Duas mensagens principais: só quem é competente pode ser independente e, por outro lado, não faz sentido falar em conflitos de interesse, em temas como o Novo Banco ou o Banif, porque não foi o Governo – leia-se, o ministro das Finanças – quem tomou as decisões (de resolução, venda ou outras) que marcaram essas instituições: foi o Banco de Portugal. Em pouco mais de um tweet, pode resumir-se assim a mensagem que Mário Centeno quis passar na audição parlamentar que foi vista como pouco mais do que uma formalidade no caminho até à liderança do Banco de Portugal. Isto embora o partido Iniciativa Liberal tenha atirado uma pedra para esse caminho: uma providência cautelar.

Depois de ler uma declaração inicial a velocidade supersónica, como quem tem pressa de ser nomeado governador, Centeno sublinhou: “Sinto-me qualificado, motivado e apoiado para estas funções” – isto apesar de quase todos os partidos lhe terem dito, na cara, que não consideravam que Centeno deveria, por ter sido ministro das Finanças tão recentemente, ser a pessoa escolhida para o cargo.

O PSD foi o primeiro partido a dizer que Centeno não “preenche as condições para exercer com independência e credibilidade” o cargo de próximo governador do Banco de Portugal. E, mais tarde, o mesmo deputado, Duarte Pacheco, viria a apontar o que considera ser uma incongruência fundamental na posição de Centeno em todo este processo: por um lado, puxa dos galões dizendo que o Governo onde teve papel de destaque foi determinante para estabilizar o setor bancário a partir de 2016 mas, por outro lado, desvaloriza a sua intervenção – a de Centeno – em processos que continuam sem solução total, como a resolução do BES e venda do Novo Banco, a resolução do Banif e venda da operação ao Santander: “Não foi o Governo que vendeu o Novo Banco nem resolveu o Banif. Foi o Banco de Portugal“.

É com este tipo de argumentação que Mário Centeno diz não ver razões para pedir escusa, caso seja nomeado, quando estes temas forem tratados no Banco de Portugal. Seja como for, disse Centeno, numa das frases mais icónicas desta audição parlamentar: por ter sido ex-ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, teve uma influência ou um conhecimento direto sobre uma enormidade tão grande de temas que, se falássemos em conflitos de interesse desta forma, “não arranjava emprego em Portugal nas próximas décadas“.

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