Siska, José Maria Pedroto, Artur Jorge, Carlos Alberto Silva, Bobby Robson, António Oliveira, José Mourinho, Jesualdo Ferreira, Vítor Pereira. Sérgio Conceição tornou-se esta noite o décimo treinador a ganhar dois ou mais Campeonatos pelo FC Porto, num contexto difícil em que vinha daquele que era o maior jejum de títulos na era Pinto da Costa nos dragões. Entre todos eles, só Pedroto, Oliveira e Conceição já tinham conquistado a principal prova nacional como jogadores e treinadores pelos azuis e brancos, sendo que até aí o atual técnico conseguiu superar mais uma marca tendo um total de cinco Campeonatos acumulados, contra quatro da outra dupla.

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Como Sérgio fez faísca para criar fumo e nunca perder o fogo – e por cada jogador “perdido” ia ganhando uma equipa

Não ficou por aí, há mais. Ainda antes dos festejos pelo título, Sérgio Conceição já se tinha tornado apenas o quinto treinador do FC Porto a comandar a equipa em 100 ou mais jogos na Liga, seguindo Pedroto, Artur Jorge, Jesualdo e Fernando Santos. No final, champanhe à parte, tornou-se no segundo técnico do FC Porto a ganhar os quatro clássicos na mesma temporada frente a Benfica e Sporting, algo que apenas Jimmy Hagan e José Mourinho tinham alcançado. Por tudo isto e muito mais, esta era a noite de Sérgio Conceição mas o técnico manteve sempre uma postura tranquila, serena e a separar abraços e cumprimentos em festa do resumo da época.

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“Acho que a palavra certa para definir o título é a união do grupo de trabalho, destes jogadores. Acreditar depois de um momento difícil sobretudo a seguir ao jogo com o Sp. Braga, onde merecíamos outro resultado e ficámos a uma distância grande. Foi importante esse acreditar nas pessoas que os ajudam, o acreditar dos jogadores. Agora queremos desfrutar do momento, preparar os jogos que vêm aí porque temos de ser sérios, determinados e ambiciosos, depois a final da Taça de Portugal”, disse na flash interview da SportTV, elogiando também o trabalho dos atletas durante a pandemia: “A equipa esteve sempre ativa na paragem? Por isso é que me referi aos jogadores, fizeram um trabalho invisível. Não houve nenhuma paragem, vários treinos por videoconferência e esse esforço que fizeram para se manter bem vivos foi fundamental. Desgaste? Não há, só ambição para ganhar mais um troféu”.

Mas o que diria o Sérgio Conceição de julho ao Sérgio Conceição de janeiro, que teve uma conferência a seguir à final da Taça da Liga onde colocou o lugar à disposição e falou em falta de união interna? “Diria ‘Parabéns, foste igual a ti próprio’. Disse o que tinha de dizer na altura. Se há pessoas que não gostam de perder é o nosso presidente e sou eu, somos mesmo muito competitivos. Tivemos uma época muito longa, muito difícil mas agora queremos ganhar a Taça de Portugal. Foi um dos títulos mais importantes do FC Porto, dedicado aos jogadores, à minha família que sofre muito, à minha mulher e aos meus filhos, e aos meus pais, pela luta difícil que tiveram para me dar princípios que são muito importante para ter este espírito”, destacou o treinador.

E como Sérgio Conceição nunca deixa de ser Sérgio Conceição, mais tarde deixaria até uma “farpa” para quem comenta… até no Porto Canal. “Sou o primeiro a acreditar. Apesar de muita gente nos momentos mais difíceis focar-se noutras coisas, a verdade é que fomos campeões a dois jogos do fim. Jogar como o Barcelona jogava quando era a equipa mais forte do mundo eu também queria, mas não é possível. Sei que há alguns treinadores de bancada, inclusive no Porto Canal, mas quem prepara o jogo sou eu, somos nós. E só um FC Porto forte e rigoroso conseguiria ganhar o jogo”, atirou, antes de admitir que “a felicidade é a mesma” mas “sem público não é a mesma coisa”: “Ganhámos um campeonato atípico pelo que aconteceu mas merecido. Houve vários obstáculos a ultrapassar mas estamos cá para isso, para acreditar”, concluiu o técnico dos dragões.