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Lucas Veríssimo, defesa central brasileiro contratado pelo Benfica no mercado de transferência de janeiro e que se estreou esta quinta-feira pelos encarnados frente ao Arsenal, em jogo a contar para a Liga Europa, era um dos sete nomes no manifesto do voo com destino a Portugal, a que o Observador teve acesso, que foi intercetado no Brasil com 500 quilos de cocaína. No entanto, e à semelhança do que aconteceu com mais quatro outros nomes, incluindo o do agente Bruno Macedo, nunca chegou a viajar (até porque esse mesmo voo ficou retido em Salvador, onde foi feita a apreensão por parte das autoridades) nem equacionou sequer embarcar por ter encontrado entretanto uma ligação que lhe permitiu fazer chegar a Lisboa após a final da Taça dos Libertadores.

João Loureiro era um dos passageiros do avião retido no Brasil com 500 quilos de cocaína. Voo foi recusado pelo Governo português

Depois de ter feito esse encontro pelo Santos, que terminou com a vitória do Palmeiras de Abel Ferreira por 1-0, o defesa central foi dispensado pelo clube de São Paulo para tratar de toda a logística e burocracia da mudança. Na segunda-feira, dia 1 de fevereiro, realizou exames médicos numa clínica da cidade brasileira e assinou contrato com os encarnados, que anunciaram oficialmente a contratação, após a inscrição na Liga, ao final do dia em que a equipa jogava em Alvalade com o Sporting e que coincidia com o último dia do mercado de transferências.

A partir daí, foram muitas as complicações para realizar a viagem para Portugal, tendo em conta a proibição dos voos comerciais que já vigorava no país devido à pandemia e os constantes adiamentos, acabando por conseguir fazer a ligação via Europa (França) no sábado, dia 6, chegando a Lisboa na manhã de domingo pelas 11h20, a tempo de conhecer as instalações do Benfica Campus, no Seixal, e o Estádio da Luz, onde assistiu na segunda-feira, dia 8, ao jogo com o Famalicão. Lucas Veríssimo surgiu apenas no manifesto depois de o agente Bruno Macedo, que acompanhava o jogador, ter sabido através de um amigo comum em Portugal de que poderia existir essa hipótese, algo que não se concretizou perante a celeridade de encontrar solução para chegar a Lisboa. Essa solução de recurso que esteve sempre como alternativa e que caiu mal foi regularizada a situação teria outro problema: o facto de o jogador de 25 anos não ser cidadão português nem ter (ainda) residência em Portugal.

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É por isso que, de acordo com o manifesto a que o Observador teve acesso, a primeira viagem do voo (um Falcon 900B com capacidade para 14 lugares VIP), que devia ter saído às 10h de dia 6 do Aeroporto Estadual Comandante Rolim Adolfo Amaro, em Jundiaí (um município no interior de São Paulo), para o Aeroporto Internacional de Salvador – Deputador Luís Eduardo Magalhães tinha dois passageiros: João Loureiro e Mansur Mohamed Ben-Barka Heredia, além dos dois pilotos e de uma responsável pelo serviço de bordo. Só no dia seguinte era suposto ser feita a ligação entre Salvador e o Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, em Cabo Verde, seguindo-se menos de uma hora depois a viagem para o Aeródromo de Tires, com chegada às 17h30.

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Além do central encarnado e de Bruno Macedo, estavam também na lista inicial de passageiros que deveria seguir no voo a partir de Salvador mais três nomes: Paulo Jorge Saturnino Cunha, Bruno Carvalho dos Santos, também ele empresário de futebol, e Hugo Cajuda, agente do treinador português Abel Ferreira.

Segundo soube o Observador, os empresários deslocaram-se ao Brasil para assistir à final da Taça dos Libertadores entre Palmeiras e Santos, no dia 30 de janeiro, tendo depois rumado a São Paulo, onde estiveram com o treinador já depois da conquista da principal competição sul-americana. De seguida, tal como Lucas Veríssimo, enfrentaram o mesmo problema: a falta de opções para regressar a Portugal. Assim, e através de um amigo em comum também ligado ao futebol, tentaram perceber se haveria vaga nesse voo para voltar, tendo mesmo viajado até Salvador conforme previsto. No entanto, e como surgiu novo adiamento, regressaram a São Paulo, onde ainda agora se encontram, estando agora envolvidos na negociação de um jogador para reforçar o Palmeiras.