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Quando é o Día(z) de Luis, não há muito mais a fazer (a crónica do V. Guimarães-FC Porto)

Luis Díaz entrou à meia-hora quando o FC Porto estava a perder, viu o V. Guimarães marcar novamente e fez a reviravolta quase sozinho, com uma assistência para Taremi e um golo decisivo (2-3).

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O avançado colombiano só entrou durante a primeira parte, para o lugar de Romário Baró

AFP via Getty Images

O avançado colombiano só entrou durante a primeira parte, para o lugar de Romário Baró

AFP via Getty Images

A última semana do ano sorriu ao FC Porto — e, particularmente, sorriu a Sérgio Conceição. Depois da conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, através de uma vitória contra o Benfica que deu ao treinador o quinto título desde que orienta os dragões, Conceição foi até ao Museu do FC Porto entregar o troféu, acompanhado por Pinto da Costa, por vários elementos da direção e pelos capitães Pepe e Sérgio Oliveira. E além de assinalar a data simbólica, por se tratar do aniversário do presidente, e a vontade de regressar ao Museu em 2021, o treinador voltou a falar de um tema que muito gosta de sublinhar: a história do FC Porto.

“Estamos preparados para ir para estágio, mas não queria deixar de sentir… Entro aqui e sinto-me muito pequenino, mas gosto de me sentir pequenino no meio de tanta história e de tão grande personalidade que é o nosso presidente. É um orgulho cada vez que entro neste Museu, principalmente acrescentando troféus, eu e os capitães. Sentimento de gratidão para com as pessoas que não estão aqui presentes e com os adeptos que, infelizmente, esta época não podem estar presentes de três em três dias a ver a equipa”, disse Sérgio Conceição. Ele que, apenas dias depois, foi o entrevistado de Fátima Campos Ferreira no programa “Primeira Pessoa”, da RTP, onde se alongou sobre a infância, o percurso enquanto jogador, a família e o sentimento de pertença que criou nos dragões. E falou precisamente dos pais, que morreram com dois anos de diferença e cujo desaparecimento quase o levou a desistir do futebol.

Ficha de jogo

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V. Guimarães-FC Porto, 2-3

11.ª jornada da Primeira Liga

Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães

Árbitro: Hélder Malheiro (AF Lisboa)

V. Guimarães: Bruno Varela, Sacko, Jorge Fernandes (Suliman, 56′), Mumin, Gideon Mensah, Pepelu, André André, André Almeida (Miguel Luís, 75′), Quaresma, Estupiñan, Rochinha (Marcus Edwards, 79′)

Suplentes não utilizados: Jhonatan, Poha, Bruno Duarte, Ouattara, Noah, Janvier

Treinador: João Henriques

FC Porto: Marchesín, Manafá, Pepe (Sarr, 32′), Diogo Leite, Zaidu, Sérgio Oliveira (Fábio Vieira, 71′), Uribe, Marega, Romário Baró (Luis Díaz, 32′), Corona, Taremi (Grujic, 85′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, João Mário, Toni Martinez, Evanilson, Nanu

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Rochinha (7′), Taremi (42′ e 65′), Estupiñan (63′), Luis Díaz (80′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Romário Baró (12′), a Mensah (15′), a Pepelu (26′)

“Acho que os meus pais estão felizes comigo e com a minha vida. E isto não tem que ver com este mediatismo todo, estas conquistas de títulos. Tem que ver com a minha forma de ser e pelo amor que tenho por eles, por todos os dias me lembrar dele e lhes agradecer todo o esforço que fizeram por mim e pelos meus irmãos. É o reconhecimento diário e vivo com isso. Ainda não consegui a tranquilidade. Luto para a conseguir, mas este lado mais negro que está dentro de mim continuará até aos últimos dias da minha vida. É uma frustração sentir que os meus pais fisicamente não estão presentes e que mereciam, nem que fosse por um dia. Acho que conseguia eliminar este lado negro se tivesse apenas uma hora, um minuto, um dia com eles”, explicou o treinador, indicando ainda que o momento da roda, em que todos os jogadores do FC Porto se unem depois de um jogo, é algo “muito sentimental”.

