João Almeida teve mais um dia de sonho (que é cada vez mais real) no Giro, colocando-se no grupo da frente que chegou a Monselice no final da 13.ª tirada e conseguindo o segundo lugar apenas atrás de Diego Ulissi. E foi essa imagem raríssima no mundo do ciclismo internacional de um camisola rosa continuar a discutir vitórias ao sprint no final da segunda semana de uma grande Volta que valeu mais uns segundos de avanço em relação ao segundo classificados, Wilco Kelderman, passando de 34 para 40 segundos antes do contrarrelógio deste sábado.

João Almeida brilhou na terra de Pantani e soube defender camisola rosa (contra frio, chuva, vento… e vários adversários)

O italiano da UAE Team Emirates terminou a corrida com o tempo de 4.22.18, o mesmo tempo do português e de Patrick Konrad, que ficou na terceira posição. Foi essa bonificação que permitiu ao corredor da Deceuninck Quick-Step recuperar aqueles (poucos) segundos que tinha perdido na chegada a Roccaraso, no domingo, quando Rúben Guerreiro se tornou o primeiro português a ganhar uma etapa de uma grande Volta 31 anos depois do triunfo de Acácio da Silva também no Giro. O outro português na prova, neste caso na EF Pro Cycling, acabou no 14.º lugar, inserido no grupo de 20 corredores onde estavam alguns dos principais candidatos como Wilco Kelderman, Pello Bilbao, Vincenzo Nibali, Jakob Fuglsang ou Domenico Pozzovivo. O grupo seguinte cruzou a meta apenas 23 segundos depois, o que fez com que não se registassem mais mudanças nos primeiros lugares.

Em relação aos dois grandes favoritos que viram as suas ambições frustradas, Arnaud Demaré (líder da camisola dos pontos) e Peter Sagan, acabaram por ficar fora da luta final não só pelas movimentações do pelotão mas também, ou sobretudo, pelo corte promovido nas duas subidas existentes nos quilómetros finais. Com este segundo lugar, João Almeida, que faz a estreia no World Tour e numa corrida de três semanas, alcançou o quarto pódio no Giro, depois do segundo lugar no contrarrelógio da primeira etapa, do terceiro posto na chegada a Camigliatello Silano da quinta etapa e da terceira posição em Tortoreto na décima etapa.

Histórico: João Almeida torna-se o segundo português de sempre a ter a camisola rosa no Giro

Este fim de semana realizam-se mais duas etapas diferentes mas com igual importância em termos de classificação geral: amanhã será feito o segundo de três contrarrelógios na prova, o mais longo de todos entre Conegliano e  Valdobbiadene na distância de 34,1 quilómetros, e no domingo há uma tirada de montanha mais dura entre a Base Aérea de Rivolto e Piancavallo, ao longo de 185 quilómetros. Segunda-feira é o segundo e último dia de descanso, antes da semana decisiva onde se perceberá até onde pode chegar o sonho rosa de João Almeida.

Há uma nova estrela no desporto nacional: João Almeida em segundo na primeira etapa do Giro (apenas superado pelo campeão mundial)

“Mantenho a camisola rosa a cada dia e talvez comecem a pensar que a posso manter até final. Talvez não… Amanhã será o 11.º dia com esta camisola, será muito especial começar com a rosa. Mal posso esperar para começar, ainda para mais na última posição, por isso será interessante e estou entusiasmado. A última semana será muito complicada. Amanhã? Nunca fiz um contrarrelógio tão longo, por isso será novo para mim. Se estiver num dia bom, talvez fique e até aumente. Se tiver um dia mau certamente que vou perder tempo para os outros candidatos. Vamos ver como as pernas estão mas vamos dar tudo o que temos”, comentou João Almeida.