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Festival Sónar chega a Lisboa em abril de 2022. "Será uma janela de Lisboa sobre o mundo e do mundo sobre Portugal"

"Queremos o sabor de Lisboa", afirmou na apresentação um dos fundadores do Sónar Barcelona. Festival espera 25 mil pessoas por dia. "Espero em 2022 estar aqui a dançar", diz ministra da Cultura.

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FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

O festival de música, arte e tecnologia Sónar, que começou em Barcelona, chegará em Lisboa em 2022. A primeira edição do evento, que aposta fortemente na música eletrónica e dançante, acontecerá “a 8, 9 e 10 de abril do próximo ano”, foi esta segunda-feira anunciado em conferência de imprensa.

Será uma janela de Lisboa sobre o mundo e do mundo sobre Portugal, sobre a nossa comunidade de artistas e criativos”, referiu João Meneses, que apresentou a edição.

O festival deverá receber cerca de 25 mil pessoas por dia, durante três dias, e vai ocupar vários lugares da cidade. “De dia vamos ocupar as franjas da cidade, a nascente, da Factory — aqui no Hub Criativo do Beat — a um Sónar Village que ficará no antigo terminal de Santos, à beira rio. De noite, a programação vai ocupar salas emblemáticas de Lisboa: Coliseu dos Recreios, Pavilhão do Rio — antigo Centro de Congressos — e pavilhão Carlos Lopes. Não estando fechados todos os locais, esta será a base”.

Se durante o dia a programação estará mais assente em “exposições de arte digital” e “conversas e debates sobre sustentabilidade, também com iniciativas de ligações à comunidade local”, à noite dança-se. “Podem esperar bons momentos para dançar mas também reflexões sobre o futuro, experiências e novas abordagens e novas respostas a desafios de natureza económica, social e ambiental. O Sónar Lisboa será esse lugar de cruzamento entre artistas, designers, cientistas, tecnólogos, antropólogos e tantos outros”, vincou João Meneses.

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O público terá “muitas pessoas oriundas do estrangeiro, da Europa, dos EUA, da Ásia”, espera a organização. O cartaz será desvendado em setembro e do alinhamento deverão constar concertos, DJ sets, instalações artísticas, performances em vídeo e painéis de debate. Os temas das alterações climáticas e da persecução de um futuro sustentável estarão no âmago do festival, sendo que se discutirão também presente e futuro das economias criativas, da robótica, da tecnologia e da tecnologia associada à música”.

A equipa “responsável por trazer o Sónar para Lisboa” tem seis elementos, indicou João Meneses, um dos sócios, que agradeceu ao Governo e Câmara Municipal de Lisboa que se fizessem representar nesta apresentação do Sónar Lisboa 2022. Presente esteve também um dos fundadores da raiz catalã do festival, Enric Palau, e a curadora artística do festival, Antonia.

“Queremos dar ao festival o sabor específico de Lisboa”

Enric Palau, um dos fundadores do festival que começou ainda nos anos 1990, em Barcelona, e já se estendeu para outras cidades como Hong Kong e Istambul (entre outras), garantiu que não procurará “replicar o Sónar” catalão em Lisboa. “Temos aqui uma situação desafiadora para nós: dar ao festival o sabor específico de Lisboa. Mas acho que poderemos fazê-lo muito facilmente, olhando para os artistas portugueses que existem — alguns já tocaram algumas vezes em Barcelona”.

Notando que ao passear pelas ruas de Lisboa é possível “ouvir-se kuduro nas ruas, que é um som muito pouco habitual”, Enric Palau vincou que pretende “tornar o Sónar” português “muito especial” e garantir a ligação do evento “aos criadores da cidade, para que façamos o festival juntos e o tornemos uma celebração e um ponto de encontro da cultura da música eletrónica”.

O festival tem já uma primeira edição anunciada, ainda assim dependente da pandemia, mas Enric Palau abre a porta a que o Sónar fique em Lisboa mais anos: “Esperemos que fique aqui por muito tempo”.

O cenário ainda em construção do Hub Criativo do Beato, que acolherá programação diurna do festival Sónar Lisboa em 2022

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

Em declarações ao Observador, o fundador do Sónar Barcelona disse acreditar que Lisboa “é um sítio interessante para o Sónar estar” e que chega num “momento também ele muito interessante”. Lembrando que o Sónar “já aconteceu em muitos sítios diferentes, por volta de 25, e que em cada cidade procura-se algo diferente e um sabor local”, Enric Palau notou que “Lisboa tem tido esta mistura de culturas diferentes que se canaliza para a música que é feita e para as disciplinas artísticas”.

Entre a perspetiva de trazer o festival para Lisboa e este anúncio agora feito, passou-se perto de um ano, afirmou ainda Enric Palau, que agradeceu “o apoio do município e do ministério da Cultura” e que explicou parte do tempo decorrido com a necessidade de encontrar “os espaços certos para a programação noturna”.

Desde o início — em 1994 — que o Sónar tinha como objetivo estabelecer-se como uma plataforma internacional. Mesmo durante a pandemia foi natural para nós estarmos a falar com pessoas de muitos sítios diferentes, criar coisas, fazer coisas. A pandemia foi, para nós, um obstáculo longo e pesado mas temos estado a trabalhar da mesma forma”, referiu ainda Enric Palau.

