É esta variante que se espalha mais facilmente do que outras ou foram os turistas que disseminaram o vírus pela Europa? A resposta (ainda) não é clara no estudo publicado esta quinta-feira no MedRxiv, um site que publica artigos científicos antes da revisão dos pares (a peer review, um garante de qualidade científica). Os próprios investigadores assumem que não podem retirar conclusões dessa natureza, mas um dado parece certo: esta variante do vírus que provoca a Covid-19 apareceu primeiro entre trabalhadores agrícola espanhóis e, em seguida, atacou os turistas que visitaram Espanha no verão. No regresso aos países de origem, os veraneantes levaram na bagagem o 20A.EU1.

Agora, esta variante do coronavírus é responsável pela maioria dos novos casos de Covid-19 em vários países europeus e representa mais de 80% das infeções no Reino Unido.

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“A variante foi observada pela primeira vez em Espanha em junho e tem estado em frequências acima de 40% desde julho. Fora de Espanha, a frequência desta variante aumentou de valores muito baixos antes de 15 de julho para 40-70% na Suíça, Irlanda e Reino Unido em setembro. Também é prevalente na Noruega, Letónia, Holanda e França”, lê-se no estudo que diz mostrar que esta variante “foi exportada de Espanha para outros países europeus várias vezes”.

Por outro lado, a investigadora principal lembra que podem estar em causa algumas das medidas tomadas para restringir a propagação do vírus, já que o estudo sugere que os turistas tiveram um papel fundamental na transmissão do vírus em toda a Europa. Um deles prende-se com as regras de segurança e triagem feita em alguns aeroportos da Europa.

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“A partir da disseminação de 20A.EU1, parece claro que, muitas vezes, as medidas em vigor não foram suficientes para interromper a transmissão das variantes introduzidas este verão”, disse Emma Hodcroft, geneticista da Universidade de Basel, citada pelo Financial Times.

Agora, a equipa de investigadores pretende descobrir se esta variante é mais letal ou infecciosa do que outras, já que, até à data, não há “nenhuma evidência de que a propagação rápida da variante seja devido a uma mutação que aumenta a transmissão”, esclarece Emma Hodcroft. Para já, tudo indica que foi o “comportamento de risco” dos turistas em Espanha que ajudou a espalhar esta nova variante do SARS-CoV-2 na Europa.