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Carles Puigdemont, ex-presidente da Generalitat detido na quinta-feira em Itália, vai ficar em liberdade, determinou a justiça italiana. Mas não pode sair da Sardenha, até porque vai ser ouvido em tribunal no próximo sábado em Sassari, nas proximidades do aeroporto onde foi capturado pelas autoridades italianas.

Barcelona, capital da Catalunha, acordou esta sexta-feira em protesto contra a detenção em Itália de Puigdemont, acusado de sedição e desvio de fundos públicos. Dezenas de pessoas juntaram-se esta manhã na Avenida Diagonal e cortaram o trânsito naquela estrada após terem sido impedidas de se concentrarem em frente ao consulado de Itália, conta o El País.

Também em Itália, há pequenas manifestações instaladas junto ao tribunal de Sassari, onde Carles Puigdemont será presente a um juiz. De acordo com o ABC, os manifestantes são independentistas sardos do Òmnium Cultural, uma entidade protetora da cultura catalã.

Carles Puigdemont foi detido na noite da última quinta-feira na Sardenha ao abrigo de um mandado internacional de captura emitido pelo Supremo Tribunal de Espanha. Após ter passado a noite na prisão do aeroporto de Alghero, onde iria participar num evento, o líder separatista catalão aguarda agora por ser presente a um juiz — algo que deve acontecer nas próximas horas.

Ex-presidente do governo da Catalunha Carles Puigdemont detido em Itália

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Entretanto, e em reação à detenção de Puigdemont, o atual presidente da Generalitat convocou uma reunião de emergência para esta sexta-feira e deve dirigir-se ao país nas primeiras horas da tarde. Questionada sobre o caso, a ministra da Defesa, Margarita Robles, sublinhou que “serão as justiças italiana, espanhola e europeia a atuar”: “A posição do Governo é do máximo respeito pelas resoluções judiciais”.

Quim Torra, também ele ex-presidente da Generalitat, admitiu em entrevista à TV3 que “sempre houve a possibilidade de prendê-lo”, mas que “da forma como as coisas estavam nos tribunais europeus não parecia que isso pudesse acontecer”: “Esta é a jogada clássica espanhola de dizer uma coisa em alguns lugares e outra em outros”. Depois de ter falado com o advogado de Puigdemont, Quim Torra diz esperar pela libertação “nos próximos dias”, mas também coloca a hipótese de haver extradição para Espanha.

Gonzalo Boye, o advogado, aposta na libertação do cliente em breve porque, segundo ele, a detenção ordenada pelo juiz Pablo Llarena “não é executável”: a ordem de detenção europeia foi “suspensa por imperativo legal, argumenta. Boye insiste que, de acordo com o Estatuto do Tribunal de Justiça da União Europeia, a ordem não pode ser executada e que tinham sido levantadas todas as medidas cautelares.

Mas fontes policiais disseram ao El Confidencial que Puigdemont foi detido à saída do avião da Ryanair que completou o voo FR6732 porque as autoridades italianas foram notificadas, através do Sistema de Informação de Schengen (SIS) de uma ordem de detenção contra o catalão. A validade dessa detenção será verificada pelo tribunal da apelação em Sassari, a cidade vizinha do aeroporto.

Entretanto, o Governo italiano já reagiu à detenção. Vincenzo Amendola, secretário de Estado com a pasta dos Assuntos Europeus, disse que este é  “um caso que vem de longe, com a retirada da imunidade pelo Parlamento, e com um acórdão do Tribunal do Luxemburgo de 30 de julho que a suspendeu juntamente com outros atos consequentes”. “Esperemos por ouvir as motivações do tribunal local”, pediu o membro do Executivo italiano, assegurando que “não é uma questão política ou bilateral”.