Relativamente à importância do atual estado da música de dança feita em Portugal para a capacidade de Lisboa atrair um evento como o Sónar, Enric Palau apontou: “Em algumas cidades encontras música muito distintiva, única, mas que é difícil traduzir para um público mais vasto. O que Portugal e Lisboa podem trazer é um sabor musical específico, que resulta da mistura de influências musicais e geográficas que aqui acontecem — tanto tem ligações com ritmos africanos como com o que se está a passar em Londres, em Barcelona, em Miami ou em São Paulo”.

Um dos objetivos desta primeira edição será, revela Enric Palau, fazer “as pessoas descobrirem música nova, daqui e de muitos outros pontos do mundo”. Portanto, “o cartaz terá uma mistura de artistas nacionais e internacionais, acreditamos que teremos um bom cartaz e até com grandes artistas que nunca tocaram aqui”, vincou ainda. Mais novidades sobre a programação, só em setembro.

Ministra da Cultura: “Espero mesmo em 2022 estar aqui a dançar”

Quem também esteve presente na apresentação da expansão do festival para Lisboa foi a ministra da Cultura, Graça Fonseca, que começou por dizer ser “uma espécie de convidada na celebração”. É muito bom estar aqui, neste Hub Criativo do Beato, e voltar aqui em Lisboa numa iniciativa com a câmara, com a Startup Lisboa, com o turismo. É sempre bom para mim voltar a Lisboa”:

Só queria mesmo dar os parabéns. Primeiro, pela coragem, porque mantiveram os objetivos durante a pandemia. É preciso coragem para manter um projeto como este, um evento como este, depois destes últimos e muito difíceis meses, com alguma imprevisibilidade. Em nome do governo, estou muito feliz por terem mantido [o projeto]. Como dizia o João [Meneses] acho que é um sinal que aponta para o futuro e precisamos muito de sinais que nos apontem para o futuro”, disse ainda.

A ministra da Cultura defendeu ainda que “está tudo certo deste projeto”. De seguida, explicou porquê: “Desde logo, não tem fronteiras. É transdisciplinar, atravessa várias áreas da cultura, atravessa todas as areas artísticas. Está tudo certo por aí. Depois, não fica encerrado na cultura, mas junta-lhe ciência e tecnologia. E acima de tudo está tudo certo porque coloca o papel da cultura, da criatividade, da curiosidade como plataformas de transformação do mundo, de transformação da sociedade em que vivemos, da forma como nos relacionamos uns com os outros e com o ambiente”.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, durante a apresentação do Sónar Lisboa 2022

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

Defendendo que a “cultura e criatividade têm esse enorme potencial de transformar o mundo em que vivemos”, Graça Fonseca acrescentou: “É de facto um evento que partindo da vontade que todos temos de voltar a dançar — tenho imensas saudades confesso —, leva-nos a refletir mais longe, faz com que nos dias em que provavelmente vamos estar aqui possamos refletir sobre o mundo e sobre como a música, criatividade e tecnologia nos podem levar mais longe”.

Por último, está tudo certo também porque vemos que as políticas europeias e nacionais estão a ir num sentido correto. Como se vê pelos novos apoios, pela primeira vez um programa europeu que esteve sempre sobretudo vocacionado para a ciência e tecnologia abriu para o próximo quadro apoios para as indústrias culturais e criativas. É o caminho que temos de seguir, temos de trabalhar transdisciplinarmente e colocar a cultura, as artes e a criatividade como pilares centrais da transformação do mundo em que vivemos, em coordenação com ciência e tecnologia. Espero mesmo em 2022 estar aqui a dançar“, rematou.

Câmara quer Lisboa como “montra de todas as músicas que aqui acontecem”

Em representação da Câmara Municipal de Lisboa esteve, por sua vez, a vereadora Catarina Vaz Pinto, que apontou: “Um festival como o Sónar tem todo o cabimento no que têm sido as nossas políticas mais recentes. Queria agradecer às equipa e desejar que este festival contribua para acrescentar ainda mais atratividade que Lisboa já tem como cidade, para tornar a nossa cidade mais rica do ponto de vista cultural — para Lisboa ser essa montra de todas as músicas que aqui acontecem. Em Lisboa há um cruzamento com linguagens musicais contemporâneas, sejam de países africanos, da Europa, da América Latina ou da própria Lisboa”.

Já Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo, apontou: “Temos saudades de viver. E o turismo é isto mesmo: é viver. O turismo tem esta capacidade de juntar — o norte e o sul, o este e o oeste, o turismo e a cultura, a dança e a criatividade. Vamos passar no futuro de este regime de sobrevivência para vivência, temos de assumir esse papel de compromisso”.

A secretária de Estado do Turismo vincou ainda: “É com muito gosto que o turismo se associa a esta iniciativa. Portugal e Lisboa têm potencial enorme para atrair eventos internacionais, esperemos que este evento possa fazer história e projetar o futuro. Juntámos-nos desde a primeira hora, o Turismo de Portugal também está cá. Oxalá possamos dançar muitas vezes juntos, juntando norte e sul, digital e analógico. Sejam bem-vindos a Lisboa e usufruam da cidade“.

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