A Glovo, uma aplicação de entregas ao domicílio, vai oferecer comissões gratuitas aos novos parceiros que aderirem aos serviços de entrega até 2021. O anúncio surge no mesmo dia em que a Deco Proteste denunciou práticas de “abusos de poder de mercado” quer pela Glovo quer pela concorrente Uber Eats.

Em comunicado, a plataforma de entregas esclarece que esta é uma “nova iniciativa de apoio às pequenas e médias empresas”, tendo em vista “facilitar a incorporação das entregas no modelo de negócio e ajudar na adaptação à nova realidade”, provocada pela crise da Covid-19.

A empresa criou também num novo botão denominado “Promoções”, a partir do qual os utilizadores vão poder aceder a promoções especiais em restaurantes, com o intuito de “tornar o serviço ainda mais acessível na conjuntura atual”.

Na manhã desta quinta-feira a Deco Proteste acusou a Glovo e a Uber Eats de exercer pressão junto dos parceiros (como restaurantes), porque praticava “elevadas comissões”, que se refletem num aumento dos preços das refeições (que nalguns casos pode chegar aos 10%) e numa diminuição da oferta, implicando ainda o esmagamento das margens de rentabilidade dos restaurantes.

Em causa estão as comissões cobradas por estas apps aos vendedores. A Glovo cobra taxas na ordem dos 35% e a Uber Eats pratica comissões variam entre os 15% e os 30%, a que se acrescem outras taxas como a de ativação ou de assinatura.

Deco Proteste denuncia “abuso de poder de mercado” pela Glovo e Uber Eats

À acusação, fonte oficial da Uber diz que a empresa está “empenhada em apoiar os restaurantes e as milhares de pessoas que deles dependem para trabalhar, sendo este um serviço essencial neste momento difícil.”

“No início desta crise pandémica, lançámos um plano de apoio com várias iniciativas para ajudar os restaurantes parceiros, particularmente proprietários de pequenos negócios, concentrando o nosso investimento em medidas que aumentem a procura para os nossos parceiros”, acrescenta a mesma fonte.

A tecnológica lembra que quando o estado de emergência foi acionado, optou por eliminar a taxa de entrega em todos os pedidos para todos os restaurantes. “Ajudámos também outros setores que têm sido essenciais na resposta à crise, oferecendo 5.000 refeições e a taxa de entrega em 5.000 pedidos adicionais aos profissionais de saúde portugueses em qualquer um dos mais de 4.000 restaurantes presentes na plataforma Uber Eats”, esclarece a mesma fonte.

“Estas medidas foram essenciais para o crescimento de volume de negócios dos nossos restaurantes parceiros durante este período. Além disso, criámos uma rápida integração (48 horas, em média) de novos restaurantes para que estes pudessem encontrar novas fontes de rendimento assim que possível. Neste momento estamos a oferecer a taxa de entrega durante o período de almoço”, acrescenta.

Tal como a organização de defesa do consumidor reconhece, muitos consumidores têm recorrido aos serviços de entregas numa tentativa de atenuar os impactos da pandemia, em parte devido ao confinamento.

Sobre este assunto, Ricardo Batista, responsável pelo mercado nacional da Glovo, afirmou em comunicado que “a fase atual é muito difícil para os restaurantes” e que na Glovo “é essencial facilitar a utilização da plataforma aos restaurantes que nunca testaram o serviço, para ajudar a aumentar as opções de aumento da rentabilidade”. “Queremos que percebam que somos um aliado”, garantiu.

Também a respeito das acusações, Ricardo Batista reiterou que as comissões, que “correspondem à utilização da tecnologia, serviços de marketing e acesso ao serviço de entrega” variam entre 5% e 35%, mas nunca são superiores a 35%. Assegurou, ainda, que ao eliminar as comissões de todos os parceiros que aderirem à plataforma até 2021, a empresa se compromete “a assumir internamente o que isso significa a nível económico”.

Fundada em Barcelona, em janeiro de 2015, a Glovo oferece um serviço de entregas de qualquer produto e está disponível em 90 localidades portuguesas.

*Atualizado às 17h com reação da Uber Eats