O Sindicato Nacional de Ensino Superior (SNESup) elogiou esta segunda-feira o aumento de candidatos à primeira fase do Concurso Nacional de Acesso, que atingiu o maior número desde 1996, considerando que comprova que não há “ensino superior a mais”.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior divulgou esta segunda-feira os dados relativos à primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao ensino superior público, que registou 62.675 candidatos, o maior número “nos últimos 25 anos”.

Para o presidente do SNESup, este “número recorde” mostra que existe no ensino superior uma “ampla margem de crescimento”, independentemente de o país enfrentar um problema de regressão demográfica. E esse crescimento deve manter-se, defendeu Gonçalo Leite Velho em declarações à Lusa, para bem da qualificação dos portugueses. “Apesar de termos dado um grande salto na qualificação, ainda estamos muito atrás e precisamos de ter recordes como este para, de facto, conseguirmos vencer os desafios da qualificação”, sublinhou. O representante dos docentes e investigadores do superior associou também o aumento de candidatos aos resultados positivos registados na primeira fase dos exames nacionais.

Este ano, as médias nos exames subiram em todas as disciplinas em relação ao ano anterior, com exceção de duas provas, com algumas disciplinas a registarem um aumento superior a três valores. Na altura, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pela elaboração e aplicação das provas nas escolas, associou os resultados às regras excecionais implementadas devido à situação pandémica, que permitiram que os alunos realizassem os exames finais nacionais apenas nas disciplinas que elegeram como provas de ingresso. “Há aqui uma ligação entre notas e aspirações. Como as notas subiram, mais pessoas têm a aspiração de poder frequentar os cursos que querem”, considerou o presidente do SNESup.

Por outro lado, na classificação das provas deste ano, os professores contabilizaram apenas as respostas a um conjunto de perguntas obrigatórias e, nas restantes, contaram aquelas em que o aluno teve melhor pontuação, assegurando que os alunos não seriam prejudicados pelos constrangimentos impostos pelo ensino a distância.

Refletindo sobre o contexto que poderá ter favorecido os finalistas no final do ano letivo e no acesso à ensino superior, Gonçalo Leite Velho referiu, no entanto, que as instituições de ensino superior podem esperar receber alunos menos bem preparados.  “Se estas notas forem simplesmente inflacionadas, vamos ter mais alunos, mas que sabem menos”, afirmou, acrescentando que isso representará uma pressão acrescida sobre os docentes para “colmatar estas deficiências de base”, que não será possível se as instituições regressarem ao ensino a distância.

Os resultados da 1.ª fase do concurso nacional de acesso serão divulgados em 28 de setembro, no sítio da Direção-Geral do Ensino Superior, podendo ainda ser consultados através da aplicação ES Acesso.

A tutela estima que o número de novos ingressos no ensino superior “em todos os ciclos de estudos, públicos e privados, atinja cerca de 90 mil novos estudantes matriculados no próximo ano letivo de 2020/21”, contra 84 mil no ano passado.