O Mediterrâneo tornou-se um dos mares com maior concentração de microplásticos do planeta, tendo um sério impacto no seu ecossistema e uma ameaça à sobrevivência de 134 espécies, alerta um relatório divulgado esta terça-feira pela WWF.

“Existem indicadores de que praticamente todo o ecossistema do Mediterrâneo está afetado pela poluição plástica e isso, a longo prazo, pode gerar efeitos adversos para a economia das comunidades que dependem da pesca e para a saúde humana”, disse Eirik Lindebjerg, da Organização Não Governamental (ONG) WWF (World Wide Fund for Nature).

De acordo com o relatório, elaborado pelo Instituto alemão Alfred Wegener, o Mediterrâneo ultrapassou o limite de concentração de microplásticos a partir dos quais é provável que ocorram “riscos ecológicos significativos”.

Lindebjerg afirmou que mais de 100 espécies no Mediterrâneo são vítimas da poluição plástica e entre as mais afetadas estão as tartarugas marinhas ou aves marinhas, que sofrem alterações no seu sistema digestivo devido à ingestão desses materiais, às vezes letais.

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Quanto ao possível efeito sobre a indústria pesqueira, o especialista destacou que, embora atualmente não haja evidências conclusivas de que comer peixe do Mediterrâneo seja prejudicial à saúde, a destruição dos ecossistemas representa um risco económico considerável para as comunidades que dependem da pesca.

Os efeitos a longo prazo da poluição plástica ainda são desconhecidos, mas como já foi comprovado, o ecossistema marinho sofre como um todo, o que nos leva a pensar que espécies comercialmente importantes para os humanos sofrerão as consequências”, disse Lindebjerg.

Segundo dados da ONG, Espanha é um dos cinco países que mais polui o Mediterrâneo com plásticos, com números semelhantes aos de França e atrás apenas do Egito, Turquia e Itália.

Outros ecossistemas marinhos como os recifes de coral, que fornecem elementos vitais para as populações humanas bem como para as espécies marinhas, estão seriamente ameaçados.

Diferentes métodos têm sido utilizados para realizar o estudo dos níveis de poluição nos mares como a monitorização por satélite, análise de amostras de água do mar ou estudo de colónias de aves marinhas.