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Em Portugal, o primeiro estado de emergência foi decretado em março. Antes disso, a ideia de uma pandemia parecia um cenário distante: chegavam notícias alarmantes da Ásia, a Europa começava a enfrentar os primeiros casos de uma nova doença mas, por entre a confusão e a surpresa, Diogo Mocho já tinha ideia daquilo que ia ter pela frente. “Tivemos umas informações antecipadas porque um dos meus sócios, o Tocha, tem muitos contactos na China e percebeu o panorama que aí vinha. Foi daí que surgiu o Safeway”, explicou ao Observador.

Licenciado em gestão de empresas pelo ISCTE e ex-piloto de aviação, Diogo juntou uma última peça à equipa, José Serra que, com Tocha, encabeça a Olisipo Way, a sociedade de capital de risco.

“O que é que podemos fazer com o know-how tecnológico, de engenharia e de produto? De que forma podemos ajudar as empresas que vão sofrer com isto?” As perguntas que Diogo, David e Tocha queriam ver respondidas, ainda em janeiro deste ano, começaram a fomentar ideias e o resultado surgiu precisamente no primeiro impacto, em março.

“Quisemos ter uma marca pensada para ajudar o mais possível, um caminho seguro para manter os espaços abertos e para as pessoas conseguirem voltar à normalidade o mais rápido possível sem que isso tenha grande impacto no seu dia a dia”, contou.

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Numa altura em que o país se desdobrou em esforços internos para dar resposta às necessidades, os três sócios haviam já posto em prática o resultado de um processo de pesquisa e certificação que seria o pilar da ideia. “Quisemos perceber quais eram os melhores agentes de desinfeção, os produtos no mercado e, para validar as conclusões a que chegámos, contactámos o Centro de Testes Covid-19 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, para testar um produto nosso, o Safeway Places, e eles tiveram resultados muito bons, na ordem dos 98% de inativação do vírus”, esclarece Diogo.

Escolheram, para isso, trabalhar com o ozono como agente de desinfeção e conceberam três produtos para diferentes necessidades: o Safeway Places, Safeway Cabin e Safeway Tunnel, que contam também com certificação da União Europeia (CE) e dos Estados Unidos (FCC).

O Places é pensado para espaços interiores, pesa 4kg e 600g e é portátil

O primeiro produto, pensado para espaços interiores, pesa 4kg e 600g, é portátil, utiliza ozono em estado gasoso e, segundo Diogo, é bastante simples. “Ligamos por exemplo no escritório quando a última pessoa já saiu e, para perceber a duração, basta consultar a nossa tabela. Um quarto de hotel, por exemplo, desinfeta em cerca de uma hora”, diz.

É no entanto importante que durante o processo não estejam presentes pessoas ou animais, razão pela qual Diogo Mocho aconselha “a que as pessoas utilizem um medidor de qualidade do ar no final para ter a certeza que os níveis estão correctos depois do tempo recomendado.” Já os produtos Cabin e Tunnel têm o mesmo propósito mas com formatos diferentes e é aqui que Diogo diz estar a diferença da Safeway.

“Uma coisa é o gás ozono, que não pode ser usado com pessoas no local, outra é água ozonizada. Já havia túneis de desinfeção no mercado, aí não somos novidade, mas o que comparámos com a concorrência, percebemos que era tudo à base de químicos que não eram aconselháveis de pulverizar numa pessoa”, diz.

A Safeway Cabin é um equipamento de materiais nobres que permite a desinfeção de uma pessoa em duas fases. “Quando te aproximas da cabine ela mede a temperatura e emite um alerta caso esteja acima do normal. Depois, logo abaixo do medidor, está uma zona para desinfeção das mãos. Tudo sem ser preciso tocar, quer no medidor quer na caixa com o desinfetante. Depois é passar as baias transparentes, ficar três a cinco segundos na cabine, que é o tempo de uma volta de 360 graus e voltar a sair”, acrescenta.

A Cabin permite a desinfeção de uma pessoa em duas fases

O Safeway Tunnel, por sua vez, é produto retráctil, maior, mais largo e mais amplo do que a cabine. “A cabine é boa para estar à porta de uma empresa mas, para uma fábrica, um estádio, eventos maiores, dava jeito ter um túnel. Isto porque permite até três pessoas de cada vez cumprindo a distância de segurança”, esclarece. Ambos os produtos – cabine e túnel – usam o mesmo sistema de vaporização, uma vantagem em relação às outras ofertas no mercado, explica Diogo.

“No caso destes produtos só precisa de eletricidade e encher um depósito de água. Isto é uma vantagem porque os outros túneis que existem no mercado têm diferentes custos acrescidos; o líquido não vem incluído, por exemplo, ou tentam vender-nos mais alguma coisa que nos deixa presos a um sem número de acrescentos. O nosso produto é, por isso, mais seguro, eficaz e tem muito menos consumíveis”, explica Diogo Mocho.

Sobre o projeto, Diogo mantém a posição de que a Safeway não é uma startup, “isto porque não procuramos rondas de investimento”, mas sim uma ferramenta que procura ajudar o tecido empresarial. Português e não só. “Já vendemos para o Canadá, Espanha, Reino Unido, África do Sul, Qatar, Suécia e Estados Unidos. Queríamos que tivesse o maior alcance possível para um impacto maior. Em Portugal aliámo-nos à Altice Empresas para assegurar que chegávamos a todo o lado, continente e ilhas. E também à SGE, a principal empresa do mundo em certificações. O que fazemos é oferecer às pessoas que adquirem o Safeway Places uma certificação e formação”, conclui.