Ao contrário do que acontece noutras modalidades, como é o caso da natação, do remo ou da canoagem, Patrícia Mamona teve tempo para dormir, descansar e tomar um banho antes da cerimónia das medalhas. Depois de conquistar a medalha de prata e bater o recorde nacional (três vezes) na final do triplo salto, a atleta portuguesa voltou ao Estádio Olímpico de Tóquio, subiu ao segundo degrau mais alto do pódio e teve o grande momento da carreira. Instantes depois, explicou que, afinal, só conseguiu descansar cerca de duas horas.

“Fechei os olhos durante duas horas mas foi só porque os olhos estavam pesados, o meu coração continuava a bater muito forte e quando acordei mesmo já estava toda acordada. Agora já está a assentar, é mesmo realidade, tenho a medalha aqui ao meu lado. E é pesada! É um sentimento de que valeu a pena, todo o esforço, toda a dedicação. E é a sensação de que ainda dá para mais. Acho que ainda dá para mais e estou já a pensar no futuro”, disse Patrícia, que aos 32 anos parece estar já a apontar baterias ao Jogos de 2024 em Paris, em declarações à RTP.

A Covid-19, o ouro nos Europeus em risco e a barreira dos 15 metros: o ano que fez da maior Patrícia uma gigante na história nacional

Sobre o facto de se ter tornado vice-campeã olímpica depois de um ano particularmente difícil, em que sofreu bastante quando esteve infetada com Covid-19 e só conseguiu apurar-se para os Jogos na última oportunidade, a atleta confirmou que está “a ter cada vez mais noção do feito”. “Mas aqui a mensagem importante é inspirar as próximas gerações, porque eles é que são o futuro. O desporto é isto, é trabalhar, é vir a estes grandes palcos e mostrar que somos capazes”, atirou a triplista do Sporting, que depois confessou que ainda não viu todos os saltos que realizou na final que lhe garantiu a medalha olímpica.

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“Só vi o salto dos 15,01 [metros]. Fazer parte do grupo dos 15 metros, o chamado grupo de elite dos 15 metros… Fiquei muito contente. Vou desfrutar deste momento e depois tentar, com mais calma, ver os outros saltos. Acho que a competição foi boa, vi os resultados e em três saltos bati o recorde nacional. Isso mostra consistência e, quando se mostra consistência, significa que há a possibilidade de saltar ainda mais”, atirou Patrícia Mamona, que ficou no segundo lugar da final do triplo salto atrás da venezuelana Yulimar Rojas e à frente da espanhola Ana Peleteiro.

O salto de prata para a felicidade. As imagens da festa de Patrícia Mamona

Por fim, a atleta portuguesa garantiu que não vai correr o risco de deixar a medalha no Japão. “Neste momento, vai ficar comigo. Às vezes, com as emoções todas, as pessoas esquecem-se das medalhas nos aviões, nas camionetas… Vai ficar comigo ao peito e depois vou encontrar um sítio especial para a pôr lá em casa, junto à medalha do Campeonato da Europa”, terminou Patrícia, recordando o ouro que ganhou no passado mês de março, em Torun.