Rui Rio entende que o diretor da Polícia Judiciária esteve especialmente ativo nas horas que se seguiram à detenção de João Rendeiro porque o país está quase a ir a votos e não resistiu em criar um “foguetório” para “beneficiar indiretamente o PS”.
Em entrevista à RTP, o líder social-democrata foi confrontado com o conteúdo do controverso tweet que escreveu a propósito do tema e recusou ter sugerido que as autoridades portuguesas estavam a mando dos socialistas. Ainda assim, não deixou de apontar diretamente o dedo a Luís Neves.
Segundo Rui Rio, o diretor da Polícia Judiciária, “um cargo de nomeação do Governo”, aproveitou “o facto de a polícia sul-africana ter detido João Rendeiro para ir fazer um foguetório e beneficiar indiretamente o PS”.
“Se não houvesse eleições à porta, o diretor da PJ tinha um comportamento normal, dava uma conferência de imprensa, quando muito uma entrevista. Quando João Rendeiro fugiu, andou de canal em canal a dar entrevistas?”, atirou Rui Rio.
O líder social-democrata recusou ainda retirar qualquer leitura sobre as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, que censurou o tweet de Rui Rio sobre o caso, tendo sugerido que o presidente do PSD não tinha “noção” de como se processa uma operação desta natureza.
“Se eu tivesse dito o que a ele lhe disseram que eu disse, eu estaria de acordo. O Presidente da República o que disse estava certo, agora de certeza que não leu o meu ‘tweet’”, afirmou Rio, responsabilizado a comunicação social pela forma como foi feita a pergunta a Marcelo Rebelo de Sousa.
Ainda assim, o líder social-democrata assumiu que, se fosse hoje, talvez tivesse usado uma linguagem “mais direta” e clara para impedir aquilo que considera ter sido uma interpretação abusiva das suas palavras.
“O PS deve estar disponível para negociar”
Mais à frente, na mesma entrevista, Rui Rio explicou que não vai passar cheques em branco ao PS caso fique em segundo nas legislativas e que também não espera o contrário caso o cenário seja o inverso. Ainda assim, o social-democrata insiste na necessidade de existe espaço para dialogar e vontade de negociar entre os dois partidos mais votados.
“Vamos ter eleições democráticas. Um vai ganhar, os outros vão perder. Não havendo maioria, que é muito difícil haver, os que perdem devem ter disponibilidade para a governabilidade do país. Não quero com isso dizer que o PS me deve apoiar. Digo que deve estar disponível para negociar”, afirmou o líder do PSD.
Ao contrário da ideia que se instalou, o líder social-democrata veio ainda garantir que não defende uma solução apenas para dois anos mas de longo prazo, para quatro.
“Não propus um acordo por dois anos. O que eu disse é que é preciso ver se os partidos conseguem negociar os quatro anos, mas se isso não for possível, que se faça pelo menos por dois e se avalie a meio.”
Quanto a Francisco Rodrigues dos Santos, que acusou o líder social-democrata de ter dado uma “pirueta” e ter recusado uma coligação pré-eleitoral com o CDS quando tudo apontava para que o fizesse, Rio assumiu que a posição não era maioritária na direção do PSD e que teve de respeitar a opinião do seu núcleo duro alargado. ”
“Não sou nenhum ditador. Eu próprio tinha dúvidas. Coloquei essa questão à Comissão Política, a maioria foi contra. Depois coloquei outra vez a questão e a grande maioria voltou a dizer que era mais vantajoso ir sozinho. Porque colocando o PSD no centro nos dá vantagem, até para conseguir captar o voto das pessoas mais moderadas”, explicou,
“Se fosse pelo atual presidente do CDS, eu seria favorável, tenho simpatia por ele, espero que tenha um bom resultado”, rematou Rio.