Obrigado por ser nosso assinante. Beneficie de uma navegação sem publicidade intrusiva.

O fim de semana que passou não foi positivo para o piloto português Miguel Oliveira (KTM), que ficou em 20.º na última corrida do Mundial de MotoGP, disputada em São Marino. Foi o pior resultado de sempre do jovem de Almada na categoria rainha do motociclismo entre as que terminou e acabou por ser o culminar de algumas provas consecutivas em que as coisas não correram tão bem, até por uma lesão no pulso sofrida numa queda nos treinos livres do Grande Prémio da Estíria, no início de agosto.

Sobre a última prova, no traçado que tem o nome do malogrado Marco Simoncelli, Miguel Oliveira admitiu que a 14.ª corrida do Mundial foi “bastante desapontante”, até porque o português estava “otimista” em relação a uma possível chegada “ao top 10, somando bons pontos”. Contudo, um toque do espanhol Iker Lecuona (Tech3 KTM Factory Racing) tornou as coisas muito mais complicadas. “O corpo dele [Lecuona] ficou preso na minha mota e arrancou a asa lateral. Daí em diante foi tentar chegar ao fim porque a mota ficou muito instável”, disse o português, relembrando que “em 2019 já tinha feito uma corrida sem asa e foi mais ou menos o mesmo”.

No entanto, para o piloto que deu o “toque” em Miguel Oliveira, Iker Lecuona, que corre pela equipa secundária da KTM, onde o português se iniciou no MotoGP, existe algo mais para além da sorte ou azar. “Temos uma mota que à mínima alteração das condições, seja temperatura, piso… fica completamente diferente. Assim é difícil trabalhar, a mota é irregular. Notem: o Miguel Oliveira ganhava corridas e agora fica a 40 segundos do primeiro classificado. É uma mota que não conseguimos entender”, disse sem medos e sem problemas o espanhol que já sabe que, em 2022, não vai continuar na equipa.

O piloto nacional admitiu sentir que a sorte não está do seu lado e da sua equipa, e que “pequenos detalhes técnicos” estavam a incomodar a performance. “Ainda não encontrei um setup que me permita estar ao meu melhor. Quando o encontrar, vou ser muito competitivo”, prometeu, acrescentando que ficou em pista para “reunir informação” sobre o circuito, visto que o MotoGP regressa a São Marino daqui a sensivelmente um mês para o Grande Prémio Riviera de Rimini após passagem pelas Américas.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Por estes dias os pilotos estão em fase de testes nesta mesma pista e Miguel Oliveira disse que a equipa ia testar “peças e software”. Alguma coisa terá corrido bem porque, esta quarta-feira, revelou ter “reencontrado” a mota, terminando com o 15.º tempo mais rápido do dia. “Os testes foram bons porque fomos mais competitivos no tempo por volta. Conseguimos fazer muito trabalho. Ontem [terça-feira] tentámos perceber a afinação que melhor se adapta a mim para ser rápido. Hoje [quarta-feira] testámos algumas peças de aerodinâmica. Espero traduzir isto num bom pacote para o resto da época”, disse à sua assessoria de imprensa.

Foi ainda admitido que a equipa encontrou “algo na eletrónica que estava realmente mal”, mas que tudo foi identificado e corrigido para que exista uma “boa solução para as próximas corridas”. “É para isto que servem os testes. Se não encontrássemos [o que estava mal] seríamos amadores”, rematou. Apesar de “não revelar os detalhes” técnicos que foram resolvidos para a moto estar no seu melhor para o circuito de Austin, no Texas, EUA, onde o campeonato já não passa há duas temporadas. Por isso, o português está cauteloso: “As minhas referências não são as melhores. Vamos ver. Será um fim de semana de descoberta”, assumiu.