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Vão aquecendo em pistas paralelas as autárquicas do próximo ano e as presidenciais de 2026. António José Seguro é um novo termo na equação, está a ponderar, sendo que à esquerda e à direita ainda há algumas incógnitas. Certo é que a lista de nomes começa a aumentar. Temos jogada da semana na segunda parte do Fora do Baralho, já perceberam. Nesta primeira parte, os nossos ases, hoje contamos com três: a Susana Peralta, o Jorge Fernandes e o Luís Aguiar Conraria, lançam uma ou outra carta para cima da mesa sobre temas e protagonistas da atualidade que merecem críticas, cartas de paus e de espadas, ou elogios mais ou menos irónicos, recorrem para isso a cartas de ouros e de copas. E é precisamente por este naipe, copas, que vamos começar, Luís. O ministro da Educação garante que conseguiu cumprir a meta de chegar ao final do primeiro período com uma redução de 90% do número de alunos sem aulas a uma disciplina, comparando com o ano letivo passado, e para isso contribuiu o pagamento de horas extraordinárias e a entrada de 5 mil novos docentes. É esta a tua carta, sendo que entretanto o PS já veio acusar o ministério de falta de seriedade.

O PS, a Fenprof, o Bloco de Esquerda e por aí fora.

E o PCP.

E o PCP. Estava no e por aí fora. Se calhar vale a pena começar por aí, por essa guerra de números. Evidentemente, que eu não tenho aqui os números do ministério e, portanto, não consigo ir agora verificar quem tem razão. E portanto, é evidente que aquilo que eu vou dizer agora é sempre condicional ao que se venha a apurar, imagino que nos próximos dias ou nas próximas semanas, se faça o apuramento final da contagem dos alunos. Agora, aquilo para que eu queria chamar a atenção é que a meta de reduzir em 90% os 20.887 alunos, está escrita desde o dia 8 de setembro. Portanto, podem procurar. No dia 8 de setembro deste ano, o ministro da Educação publicou um artigo no Público, que se chamava "A Educação, a Grande Esperança das Famílias do País", onde diz, e cito, referindo-se ao ano letivo 23/24: "No final do primeiro período, 20.887 alunos não tinham tido aulas a uma disciplina desde o início do ano letivo. E o governo fixou como objetivo reduzir este número em 90%", ou seja, passar para cerca de dois mil e pouco. Portanto, neste momento reduziu 89% comparado com este número.

O ministro garante que se baseia em dados oficiais da Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares.

Pois, isso é o que se vai agora verificar, quem é que tem os números certos ou errados. Agora, o que eu queria aqui chamar a atenção era isto, é que penso que se a oposição tiver razão neste momento, acho que falharam então no início de setembro, porque quando foi este número que foi escrito, e aqui isto é escrito, volto a dizer, em 8 de setembro, é explícito que o ministro considera que até o fim do primeiro período havia 20.887 alunos que não tinham tido aulas a uma disciplina desde o início do ano letivo. Pronto. Agora, nós ouvimos há pouco o antigo ministro da Educação a dizer que esse número, afinal, eram só 2 mil e não 20 mil, ou coisa assim.

Ou seja, acaba por ser mais ou menos o mesmo número que no ano passado.

Exato. Mas isso quer dizer que este artigo terá passado despercebido em setembro, o que me parece esquisito. Percebes? Eu diria que eu aqui, para já, dou mais credibilidade ao Fernando Alexandre do que aos outros, não por nada de especial, mas porque este número de 20 mil está anunciado desde 8 de setembro. E só agora, 22 de novembro, é que se lembram de dizer que este número estava errado? É esquisito. Independentemente disso, penso que há-

Sendo que, por acaso, eu estava aqui até a pesquisar, porque também entrevistamos João Costa há uns meses e também falou com outros órgãos em setembro, já acusava nessa altura o governo de mentir e de estar a inflacionar o número de alunos sem aulas. Mas isto no global, não estou a referir-me aqui especificamente a este 20 mil.

Aqui não estava a falar em relação a esta medida.

Exatamente.

Eu sim, eu lembro disso, isso era outra coisa, mas aí até penso que foi uma confusão que foi até reconhecida, na altura, pelo ministério, que estavam a falar de coisas diferentes. Estou a falar dessa entrevista de há poucos meses.

Sim.

