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Miguel Oliveira realizou as duas primeiras temporadas de estreia no Moto GP com a Tech3, a equipa satélite da KTM que apostou no piloto português e que era uma autêntica família para o jovem natural de Almada. Depois de um 17.º lugar em 2019 e um impressionante 9.º em 2020, Oliveira mereceu a aposta da casa-mãe e subiu à KTM em 2021, tendo como principal objetivo repetir o top 10 na classificação final e ir atrás de algumas vitórias. Ainda assim, nem tudo correu como equipa e piloto haviam programado.

Miguel Oliveira começou o ano com quatro corridas seguidas fora do top 10, conquistando pontos no Qatar, em Doha e em Jerez de la Frontera mas desiludindo no Circuito Internacional de Portimão, onde não foi além de um 16.º lugar escassos meses depois de ter vencido no Algarve. Depois de cair e abandonar no Grande Prémio de França, o piloto português iniciou o melhor período no Mundial e foi segundo tanto em Itália como na Alemanha, alcançando a primeira vitória do ano pelo meio ao ganhar na Catalunha. Seguiu-se uma quinta posição nos Países Baixos — e ninguém poderia adivinhar de que seria a última vez que Miguel Oliveira ficaria nos 10 primeiros de uma corrida até ao final do Campeonato do Mundo.

Em agosto, somou duas desistências consecutivas, caindo no GP da Estíria e no GP da Áustria, e foi 16.º na Grã-Bretanha. Em setembro, foi 14.º em Aragão e 20.º em San Marino (a pior classificação das provas que terminou). Depois da 11.ª posição no GP das Américas, onde parecia estar a encetar uma reta final de recuperação para ainda terminar no top 10 da classificação geral, Miguel Oliveira caiu tanto na Emilia-Romagna como no regresso ao Algarve — sendo que, no segundo caso, abandonou quando tinha acabado de entrar no pódio — e só teve tempo e espaço para algum damage control este domingo, em Valencia, terminando em 14.º lugar depois de uma boa recuperação no arranque.

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Contas feitas e Miguel Oliveira terminou o Campeonato do Mundo na 14.ª posição, com 94 pontos, falhando o top 10 final que é sempre o principal objetivo do piloto — o 10.º, Maverick Viñales, amealhou 106 pontos. O português da KTM melhorou a classificação do ano de estreia no Moto GP mas não conseguiu chegar perto do registo do ano passado, que foi manifestamente positivo, alcançando também apenas uma vitória quando em 2020 subiu ao lugar mais alto do pódio em duas ocasiões.

No dia do adeus de Rossi, Miguel Oliveira ficou no 14.º lugar do GP de Valencia e falhou top 10 do Mundial de Moto GP

Para isso, para além dos fatores externos como melhorias dos rivais ou problemas mecânicos nas qualificações ou nas corridas, muito contribuiu um pormaior que Oliveira nunca tinha sofrido: o piloto português caiu cinco vezes neste Mundial, sendo que no ano passado só tinha abandonado em três ocasiões e em 2019 só não terminou um Grande Prémio, na Grã-Bretanha. Miguel Oliveira passou de ser um piloto que nunca caía para ser um piloto que cai com alguma frequência e isso, num ano em que a sorte também não esteve do lado do português, revelou-se decisivo.

[Recorde aqui a entrevista de Miguel Oliveira à Rádio Observador:]

Miguel Oliveira: “Assumido, quero ficar no top 10”