O contrarrelógio da primeira etapa, na Sicília, tinha deixado o primeiro sinal de que João Almeida estava no Giro para conseguir algo histórico, terminando aí na segunda posição apenas atrás de Filippo Ganna. No entanto, a sua história na primeira corrida de três semanas não tinha mesmo ficado por esse grande resultado e, esta segunda-feira, na terceira etapa, o português conquistou a camisola rosa de líder da competição. E para que nada falhasse, até o local da conquista parecia escrito: na etapa de 150 quilómetros que ligou Enna ao vulcão Etna, o mesmo ponto de chegada onde Acácio da Silva, o único português a ter a principal maglia, tinha brilhado em 1989.

Há uma nova estrela no desporto nacional: João Almeida em segundo na primeira etapa do Giro (apenas superado pelo campeão mundial)

O colombiano Jonathan Caicedo, da EF Pro Cycling (equipa onde se encontra o outro português no Giro, Rúben Guerreiro, que também se estreia na prova), foi o vencedor da etapa com 21 segundos de vantagem do italiano Giovanni Visconti (Vini Zabu-Brado-KTM), num final de sucesso de quatro fugitivos onde estavam ainda Harm Vanhoucke (Lotto Soudal, a 30 segundos) e Wilco Kelderman (Team Sunweb, a 39 segundos). Só depois, com 51 segundos de atraso, chegou o resto do pelotão onde estava também João Almeida, que beneficiou do segundo lugar do contrarrelógio inicial com chegada a Palermo para ficar na primeira posição da geral, com o mesmo tempo de Caicedo. Pello Bilbao (Bahrain McLaren) está no terceiro lugar a 37 segundos.

Acácio da Silva. “Saquei a rosa no vulcão Etna”

Entre os principais favoritos, Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo) é o melhor na sexta posição a 56 segundos, seguido de Jakob Fuglsang (Astana), na nona posição a 1.13, e Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma), em décimo a 1.15. Simon Yates, em 25.º, já está a 3.46 minutos da liderança, ao passo que Geraint Thomas nunca conseguiu recuperar de uma dramática no início da etapa, deitando por terra as hipóteses de poder brilhar na Volta a Itália depois de ter ficado de fora do Tour por opção da Ineos, que viu também as suas esperanças esfumarem-se a abrir. Rúben Guerreiro, o outro português no Giro, ocupa nesta fase o 41.º lugar a 7.51 minutos da amarela.

Senti-me bem na subida final [18 quilómetros] mas sofri um pouco. Não estava à espera de vestir a camisola rosa, estou muito feliz”, comentou no final, mesmo sabendo que poderá acontecer só um dia.

João Almeida, jovem ciclista de 22 anos nascido nas Caldas da Rainha que até chegou relativamente tarde ao ciclismo, primeiro no BTT e depois na estrada (tendo praticado antes natação e jogado futebol), voltou a confirmar as boas indicações deixadas este ano, como tínhamos registado no sábado, e ocupa pela primeira vez o lugar cimeiro da prova, depois de ter começado em segundo a 22 segundos de Ganna. Em 2020, o corredor da Deceuninck-Quick Step foi segundo no prémio da juventude da Volta ao Algarve, terminou a Volta a Burgos no terceiro lugar da geral individual e dos pontos (tendo acabado em segundo na primeira etapa entre a Catedral de Burgos e o Mirador de Castillo) e ganhou depois o prémio da juventude no Tour de L’Ain (sétimo na geral).