O PSD exigiu esta quarta-feira ao Governo que esclareça quais as regras aplicadas às crianças e jovens em risco institucionalizadas no âmbito da Covid-19, considerando “preocupante” que tenham de cumprir 14 dias de isolamento depois de retiradas às famílias.

Numa pergunta esta quarta-feira entregue na Assembleia da República e dirigida à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, os deputados sociais-democratas referem que já em maio dirigiram ao Governo perguntas sobre esta matéria e que, até agora, não foram respondidas.

É preciso atender ao equilíbrio e desenvolvimento saudável das crianças e jovens e, por isso, assegurar um relacionamento e afetos indispensáveis para garantir um são crescimento e integral desenvolvimento das crianças e jovens”, afirmam.

O PSD considera que a notícia do jornal Público, segundo a qual crianças e jovens em risco retiradas da família devem cumprir isolamento durante 14 dias ao ser acolhidas, mesmo que tenham testado negativo à Covid-19, é “particularmente preocupante e exige a maior ponderação e critério por parte dos poderes públicos”.

Crianças retiradas às famílias têm de fazer isolamento 14 dias. Provedoria da Justiça já recebeu queixa

“Perante esta situação, que ainda por cima parece não estar a ser aplicada de igual forma em todo o território nacional numa violação grosseira do princípio da igualdade, surgiu a notícia de que o Instituto da Segurança Social e a Direção Geral da Saúde estão a trabalhar na revisão das regras atuais sem que seja conhecido em que sentido ou para quando está prevista a sua entrada em vigor”, acrescentam.

Os deputados do PSD questionam, em concreto, como estão a ser asseguradas as condições higieno-sanitárias das crianças e jovens institucionalizadas e as visitas dos respetivos familiares.

Está a ser feito algum acompanhamento específico às crianças que, neste momento, são retiradas às famílias e ficam obrigadas a ficar 14 dias em isolamento, de modo a salvaguardar o seu integral desenvolvimento e bem-estar?”, questionam ainda.

Por outro lado, os deputados do PSD querem saber “em que sentido está a ser trabalhada a anunciada revisão das regras pelo Instituto de Segurança Social e Direção Geral de Saúde” e quando entrarão em vigor.

A ministra da Saúde e a diretora-geral da Saúde recusaram esta quarta-feira estar em causa o “abandono” no isolamento de 14 dias imposto para prevenir contágio por Covid-19 quando alguém é institucionalizado, nomeadamente crianças retiradas aos pais.

Norma que prevê isolamento de 14 dias para crianças em perigo está a ser revista

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu que a norma que impõe o isolamento de crianças que entram em instituições pode ser alterada se a Organização Mundial de Saúde indicar outro período temporal para o isolamento, frisando que “a revisão [da orientação] pode passar por transformar o isolamento” para deixar a pessoa “mais confortável”.