Neemias Queta cumpriu o sonho de ser o primeiro português a ser escolhido no draft por uma equipa da NBA, neste caso os Sacramento Kings. Esta quinta-feira, o atleta esteve à conversa via internet com jornalistas portugueses, respondendo a algumas questões, não só sobre a sua experiência na Summer League (espécie de pré-época para se mostrar), como também o impacto que pode ter no basquetebol português.

Ir para os EUA ainda muito novo, no entanto, foi uma “decisão que custou muito a tomar” e que Neemias demorou “imenso tempo” a tomar. “Também por motivos de conforto… no Benfica melhorei bastante e podia ficar, mas decidir que o melhor para mim era vir para os EUA”, disse.

O que ficou claro na conversa com Neemias é que o português está focadíssimo só e apenas no basquetebol, no que pode melhorar e no seu futuro. Admitindo que “tem sido bastante bom” ver as reações no Twitter, mas tenta “não olhar muito para aí”, de maneira a manter-se concentrado. “A partir do momento em que entro em campo é para ajudar a equipa e jogar basket. É o que eu sei fazer melhor. É manter a calma, jogar e ir em frente”, frisou o jovem de 22 anos que tem 2,13 metros e joga, sem muita surpresa, na posição de poste.

Era um sonho, tornou-se um objetivo, já é história: Neemias Queta é o primeiro português na NBA

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Depois da Summer League, um dos objetivos, visto ser complicado chegar à equipa dos Sacramento Kings, é “ter minutos na G League”, que é também uma espécie de liga de desenvolvimento. Comparando grosseiramente, seria como uma campeonato de futebol com as equipas “B” de Benfica, Sporting, FC Porto, Sp. Braga, etc… Segundo Neemias, “ter minutos na G League vai ajudar” a adaptar-se, algo que julga ir fazer “bem”.

Saído da NCAA (campeonato universitário), onde jogou na universidade de Utah State, diz que a principal diferença do basket praticado na NBA é “sem dúvida a rapidez do jogo”. “No ‘college’ há mais jogadas durante o jogo e neste nível tenho de pensar e tomar decisões muito mais rápido e acho que essa adaptação vai demorar algum tempo. Mas quando ‘clicar’ vou estar ao meu nível”, referiu, acrescentando que, até agora, os responsáveis dos Sacramento Kings lhe pediram para “continuar a trabalhar, ser uma âncora defensiva na área pintada, ser vocal e dizer aos colegas onde têm de estar, ressaltar, proteger o cesto e manter a bola alta, sem a baixar ao nível da cintura“. Posto isto, Neemias Queta diz com confiança: “Acho que estou a adaptar-me bem.”

“Agora ninguém te trava!” Neemias Queta, “o gigante” do Vale da Amoreira que levou o bairro para a NBA

Para a posição em que o português joga a equipa da Califórnia adquiriu Tristan Thompson, que foi campeão em 2016, com LeBron James, nos Cleveland Cavaliers. Para Neemias, que diz ver tudo “da melhor maneira possível”, ter “jogadores deste calibre so pode ajudar”. “Mesmo que eu não jogue posso ver as pequenas coisas que ele faz e o ajudaram a ficar na NBA até agora. Ao aprender com ele, só vou melhor. E também fora de campo… aprender com este tipo de veteranos”, explicou.

“Estou muito feliz pela maneira como me têm recebido em Sacramento. O apoio do pessoal de Portugal tem sido imenso. nem consigo descrever sentir tanto apoio. Mas sou só um, não consigo responder. Estou ansioso pelo futuro e pelo que posso vir a fazer”, garantiu o basquetebolista que tem ainda esperança que a sua entrada na NBA dê “outra visibilidade” à maior liga de basquetebol do mundo em Portugal.

Afirmando que já falou com Luke Walton, treinador dos Sacramento Kings, e com outros “veteranos” da equipa que já o encorajaram e deram “boas indicações”, Neemias explicou o que podia trazer ao jogo: “Posso trazer à NBA um estilo diferente. Um poste estilo europeu com capacidade de ressalto e desarme de lançamento, trazendo ainda novos fãs”, frisou.

Questionado pelo Observador sobre as circunstâncias que hoje em dia a liga tem, muito tiro exterior mas ao mesmo tempo jogadores grandes como MVP (Giannis ou Jokic, por exemplo), e se iria definir-se como um poste clássico ou alguém que abriria mais o seu jogo, Neemias foi direto: “Ainda não tenho capacidade para o tiro exterior, é mais uma ideia de futuro. De momento não me vejo a ir para a linha de três lançar. Mas é para isso que estamos cá a trabalhar. Para trabalharmos coisas a que não estamos habituados e chegar lá um dia. Tenho trabalhado e quero lançar efetivamente do perímetro”.

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