Mas pronto, independentemente agora disso, eu para já dou mais credibilidade aos números do Ministério da Educação, mas pronto, isto sujeito à revisão no futuro. Mas de qualquer forma, penso que as notícias que temos recebido são, regra geral, positivas. Portanto, para já, e isso é óbvio e é assumido pelo governo, isto é apenas uma pequena parte do problema. Continua a haver 40 mil alunos sem aulas, portanto, nada disto é mascarado. O governo não está aqui a dizer, ou o ministério não está aqui a dizer que não há um problema gravíssimo por resolver. E também não está a dizer que não é necessário resolver o problema de forma estrutural. Agora, eu quando olho para algumas das medidas e vejo que há novos docentes na escola pública, que são cerca de 4 mil, parece-me que isto já são medidas que têm efeito, que têm impactos, ou pelo menos já são resultados de medidas que têm impactos estruturais e que vão durar para os próximos anos. Aliás, mesmo na notícia de hoje do Público, isto aliás foi engraçado, porque eu acordei de manhã com a capa do Expresso a dizer que essas políticas eram sucesso porque reduziram em 90% o número de alunos sem aulas, e há uma notícia no Público a dizer precisamente que o impacto das medidas ficava muito aquém. Mas eu, olhando para essa notícia em que as informações são dadas pela Fenprof, eu vejo ali motivos para estarmos otimistas e para achar que as medidas estão a ter algum efeito. Isto por quê? Porque a FENPROF denuncia os números, dizendo que grande parte dos professores que ficaram colocados nas escolas problemáticas já estão colocados noutras escolas e, portanto, diz isso não resolve problema nenhum, porque saem de umas escolas e vão para outras. E isso é só verdade aparentemente, porque se saem de escolas não problemáticas e vão para problemáticas, ou seja, problemáticas são aquelas onde é difícil arranjar professores, isso quer dizer que ao saírem daquelas outras que são mais fáceis, à partida são fáceis de substituir. Eu fico com a ideia de que há uma dinâmica positiva em que as medidas parecem estar a fazer efeito.

Daí estas duas copas sujeitas à revisão de nota. Susana Peralta, ficaste esclarecida com os números ou também estás com algumas dúvidas?

Não fiquei, mas eu queria começar por dizer que isto não é um trunfo e obviamente que eu saúdo a preocupação desta equipa da educação com este problema da falta dos professores, a clareza com que o ministro falou disto em várias entrevistas que deu e que até falou quase de falhanço coletivo do país, nós não conseguimos resolver isto. Eu tenho a certeza que há ali muito empenho. E que certamente a miríade de medidas que foram anunciadas, desde ir buscar professores que estão na reforma, de permitir flexibilização na contratação, seria estranhíssimo que isso não desse uma melhoria. Portanto, eu acompanho o Luís no elogio. O que eu queria dizer era o seguinte: o João Costa, ex-ministro, vem dizer que de acordo com esta metodologia, ou seja, aqui parece que a grande questão é alunos que estão sem aulas desde o início do ano letivo, pelo menos uma disciplina, portanto, que digamos em Português, não tiveram uma única aula desde meados de setembro, versus alunos que já tiveram professores em falta por razões diversas e que vão tendo buracos na sua formação. E João Costa vem dizer: "Se estamos a falar disso, alunos que não têm aulas desde o início do ano letivo, pelo menos uma disciplina, o ano passado também eram 2 mil." Ele próprio diz que não quer entrar numa guerra de números, mas verdadeiramente isto é uma guerra de números e eu acho que a culpa não é nem de João Costa nem de Fernando Alexandre, neste caso, é destes números não virem cá para fora por um organismo qualquer independente. Imagina, se esta Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, tal como a DGEEC e outras direções-gerais, tivessem de facto um empoderamento para serem verdadeiramente independentes, essas punham cá fora os números e era muito mais difícil entrarmos neste tipo de debate.

A questão parece que estamos aqui como nas greves, em que os sindicatos dizem uma coisa e o governo diz outra. Vamos passar à próxima carta e é do Jorge Fernandes, uma carta de ouros. Jorge, faz esta semana 10 anos que José Sócrates foi detido, ainda não começou o julgamento, e os teus ouros são para as teorias da conspiração do ex-primeiro-ministro, que apareceu em dose dupla a escrever um artigo de opinião no Diário de Notícias e deu também uma entrevista à CNN.

Olá, Vanessa, olá a todos. Felizmente, passou-me completamente ao lado, quer a entrevista, quer o artigo de opinião do José Sócrates. Mas agora falando mais a sério, acho que esta situação nos devia fazer a todos refletir enquanto país. O que diz de nós, das nossas instituições, que passados 10 anos ainda não tenhamos conseguido julgar de forma séria o ex-primeiro-ministro? Quer dizer, que não tenha havido um julgamento. Muita gente diz que Sócrates é culpado pela demora, por ter causado imensos incidentes processuais. Aliás, isso foi levantado esta semana, penso eu, pela juíza no acórdão da relação.

Sim, recorreu ao artigo 670 do Código de Processo Civil para travar mais manobras dilatórias por parte da defesa. Só para contextualizar.

