Sobe de tom a polémica em torno das obras das novas linhas do metro do Porto. Depois de no início da semana várias associações de defesa ambiental terem lançado uma petição para travar a destruição do Jardim de Sophia, junto à Praça Galiza, bem como o abate de 503 sobreiros em Vila Nova de Gaia, Marisa Lavrador, arquiteta paisagista responsável pelo jardim, lamenta a destruição anunciada da sua obra e acusa Eduardo Souto de Moura, responsável pela construção das estações subterrâneas da nova linha Rosa, de a ter deixado de fora do processo.

“Há uma destruição do jardim e depois fazem outra coisa”, disse a arquiteta esta quinta-feira à edição impressa do Jornal de Notícias, revelando que foi informada de que a construção da estação da Galiza, uma das quatro da nova linha, ainda em projeto, que vai ligar a Casa da Música a São Bento, iria dar azo à destruição do espaço verde.

“Em junho do ano passado, o gabinete do arquiteto Souto de Moura contactou-me para uma reunião comigo e com a Metro. Serviu para me informar que o jardim ia ser destruído. Fiquei indignada. Dependia do arquiteto integrar-me no projeto ou não. Acho incorreto”, revelou Marisa Lavrador àquele jornal.

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Também ao JN, Souto de Moura, prémio Pritzker em 2011, garantiu que não terá sido bem assim e revelou que, em setembro de 2019, em nova reunião na Câmara do Porto, convidou a arquiteta para participar no projeto, mas que ela terá declinado por faltar “muito pouco tempo” para entregar o trabalho.

Também explicou que com a nova estação, metade do atual Jardim de Sophia será demolido, pelo que após as obras “terá de ser feito um novo jardim”. “Serão plantadas 74 novas árvores: 66 no jardim e 8 nos arruamentos”, acrescentou ainda o arquiteto que, também de acordo com o JN, vai receber 400 mil euros pelo projeto das quatro estações da nova linha Rosa.