A temporada de 2021/21 foi uma das melhores de sempre do Sporting, não só pela quebra do jejum de vitórias no Campeonato de futebol mas também pelos vários títulos nacionais e europeus nas modalidades, mas nem por isso o exercício da SAD conseguiu dar continuidade a esses sucessos em campo: naquele que foi o pior exercício desde 2012/13, quando os leões tiveram a pior época de sempre no futebol com o sétimo lugar e consequente ausência das provas europeias, o exercício fechou com prejuízos de 32,9 milhões.

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“É resultado direto de um contexto mundial de crise, com consequências na quebra das receitas de transação de jogadores e das receitas operacionais pela ausência de público nos estádios. Colocam-se-nos enormes desafios pela frente, mas é de enaltecer a importância do trabalho de construção de bases conseguido até aqui pois, caso contrário, não nos teria sido permitido atravessar este período”, justificou o presidente do clube e da SAD, Frederico Varandas, enaltecendo a importância do título alcançado.

“Na longa história de 115 anos do Sporting Clube de Portugal, a época 2020/2021 marcou, e marcará para sempre, um lugar muito especial nas nossas memórias. Porque assinala muito mais que a conquista de um novo título de campeão nacional de futebol, o vigésimo terceiro. Porque assinala muito mais que os recordes que nela foram superados. Porque assinala muito mais que o fim de 19 anos de uma travessia sem a conquista do principal título no futebol nacional. A época 2020/2021 constitui a primeira edificação de um Novo Sporting. Novo Sporting a que demos início em Setembro de 2018 e que, dia a dia, jogo a jogo, ano após ano, hoje destaco, e se destaca, em três vetores: sustentabilidade, competitividade e honestidade”, destacou na apresentação do exercício publicado na CMVM às 23h53 desta terça-feira.

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Em termos globais, com um resultado negativo que se aproxima apenas dos 31,9 milhões negativos de 2015/16 olhando para os últimos oito anos, o passivo aumentou também cerca de 12 milhões de euros num ano para um total de 310 milhões, ao passo que os capitais próprios, que continuam em terreno negativo, ascenderam para os 41 milhões negativos, mais oito milhões do que no terceiro trimestre.

Entre os argumentos apresentados, a Sporting SAD fala na contratação a nível mundial do mercado de transferências, “com uma quebra de valor nas transações de 2.828 milhões de euros (menos 43%) nas cinco principais ligas versus o último mercado de verão antes da pandemia”. “A Sporting SAD registou uma quebra de receitas em transações de jogadores em 71 milhões de euros (67%), embora seja ainda de destacar as transações de Acuña por 11,25 milhões de euros e Wendel por 20,3 milhões de euros acrescido de variáveis”, ressalvam os leões, que falam ainda da quebra nas receitas operacionais excluindo transações de jogadores em 20 milhões de euros, “resultantes do fecho dos recintos desportivos, com consequências diretas nas ausência de receita de bilhética e quebras no merchadinsing na época”.

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Ainda sobre as contas, numa perspetiva positiva, a SAD anunciou ainda que houve uma redução de gastos operacionais de 18,5 milhões de euros em três temporadas (17%), incluindo 11,9 milhões em gastos com o pessoal, o que representou “um pilar fundamental para a sustentabilidade” e uma redução do deficit operacional estrutural (sem transações de jogadores) em 19,9 milhões de euros entre junho de 2018 e 2021, tendo sido crítico o processo de reestruturação no plantel principal iniciado em janeiro de 2019″.

Em paralelo, e olhando para a convocatória para a Assembleia Geral da sociedade a 6 de outubro, a SAD verde e branca pretende ainda fazer um ou mais empréstimos obrigacionistas até ao valor máximo de 50 milhões de euros, “a realizar mediante ofertas públicas de subscrição de obrigações ordinárias, com uma maturidade não superior a 4 anos e com o valor nominal unitário de € 5 (cinco euros), emissões essas a terem lugar até ao dia 30 de Setembro de 2022″, está escrito no comunicado enviado à CMVM, onde adianta que as emissões terão lugar até 30 de setembro do próximo ano”, como explicou.

De recordar que, a esse nível, a sociedade terá um outro empréstimo obrigacionista para reembolsar até ao final do ano (novembro), no montante global de 26 milhões de euros.