A Iniciativa Liberal elegeu Nuno Santos Fernandes como presidente da Mesa do Conselho Nacional. A equipa é composta por quatro membros, um deles de uma das listas não afetas à corrente da liderança, e foi eleita com 48 votos a favor e 26 abstenções — um número que mostra que a Comissão Executiva está a usar o direito de voto na reunião, uma discussão que marcou a campanha eleitoral interna.

Pedro Ferreira, Joana Sousa e Sílvia Abreu são os restantes membros da mesa do órgão máximo entre convenções, sendo que Joana Sousa fazia parte da lista da oposição interna encabeçada por Cristiano Santos e na qual estava também Rafael Corte Real, um dos elementos da anterior direção e uma das vozes mais críticas da corrente da liderança.

Além de Joana Sousa, que aceitou o convite para integrar a mesa, foram feitas mais aproximações a membros das outras listas da oposição e vários recusaram. Nuno Santos Fernandes garantiu em comunicado que convidou membros eleitos por 4 das 5 listas para integrar a mesa do CN e o Observador sabe que de fora dos convites ficaram os eleitos na lista de Nuno Simões de Melo, um dos liberais mais criticados durante a Convenção da IL.

Perante a lista apresentada, o arranque dos trabalhos contou com uma sugestão de interrupção para que se chegasse a uma lista mais consensual, tendo em conta que vários conselheiros da oposição não se reveem na equipa apresentada por Nuno Santos Fernandes. Nuno Melo Simões, que encabeçou uma das listas ao Conselho Nacional, fez a proposta, que acabou por ser chumbada pela maioria dos conselheiros.

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A tentativa de união levada a cabo pela liderança (já na anterior mesa havia membros de outras listas) não agradou aos críticos na forma como foi feita, pois consideram que os conselheiros foram abordados com “convites avulso” e sem haver um “envolvimento das plataformas políticas que os elegeram”.

Em comunicado, Nuno Santos Fernandes deixa claro que hoje se inicia “um novo ciclo”. “As listas ao Conselho Nacional acabaram na Convenção. A partir de hoje, num total respeito pelos estatutos do partido e pelos membros do partido, que assim decidiram em Convenção, todos são membros do Conselho Nacional da IL com o propósito de garantir que a Moção Estratégica votada em Convenção é cumprida”, realçou, assegurando que a mesa tudo fará para ser uma “âncora de estabilidade e confiança”.

Tal como o Observador tinha avançado, Mariana Leitão, que tinha sido cabeça de lista da equipa vencedora, não avançou com uma candidatura à liderança por ir para a Assembleia da República como chefe de gabinete, e foi o segundo nome da lista, Nuno Santos Fernandes, que já tinha sido presidente do Conselho Nacional, a avançar.

A discussão sobre a votação da Comissão Executiva no Conselho Nacional marcou a campanha eleitoral interna e dividiu os dois principais adversários. Carla Castro assegurou que, caso vencesse, a sua equipa não usaria o direito de voto na reunião mais relevante entre convenções; Rui Rocha nunca o prometeu, apesar de ter dito que concordava com o excesso de inerências (“Há uma excessiva prevalência da Comissão Executiva em diversas matérias ou em todas no Conselho Nacional”).

O tabu sobre se a direção ia ou não continuar a usar o direito de voto no Conselho Nacional manteve-se até ao arranque da reunião, mas acabou por se refletir nas votações. Uma eventual mudança terá mesmo de acontecer nos estatutos, tal como Rui Rocha sempre disse, e até lá a direção não vai abdicar do uso do joker.

Mariana Leitão não é candidata a presidente do Conselho Nacional da IL e ruma à Assembleia da República