O PCP já respondeu aos últimos documentos que foram enviados no âmbito da negociação do Orçamento do Estado para 2021. As conversas estão já no detalhe do desenho final das medidas que estão a ser trabalhadas pelas partes, mas até agora o Governo só teve resposta dos comunistas e ainda aguarda as contrapropostas do Bloco de Esquerda que, segundo apurou o Observador, seguirão “em breve”.

Segundo fonte do Executivo, “as negociações prosseguem” e os comunistas já responderam, por escrito, aos documentos que o Governo enviou aos parceiros sobre as medidas concretas que está a negociar com cada um. Do Bloco, que recebeu a correspondência do Governo na quinta-feira de manhã, segundo confirmou a líder Catarina Martins, o Governo ainda aguarda sinal. “Estamos a trabalhar na resposta do PCP e à espera do BE”, detalha fonte do Governo.

O Observador apurou também que o BE responderá “em breve” ao Governo, que desde quarta-feira têm existido várias trocas de documentos com o Executivo e que o partido está “a analisar” a última leva que chegou de São Bento. Recorde-se que, na terça-feira, uma comitiva do BE esteve novamente reunida com o primeiro-ministro até de madrugada.

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Esta tarde, no final de uma reunião com a Confederação Portuguesa das Micro Pequenas e Médias Empresas, Catarina Martins manteve que “continuam a haver diferenças não resolvidas em matérias fundamentais por intransigência do PS” e que deseja “soluções concretas” já que “a grande vontade do Bloco de Esquerda é que haja acordo”, garantiu.

Quanto ao que recebeu do Governo na quinta-feira de manhã, Catarina Martins diz que foi a primeira vez desde junho que lhe foram enviadas contrapropostas e que “há matérias em que há acordo mas nas matérias mais determinantes não há avanços“.

Já no PCP, Jerónimo de Sousa disse esta quinta-feira à noite à RTP que “tem havido evolução” nas negociações e que o Governo “tem acolhido algumas propostas” ainda que continue “longe” das pretensões comunistas. O líder do PCP disse ainda que não existia ainda um “processo fechado no relacionamento bilateral entre o PCP e o Governo”, exemplificando com questões que ainda não têm resposta definitiva, como o aumento do salário mínimo ou a valorização das reformas e pensões. A resposta comunista ao Governo seguiu esta sexta-feira e já está a ser analisada.

As negociações para a viabilização do Orçamento do Estado de 2021 terão de ficar fechadas durante este fim de semana, já que o documento terá de ser entregue no Parlamento da próxima segunda-feira, dia 12 de outubro.