“Tenho de ser muito franca. O meu filho, o príncipe herdeiro, é uma espécie de Don Juan. Ele é um bom aluno, um bom rapaz, mas as mulheres acham-no interessante e ele acha as mulheres ainda mais interessantes. Portanto, a sua vida familiar não é assim tão tranquila”.

As palavras são de Sirikit Kitiyakara, rainha-mãe da Tailândia, proferidas em 1981 sobre o filho, Maha Vajiralongkorn, herdeiro do trono depois de a irmã mais velha ter renunciado ao cargo. Naquele ano, Maha ainda não era Rama X, monarca do país, mas já causava celeuma: um ano antes havia-se descoberto que traía a mulher, Soamsawali, sua prima em primeiro grau e mãe da primeira filha, com Sujarinee.

Maha e Soamsawali divorciaram-se uma década depois da entrevista da rainha-mãe tailandesa ao Dallas Herald Times. Por essa altura, o príncipe herdeiro já tinha filhos com Sujarinee — quatro rapazes e uma rapariga. Um deles é Chakriwat Vivacharawongse, doente com neurofibromatose do tipo II, uma doença genética que provoca o crescimento de tumores nos tecidos do sistema nervoso.

Maha casou-se com Sujarinee em 1994, mas o matrimónio durou apenas dois anos. Depois disso, tanto a mulher como os filhos do sexo masculino foram deserdados e os seus passaportes foram apreendidos. Sujarinee fugiu com os filhos para os Estados Unidos com receio das excentricidades do ex-marido — as mesmas que, já este ano, durante a pandemia, o levaram a cumprir confinamento num quarto de hotel com 20 concubinas; e que, ainda em 2007, permitiram promover o cão Foo Foo a major-general da Força Aérea.

Rei tailandês isolado nos Alpes com 20 concubinas

Chakriwat Vivacharawongse tinha 13 anos quando fugiu com a mãe para território norte-americano. Tornou-se médico, estudou psicologia e biologia; e tem sido uma voz ativa na consciencialização sobre a doença de que sofre. Agora, aos 36 anos, anunciou que vai entrar numa nova fase de combate à neurofibromatose:

Estou a receber tratamento de quimioterapia. Como tal, é possível que demonstre alguns sintomas em que podem já ter reparado. Por isso, decidi enfrentar o meu estado atual e os tratamentos para que não se preocupem ou surpreendam com a minha aparência física ou com qualquer efeito colateral que possa aparecer”.

Mas Chakriwat também fez um apelo: “Gostaria de pedir que não usem esta notícia do meu estado de saúde e tratamentos para qualquer agenda política, mesmo que seja da minha família ou da minha situação pessoal. Por favor, evitem usar o meu estado de saúde para isso porque não quero que minha família, a minha mãe e os meus irmãos carreguem o fardo de potenciais conflitos”.

*(English Verion Please Scroll Down to the Bottom – Thank You and Best Wishes)*ถึงทุกท่านที่ติดตาม CMIC ครับ…

Posted by Chakriwat Vivacharawongse on Wednesday, October 7, 2020

Desde que ele e a família foram obrigados a fugir da Tailândia, Chakriwat não tem contacto com o pai, atualmente casado com a Rainha Suthida da Tailândia e com Sineenat — a concubina afastada em 2019 por “comportamento desrespeitoso e por querer ocupar o papel da rainha”, mas que voltou a juntar-se ao rei em setembro deste ano porque “já não era impura”.

De acordo com a entrevista de Andrew McGregor Marshall, jornalista e especialista na Coroa tailandesa, ao El Confidencial, não será fácil determinar quem herdará o trono após a morte de Maha: “Todos os filhos do sexo masculino foram enviados para a América e retirados da linha de sucessão” de Rama X; e as mulheres não podem subir ao trono. “O único herdeiro é o filho da sua terceira mulher que, de facto, vive na Alemanha. Achamos que ele é autista, mas não sabemos, porque o Palácio nunca disse nada sobre isso”, explicou o especialista escocês.

“Esta é uma das grandes ironias da monarquia tailandesa. O rei está a tentar reunir todo o poder de uma forma sem precedentes. Ele tem 68 anos e, quando morrer, parece não haver ninguém que possa controlar esse mesmo nível de poder”, termina o jornalista.