Era neste contexto que o FC Porto se deslocava esta terça-feira a Guimarães, para o último jogo de um ano civil de 2020 muito atípico mas que trouxe três troféus. E, parecendo que não, os dragões tinham de ganhar não só para não perderem o comboio da perseguição ao Sporting e ao Benfica, que já tinham jogado, mas também para garantirem que a equipa de João Henriques não os alcançava na classificação: em quinto lugar, o V. Guimarães igualava o FC Porto em caso de vitória e ficava a dois pontos do Sp. Braga. Para os dragões, portanto, era absolutamente imprescindível ganhar no D. Afonso Henriques.

Sem Otávio, castigado pelas declarações depois da final da Taça de Portugal, e sem Mbemba, lesionado durante o jogo da Supertaça, Sérgio Conceição lançava Diogo Leite e Romário Baró para substituir os dois jogadores e mantinha a restante espinha dorsal da equipa. Manafá e Zaidu nas laterais da defesa, Pepe no eixo defensivo, Uribe, Sérgio Oliveira e Corona no meio-campo e Marega e Taremi no ataque. Do outro lado, João Henriques deixava Marcus Edwards no banco e colocava Quaresma, Estupiñan e Rochinha na fase mais adiantada da equipa vimaranense.

No relvado, o FC Porto poderia ter entrado praticamente a ganhar, com Corona a rematar por cima depois de um desentendimento entre Sacko e o guarda-redes Bruno Varela (2′). Os dragões dominaram por completo os primeiros minutos da partida mas acabaram traídos pelo pecado que tantas vezes os tem apanhado de surpresa esta temporada: perdas de bola em zonas proibidas. Uribe falhou um passe na zona do meio-campo quando o FC Porto estava a iniciar a construção, Rochinha intercetou a bola e rematou de fora de área, beneficiando de um desvio de Diogo Leite para bater Marchesín (7′).

Depois do golo sofrido, o FC Porto correu atrás do prejuízo. Taremi rematou rasteiro para Bruno Varela encaixar (19′), Romário Baró atirou na sequência de um lance ensaiado mas a bola passou por cima (27′) e também Sérgio Oliveira testou a pontaria mas sem grande sucesso (29′). Pelo meio, Rochinha voltou a causar perigo, num lance isolado na área de Marchesín, mas Diogo Leite limpou a jogada (27′). Ao passar da meia-hora, Sérgio Conceição decidiu mexer pela primeira vez — e logo com duas alterações. Uma forçada, já que Pepe teve de sair depois de se queixar de dores musculares e foi substituído por Sarr, e outra estratégica. Romário Baró desperdiçou a oportunidade da titularidade, viu um cartão amarelo ainda dentro do primeiro quarto de hora e Hélder Malheiro poupou-lhe o segundo depois de o médio português travar com falta um contra-ataque do V. Guimarães. Logo depois, Conceição tirou Baró e colocou Luis Díaz, claramente à procura de maior força e velocidade na frente de ataque.

Depois da entrada do colombiano, o FC Porto teve duas grandes oportunidades para empatar: Taremi rematou ao lado, depois de uma boa combinação com Manafá (38′), e Luis Díaz quase aproveitou um erro enorme de Bruno Varela, que deixou escapar a bola durante um lance que parecia controlado (41′). O empate, porém, surgiu logo depois. Sérgio Oliveira abriu na direita em Marega e o avançado maliano, nas costas da defesa do V. Guimarães, fez um passe horizontal para o poste mais distante; Taremi, em esforço, conseguiu encostar para fazer o golo do FC Porto (42′).

