técnicas de dosimetria, sobretudo para exposições a baixas doses e melhorar o processo de avaliação e de mitigação de riscos”, refere a docente, que há mais de 10 anos se debruça sobre a avaliação de risco ambiental de minas de urânio desativadas em Portugal, que neste momento, são mais de 60.

Além da avaliação de risco, a equipa de investigadores portugueses, da qual integram profissionais da Universidade de Aveiro e da Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e Desenvolvimento, vai também inventariar os locais de exposição a radiação ionizante proveniente de radão e outros radionuclídeos naturais.

Financiado em 18 milhões de euros pela Euroatom e coordenado pelo BfS, Gabinete Oficial de Proteção Radiológica da Alemanha, o projeto conta com a participação de 56 instituições de 19 estados-membros da União Europeia e do Reino Unido.