O contrato para a compra de 22 automotoras para o serviço regional da CP foi finalmente assinado, um ano e dez meses depois de ser lançado. As unidades vão ser adquiridas à fabricante suíça Stadler por 158 milhões de euros.

As primeiras unidades só deverão ser entregues no final de 2024, de acordo com informação avançada ao Observador por fonte oficial da CP. Esta chegada representa quase um ano de atraso, face ao inicialmente previsto, uma demora que será explicada pela suspensão do concurso devido à impugnação por parte de um concorrente preterido, a espanhola CAF.

O anúncio da vitória da Stadler foi feito no final do ano passado, mas só recentemente é que a CP foi notificada, pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, da decisão judicial de levantamento do efeito suspensivo, decisão que permite a assinatura do contrato relativo ao concurso do material circulante, sendo que a ação de impugnação, seguirá os seus trâmites nos tribunais, informa a empresa. O contrato terá ainda de receber o visto do Tribunal de Contas

Este é o primeiro contrato para a renovação de material circulante da CP (com unidades novas) em mais de uma década. Desde 2015 que a gestão da CP pedia o reforço do material circulante, mas o concurso só foi lançado no final da legislatura anterior, em janeiro de 2019, numa altura em que a empresa se confrontava com sérias dificuldades em assegurar a oferta para os serviços num contexto de procura a subir. Entretanto, e no quadro do programa de recuperação, já foi anunciada a intenção de lançar outro concurso para novos comboios que vão assegurar serviços regionais, de longo curso e suburbanos.

O contrato assinado esta quarta-feira prevê a compra de 10 automotoras elétricas (“UME”) e 12 unidades bimodais (“UMB”) e inclui o serviço de manutenção durante um prazo mínimo de 4 anos. Esta será a primeira encomenda do modelo Flirt para passageiros a circular na Península Ibérica e, nos termos do caderno de encargos, deverá ter uma componente de incorporação nacional no processo de fabrico, que pode passar pela fase de montagem. Mas CP e a Stadler ainda não revelaram o que será feito em Portugal.

Citado em comunicado, o vice-presidente executivo comercial e de marketing de Stadler Group, Ansgar Brockmeyer, refere a intenção de “contribuir para a revitalização da indústria ferroviária nacional”.

Os 22 FLIRT vão ter bitola ibérica e serão compostos por três carruagens que permitirão  uma capacidade máxima de 375 passageiros, dos quais 214 podem ir sentados. Podem alcançar uma velocidade máxima de 160 ou 140 km/hora, consoante a fonte de alimentação utilizada.

A encomenda inclui automotoras com tração diesel e elétricas, que podem ser convertidas. Em comunicado, a Stadler explica que para poder “circular nas linhas não eletrificadas, os FLIRT UMB dispõem de um módulo de potência, ou “Power Car”, que alberga um sistema de tração diesel-elétrica. O seu desenho está concebido para garantir uma fácil reconversão no futuro de automotoras bimodais para elétricas, assim como para permitir que os motores diesel possam ser substituídos ou complementados com baterias, em função das necessidades do operador”.