O Instituto Nacional de Medicina Legal e das Ciências Forenses (INMLCF) está a fazer autópsias virtuais a corpos infetados e cuja morte tenha sido violenta ou que existam suspeitas de crime, avança o DN.

Entre janeiro e outubro deste ano, o Instituto realizou menos 701 autópsias em relação ao mesmo período do ano passado. A redução não equivale a uma diminuição de mortes com estes contornos, mas por terem entrado menos pedidos de autópsias no Ministério Público, em conformidade com as indicações da Direção Geral de Saúde para que se realizem apenas as autópsias necessárias.

Todos os cadáveres autopsiados são testados para o novo coronavírus, explicou Eugénia Cunha, diretora do INMLCF ao jornal. O rastreio pode ajudar a determinar a causa da morte e protege os profissionais da infecção.

Nos casos positivos, a autópsia é realizada virtualmente, sendo utilizada uma técnica da Universidade de Zurique, cada vez mais comum em Portugal, aplicada em casos de doenças infectocontagiosas

A diretora do INMLCF revela ainda ao DN que outra das alterações a que se assistiu com a pandemia foi a dimunuição nas mortes em consequência de acidentes de aviação.

A TAC (tomografia axial compturizada) é a técnica mais utilizada entre as que estão disponíveis, como a ressonância magnética. Segundo Eugénia Cunha, esta permite analisar fraturas, entradas e saídas de projeteis ou até mesmo os que no corpo possam ter ficado alojados.

Até então, a técnica tinha sido utilizada em situações pontuais. Agora, considera a diretora do INMLCF,  “a pandemia está a causar efeitos económicos trágicos e a falta de emprego vai gerar violência”, como tem acontecido noutros países, o que fará com que se recorra cada vez mais a este tipo de autópsias.