Se as alterações climáticas continuarem no rumo que têm seguido atualmente, dentro de 80 anos quase todos os ursos polares terão desaparecido. Os animais que sobreviverem estarão confinados às Ilhas da Rainha Isabel, no Arquipélago Ártico Canadiano.

O aviso vem num estudo publicado na Nature Climate Change e noticiado pelo The Guardian. Se as emissões de gases de estufa se mantiverem como neste momento, dentro de apenas 20 anos muitos ursos polares sofrerão de falhas reprodutivas. Mesmo que sejam consideravelmente atenuadas, o problema apenas é adiado para 2080.

Atualmente, estes animais já estão a sofrer as consequências do aquecimento global. Como as focas costumam abrir buracos no gelo, que usam para vir à superfície respirar, os ursos polares esperam junto aos orifícios até que elas surjam para as caçar. Mas com o gelo a derreter, também a capacidade de caça dos ursos fica comprometida.

Ora, os ursos polares precisam de comer para armazenar energia e sobreviver ao verão do Ártico, logo, se não se alimentarem convenientemente no inverno, também não conseguem sobreviver nos meses quentes. Com jejuns demasiado longos, o organismo fica enfraquecido e a capacidade de reprodução também. E entram em extinção.

Isso já está a acontecer, sublinham os cientistas em declarações ao The Guardian. No mar de Beaufort (sul do Alasca), o número de ursos polares chegou a cair até 50% durante os períodos com menos gelo por causa dos longos períodos de jejum que estes animais não suportam. Na Baía de Hudson, a população diminuiu cerca de 30% desde 1987. Atualmente, há 26 mil ursos polares em 19 locais.

Para compreender como é que estes animais vão reagir às alterações climáticas, os cientistas usaram modelos que permitiram descobrir quantos dias é que um urso polar conseguiria permanecer sem comer e sem comprometer as taxas de sobrevivência dele e das crias.

Com esses valores em mente, contabilizaram ainda como é que o número de dias sem gelo — logo, com menos capacidade de caçar — é que as várias populações de ursos polares conseguiriam suportar. Após terem feito este exercício em 80% da população total de ursos polares, perceberam que muitas das subpopulações estariam extintas até ao final do século. 

Nas descrições publicadas no estudo científico, os biólogos notaram que os ursos polares no sul da Baía de Hudson e no Estreito de Davis (Canadá) vão “muito provavelmente” sofrer de falha reprodutiva até 2040, mesmo que as emissões de gases de estufa sejam mitigadas. Em 2080, também os ursos polares do Alasca e Rússia começarão a sofrer do mesmo problema. Em 2100, no entanto, as falhas reprodutivas serão “inevitáveis”.