A Barça TV recuperou recentemente uma entrevista de Francisco Trincão quando chegou a Barcelona. De blazer, camisa, calça de fato, o português não teve problemas em responder em inglês quando antes tinha feito também um esforço para falar dentro do possível em espanhol. Nessa entrevista, o antigo jogador do Sp. Braga, que chegou entretanto a internacional A de Portugal, foi falando das suas preferências fora dos relvados, do gosto pelo antigo jogo do Snake que existia nos telemóveis antigos aos documentários. Também a chegada dele à Catalunha dava um documentário, seja como ator principal ou secundário de uma novela que ainda se vai desenrolando.

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A começar pelos primeiros dias. O extremo que custou um pouco mais de 30 milhões de euros e que surgia como uma das principais promessas da renovação feita pelos blaugrana foi apresentando no meio do turbilhão Messi, quando o argentino apresentou a rescisão, mostrou-se intransigente na vontade de sair mas acabou por ficar por perceber que corria o risco de perder o litígio com o clube – deixando a porta aberta para uma saída a custo zero no final da temporada, onde termina a ligação. E ainda houve antes a troca de Quique Setién por Ronald Koeman. E ainda houve depois a moção de censura que com mais de 20.000 signatários que levou à demissão de Josep Maria Bartomeu da liderança do clube. Seguem-se as eleições, com vários candidatos e divergências.

Ser o jogador que era no Sp. Braga? É uma questão de tempo. Com jogos e confiança, vou ser. Sair? Não penso em sair, estou muito contente por estar no maior clube do mundo. É um sonho para mim. Vou ficar, sem dúvida”, destacou na conferência de imprensa de antevisão do jogo com o Ferencvaros.

No meio das convulsões, e entre resultados que também não ajudaram em nada a estabilizar o ambiente, Trincão, de 20 anos, foi começando a fazer o seu trajeto na Catalunha. Agora, aproveitando a situação confortável da equipa na Champions, foi titular e cumpriu os 90 minutos, faltando apenas o primeiro golo que tem perseguido muito e que tarda em surgir. “Quando recebeu a bola procurou o 1×1 mas criou pouco perigo porque as ocasiões chegavam da esquerda. O português, apesar de tudo, é dos que pede todas as bolas e não se rende. No Barcelona isso é o mais importante quando tens qualidade. Quer sempre acabar a jogada e às vezes é preciso dar um passo atrás. Pouco a pouco”, disse o Sport sobre o internacional. “Começou bem, combinando com Dest e entrando pela direita, mas a sua obsessão na busca de um golo passou fatura e falou com a baliza quase vazia”, analisou o Mundo Deportivo.

Trincão não marcou mas o Barcelona voltou a ganhar e à vontade, fazendo o 3-0 na Hungria frente ao Ferencvaros em menos de 15 minutos na primeira parte e com os franceses a fazerem a diferença: Griezmann marcou pelo terceiro encontro consecutivo, desta vez de calcanhar após cruzamento da esquerda de Jordi Alba (14′); Braithwaite voltou também aos golos em nova titularidade, concluindo ao primeiro poste uma jogada criada por Dembelé na esquerda (21′); e o mesmo Dembelé fechou as contas de grande penalidade ainda antes da meia hora (28′). O português não teve ainda a oportunidade de marcar pelos catalães mas a segunda linha continua a dar mostras de confiança a Ronald Koeman, que aos poucos recupera de um início tremido de temporada.