Katie Hopkins, comentadora e colunista britânica associada à extrema-direita, estava na Austrália para participar na versão australiana do Big Brother famosos. Mas a experiência não arrancou bem — ou não arrancou de todo. Hopkins foi multada pela polícia por não usar máscara e, depois de publicar um vídeo onde se gabava de desrespeitar as apertadas regras do país (um dos mais bem sucedidos no combate à pandemia) e de descrever essas mesmas medidas como “a maior farsa da História da humanidade”,  foi deportada. Já saiu do país esta segunda-feira.

A polícia de Nova Gales do Sul revelou à imprensa que foi notificada de uma “alegada violação” das regras de quarentena num hotel, pelas 20h45, na sexta-feira. “Após uma investigação, uma mulher de 46 anos foi multada em 1.000 dólares por não usar máscara”, informou. Já no sábado, Hopkins gravou um direto polémico no Instagram (que foi entretanto apagado), num hotel em Sydney. No vídeo, descrevia os confinamentos para travar a Covid-19 como “a maior farsa da história da humanidade” e gabava-se de furar as regras de quarentena. Disse, citada pelo The Guardian, que estava a tentar “assustar” os seguranças ao abrir a porta nua e sem máscara.

O governo australiano, que tem fechado bairros e cidades devido a poucas dezenas de casos confirmados, decidiu agir rapidamente. Com as duas maiores cidades, Sydney e Melbourne, em confinamento, e milhares de australianos impedidos de regressar ao país devido às restrições,  decidiu cancelar o visto da colunista e deportá-la. Já antes, a Endemol Shine Australia, produtora do Big Brother, tinha cancelado o contrato de Hopkins. Segundo a BBC, no domingo, Hopkins disse que estaria a “gozar” com as afirmações sobre a quarentena.

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O The Guardian explica que as leis de imigração no país incluem poderes para recusar a entrada de pessoas que o governo considere de mau caráter. Foi com esse argumento que impediu, por exemplo, a entrada de David Icke, um conhecido criador de teorias da conspiração britânico, e da denunciante Chelsea Manning, que foi condenada por revelar documentos confidenciais à Wikileaks. Questionada sobre se Katie Hopkins teve direito ao visto por ter bom caráter, Karen Andrews, ministra da administração interna, respondeu: “Claramente não é alguém que queiramos manter no país mais um segundo do que o necessário“.

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Um dos motivos da polémica é que, devido à pandemia, a Austrália tem imposto limites ao número de pessoas que podem fazer quarentena em hotéis, embora mais de 30.000 australianos estejam presos no estrangeiro à espera de poderem regressar ao seu país. Porque pôde, então, Hopkins entrar? Karen Andrews diz que a decisão foi tomada pelo governo federal de Nova Gales do Sul com o argumento de que representaria “um benefício potencial para a economia“.

Karen Andrews criticou o comportamento “vergonhoso” da colunista, que é o equivalente, diz, a dar uma “bofetada na cara de todos os australianos que estão atualmente em confinamento”.

Segundo o The Guardian, as polémicas com a colunista estão longe de ser novas. Hopkins já comparou os migrantes a “baratas” e defendeu que a conhecida fotografia de um menino sírio morto numa praia na Turquia, durante uma travessia no mar Egeu, foi “encenada”.

No ano passado, o Twitter bloqueou a conta de Hopkins por violar a política da rede social de combate ao discurso de ódio, à semelhança do que aconteceu com Donald Trump, que várias vezes republicou tweets da colunista. Aliás, Katie Hopkins participou no reality “The Apprentice” (“O Aprendiz”, na versão portuguesa), protagonizado pelo ex-presidente dos EUA.