Na ida para o intervalo, ficava a ideia de que o FC Porto dominou o jogo, tanto antes como depois do golo de Rochinha, e foi surpreendido pelo erro de transição que ofereceu a vantagem ao V. Guimarães. Ou seja, ficava também a ideia de que o FC Porto poderia dominar durante todo o jogo e ser surpreendido por um erro ou um passo em falso, como já aconteceu esta temporada, e desperdiçar pontos no D. Afonso Henriques.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do V. Guimarães-FC Porto:]

Na segunda parte e sem novas alterações, o V. Guimarães foi o primeiro a causar perigo, através de um cabeceamento de Estupiñan que passou por cima (46′), e Taremi respondeu do outro lado também de cabeça mas para defesa simples de Bruno Varela (51′). Nos primeiros dez minutos do segundo tempo, foi a vez de João Henriques ficar sem um dos centrais por lesão: Jorge Fernandes não conseguiu continuar em campo e foi substituído por Suliman, que entrou no relvado completamente a frio.

Nos dragões, e à medida que o tempo ia passando, notava-se principalmente a ausência ofensiva de Zaidu. O lateral ex-Santa Clara estava visivelmente preocupado com Ricardo Quaresma e com aquilo que o internacional português poderia fazer se tivesse espaço e não arriscava tanto no ataque, preferindo ficar mais resguardado e precavido. O apoio de Zaidu no corredor, contudo, fazia falta à dimensão ofensiva da equipa de Sérgio Conceição, que não tinha largura suficiente para desenhar dinâmicas que pudessem surpreender o V. Guimarães. Mas Zaidu tinha razão.

No momento em que Quaresma teve espaço para levantar a cabeça, respirar e inspirar-se, o V. Guimarães marcou. O avançado de 37 anos recebeu no vértice da área, Zaidu ficou a alguns metros de distância porque estava preocupado com a progressão de Sacko nas costas e Quaresma soltou um cruzamento letal. A bola ainda desviou em Luis Díaz e ficou perfeita para o cabeceamento de Estupiñan, que apareceu nas costas de Diogo Leite e recuperar a vantagem do V. Guimarães (63′).

A resposta do FC Porto, porém, foi imediata. Luis Díaz soltou-se na esquerda em velocidade e cruzou para o centro da grande área, onde Taremi rematou de primeira e junto ao poste para empatar novamente o resultado (65′). Com uma renovada igualdade, Sérgio Conceição procurou uma nova dinâmica para o meio-campo e trocou Sérgio Oliveira por Fábio Vieira e os dragões iam chegando à vantagem quase de imediato: Marega cabeceou depois de um cruzamento de Corona mas Bruno Varela, com uma defesa, segurou a igualdade (74′). João Henriques lançou Miguel Luís, com o objetivo de oferecer algum critério e capacidade ofensiva ao meio-campo, e o V. Guimarães recusava-se a desistir do resultado. A um quarto de hora do apito final, existia a ideia de que a vitória poderia cair para qualquer um dos lados.

O treinador vimaranense queria engordar essa sensação e colocou Marcus Edwards em campo, um claro desequilibrador que podia causar estragos na grande área de Marchesín. O desequilíbrio, porém, apareceu do outro lado. Corona cruzou, a defesa do V. Guimarães aliviou e Luis Díaz, com uma receção perfeita, arranjou espaço e tempo para rematar certeiro (80′). Até ao fim, Taremi ainda saiu com algumas dificuldades físicas e o FC Porto poderia ter chegado ao quarto golo, já que o V. Guimarães perdeu ímpeto com a desvantagem, mas o resultado não voltou a alterar-se.

No final da partida, o FC Porto somou a sétima vitória consecutiva, o 13.º jogo seguido sem perder para todas as competições e respondeu aos resultados dos rivais diretos naquela que foi uma das jornadas mais complexas para a equipa de Sérgio Conceição. O V. Guimarães de João Henriques mostrou novamente que vai ser um dos conjuntos que maiores dores de cabeça vai provocar aos quatro do topo da tabela e cumpriu mais uma partida de enorme qualidade, onde chegou a estar a ganhar em duas ocasiões. Mas esta terça-feira, no D. Afonso Henriques, era Día(z) de Luis: o colombiano entrou à meia-hora, assistiu Taremi para o fulcral golo do segundo empate e acabou por decidir a vitória num lance de enorme classe.

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