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Em 2016, foi editado nos EUA o livro Hillbilly Elegy: A Memoir of a Family and a Culture in Crisis (publicado em Portugal pela Dom Quixote em 2017 como Lamento de uma América em Ruínas), em que J.D. Vance, formado em Direito em Yale, recordava a sua infância e juventude no Ohio, no seio de uma família da classe trabalhadora originária do Kentucky. O autor descrevia ainda neste “best-seller” como conseguiu sair do círculo vicioso de empobrecimento, violência e toxicodependência cada vez mais característico da cultura em que nasceu e foi criado, agravado pela crise económica e industrial da América agrícola, operária e conservadora, desconhecida e desprezada pelas elites liberais. A leitura de Hillbilly Elegy dizia também muito sobre as razões da eleição de Donald Trump e a existência de duas Américas dramaticamente irreconciliáveis.

[Veja J.D. Vance falar sobre a sua vida e o seu livro:]

Vance destaca ainda a importância fundamental que teve a avó na sua vida, ao tirá-lo à mãe, viciada em drogas e colecionadora de relações falhadas, pô-lo sob a sua guarda, responsabilizando-o pelos seus atos e incentivando-o, por vezes com dureza, a estudar e a trabalhar, para não acabar “ou sem ter onde cair morto, ou a ter uma morte violenta”, como os seus amigos que faltavam à escola, tinham-se despedido dos empregos e passavam o dia a beber e a fumar erva. E critica a dependência de subsídios e apoios públicos, que convidam ao parasitismo e à desresponsabilização, contribuindo para a preservação e o agravamento da cultura da decadência material, social e anímica dessa América interior e “blue collar”.

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