Miguel Oliveira terminou a qualificação para o MotoGP longe do primeiro lugar como acontecera no ano passado mas deixou a dúvida de até onde poderia chegar numa das últimas voltas lançadas na Q2, quando rodava com os seus melhores tempos por setor antes de uma queda que inviabilizaria a possibilidade de subir mais posições na grelha de partida – e que fez de forma indireta com que uma volta canhão da Ducati de Pecco Bagnaia fosse mais tarde anulada, por estarem acionadas as bandeiras amarelas na pista. O 1.39,445 ficou como melhor registo, superando a marca de 1.39,697 com que tinha terminado a terceira sessão dos treinos livres, mas sem que se percebesse quanto poderia cair aquele 0,583 de distância para Quartararo. Na corrida surgiria a resposta.

Miguel Oliveira passou de forma direta à Q2 mas caiu no final da qualificação e vai sair do 10.º lugar

O português não ficou a 100% depois da queda, como o próprio reconheceu ainda este sábado. “Tenho alguns hematomas na perna e nos dois braços mas nada de preocupante. Caí na curva 9, perdi a dianteira da moto. Fazer um time attack com este pneu médio não era o ideal mas foi o que decidimos que era o melhor. O pneu duro para nós não funciona muito bem porque na realidade é macio do centro para a esquerda e apenas duro na extremidade direita e precisamos é de suporte, neste circuito, à esquerda. Portanto, não sendo opção para nós, tivemos de ir com um médio. Obviamente que não era o ideal terminar a qualificação assim, senti que podia ter subido algumas posições, pelo menos três ou quatro décimas conseguia ter rodado”, destacou, na antecâmara de uma prova para a qual partia com quase tantas dúvidas como certezas em relação às opções a tomar.

Miguel Oliveira admite não estar “a 100%” após queda na qualificação

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“Ainda nos falta analisar com a técnica dos pneus da nossa equipa para perceber qual será a aposta. Temos o médio ou duro traseiro mas ainda estamos indecisos sobre qual decisão tomar e esperar durante esta tarde para ver que decisão os nossos adversários poderão tomar também. Partida como em Doha [onde passou de 11.º para quarto]? Tudo é possível, essa é a ideia. Arrancar bem e recuperar logo o máximo de posições que conseguir. Acho que o meu principal objetivo é perturbar o Fabio [Quartararo] o máximo que conseguir porque ele tem um ritmo superior ao nosso mas nós somos bastante competitivos”, explicou, numa ideia que nunca foi colocada em causa em 2020, quando o português ganhou na Tech3, mas que tinha mudado seis meses depois.

Assim, eram vários os pontos de interesse para esta corrida, que teria na saída um dos momentos importantes no processo de decisões. Conseguiria Fabio Quartararo bater também a volta mais rápida em corrida, que estava na posse de Miguel Oliveira? Conseguiria Álex Rins manter a regularidade habitual da Suzuki em prova para estar na frente? Conseguiriam as Ducati sair de trás para a frente na corrida, ao inverso do que aconteceu no Qatar? Conseguiria Marc Márquez assinalar o regresso à competição onde teve o sexto melhor tempo da Q2 com um pódio? Conseguiria Miguel Oliveira recuperar o andamento do ano passado para lutar pelos lugares da frente? Muitas dúvidas com a única certeza de que seria uma corrida diferente das duas primeiras em Losail.

O arranque teve o condão de baralhar as contas na frente, com Johann Zarco a assumir a liderança, Álex Rins a colar-se na segunda posição e Joan Mir e Jack Miller a lutarem por uma terceira posição que chegou a ser de Marc Márquez, com um bom arranque que não teve depois continuidade e Fabio Quartararo a tentar voltar aos primeiros depois de uma má saída. Mais atrás, Miguel Oliveira não conseguiu repetir o início em Doha, tendo um arranque forte mas ficando depois sem trajetória nas curvas iniciais para poder entrar no top 10. Durante duas voltas, o português andou a alternar com Pecco Bagnaia na 11.ª posição mas teve depois uma descida mais a pique que, na ânsia de recuperar posições, acabou por fazer com que caísse a 19 voltas do final, a seguir à curva 13 e quando perder a frente na travagem para a curva 14 quando estava a melhorar os seus tempos.

Antes, Maverick Viñales também já estava na cauda do pelotão, Jack Miller teve uma saída em frente numa curva e acabou a corrida, Pol Espargaró parou nas boxes para não mais sair de lá. Depois, também Valentino Rossi cometeu um erro, caiu e não conseguiu recuperar. As falhas sucediam-se, bem mais do que no ano passado, mas os da frente continuavam a sua prova de forma estável: Quartararo recuperou e colocou-se na frente de Álex Rins, andando ambos na luta para ver quem ficava com o recorde da pista em corrida; Joan Mir, que andou em terceiro mas foi depois ultrapassado por Zarco, procurava colocar a segunda Suzuki no pódio.

Miguel Oliveira rodava em último, muito distante dos tempos dos primeiros, mas a surpresa final estava ainda por chegar a seis voltas do final: Rins, acabado de fazer a volta mais rápida de sempre do circuito em corrida, perdeu a frente da moto quando tentava pressionar Quartararo e caiu mesmo, Zarco subiu ao segundo lugar mas caiu também na volta seguinte. As contas que se estavam a fazer em termos de campeonato mudavam de forma substancial, com Quartararo e estar na liderança à condição tendo agora na corrida Pecco Bagnaia e Joan Mir como adversários diretos. Ao mesmo tempo, Marc Márquez mantinha-se na sétima posição neste regresso 265 dias depois, ao passo que a outra KTM da equipa de fábrica, de Brad Binder, já ia no quinto posto.

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