Exato, mas a ideia é: se o sistema está desenhado com a possibilidade de haver manobras dilatórias, o problema não é de quem pratica as manobras dilatórias, o problema está no legislador, no ministro ou na ministra da Justiça e na ausência de reforma de um sistema em que claramente existem mecanismos e determinado tipo de expedientes que podem ajudar quem tem recursos e quem tem dinheiro para gastar em advogados a arrastar isto por uma imensidão de tempo. Porque, convenhamos, é evidente que a pessoa mais beneficiada, muito provavelmente, de todo este tempo que as coisas demoraram, é José Sócrates. Acima de tudo, custa-me um bocadinho perceber, e acho que o país devia pensar e isto passou um bocadinho ao lado de toda a gente. Passaram 10 anos e uma pessoa que teve a importância que teve na vida do país e que terá alegadamente estado no centro de um polvo de corrupção que envolveu empresas, bancos, ministros, toda uma elite política e de facto não foi julgado. Eu gostava genuinamente que a Justiça se pronunciasse e o condenasse ou o ilibasse, porque o manobra volta na ferradura, porque ao mesmo tempo, claro que ele está a usar estas manobras, mas ao mesmo tempo acho que também tem o direito, embora ele esteja por algum motivo a protelar, mas ele também tem o direito de ter a vida resolvida de alguma maneira. Porque tem o direito de rapidamente De rapidamente também saber se vai ou não ser ilibado. E provavelmente o jogo que Sócrates está a fazer, claramente, é tentar que isto de alguma maneira prescreva e que o processo morra por si mesmo. Agora uma última nota política que tem que ver com o silêncio total, e isto é uma coisa que eu acho que nestes 10 anos não pode ser apagado. Tirando a Ana Gomes, eu não me lembro, posso estar esquecido de alguém, mas não me lembro que nunca ninguém no PS tenha feito o mea culpa político que se impunha, especialmente as elites mais próximas de José Sócrates, que nada sabiam, nada viram. Muitas elites dessas que estiveram no governo de António Costa, no Parlamento Europeu, estou me a lembrar, por exemplo, de Pedro Silva Pereira. Portanto acho que apesar de tudo continua a ser um erro político que eu pessoalmente não consigo perdoar ao Partido Socialista. E há muita gente que acha que isto já passou, que foi uma coisa que já foi há muito tempo, mas 10 anos na vida de um país, apesar de tudo, é muito pouco e o que aconteceu foi demasiado grave para que o PS não tenha tido a hombridade e a coragem de ter realmente vindo renegar de alguma maneira José Sócrates de forma inequívoca.

Luís, até tinhas pensado também numa carta de paus aqui para o facto de a Operação Marquês ter deixado de ser considerada urgente pelo sistema de justiça, embora agora a relação tenha vindo a recorrer a este artigo 670, que pode fazer com que o julgamento finalmente comece.

Eu achei piada e por isso é que eram os meus paus, por dois motivos. Um é este que acabaste de dizer, que de facto, e aqui penso que contrariando um bocadinho o Jorge, aquilo que me dizem alguns advogados é que os juízes têm os instrumentos para evitar que estas manobras dilatórias tenham os efeitos suspensivos que por aqui se têm visto. E cá está a evocação do artigo 660, o que não reduz em nada a capacidade da defesa. Continuam a poder apresentar os recursos que quiserem, deixam é de ter efeitos suspensivos, ou seja, o julgamento continua. Pronto, e esse era o primeiro ponto. O segundo ponto, e eu acho que aqui de facto vale a pena ler o artigo de José Sócrates, porque há ali pontos em que ele tem razão, é que nós estamos nisto há 10 anos, mas destes 10 anos, há para aí sete ou oito que não têm nada a ver com José Sócrates. Quer dizer, vocês lembram-se, quando foi o período de instrução, desde que o José Sócrates foi preso, o período de instrução foram para aí quatro anos. O José Sócrates esteve em prisão preventiva até esgotar ao máximo. Portanto, isso é tudo investigação, investigação, investigação, e José Sócrates estava preso, portanto não podia propriamente interferir. Esteve preso na primeira fase, depois esteve prisão domiciliar e essas coisas, até que esgotou o tempo e só depois de ter esgotado os máximos legais é que o libertaram. E portanto, há aqui verdadeiramente também muita ineficiência da Justiça, que não tem apenas, ou se calhar nem sobretudo, a ver com o atraso, com as manobras dilatórias de José Sócrates, que sim, tem vindo a abusar disto no último ano, mas é no último ano. Ora, o último ano de 10 é um e nove.

Já passou muito tempo. Susana Peralta.

Portanto aqui paus para toda a gente.

E paus, temos agora espadas, é a carta da Susana para outro tema, o erro informático que fez com que 130 mil famílias ficassem, afinal, Susana, sem casas de renda acessível.

Sim, por isso o IHRU, que é o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, lançou um concurso de renda acessível do famoso programa do +Habitação, que é arrendar para subarrendar, em que no fundo é o IHRU que arrenda a um proprietário e depois subarrenda em função de critérios preestabelecidos, estas pessoas que têm direito a rendas acessíveis. Bom, o concurso teve uma vantagem, que realmente foi muito rápido. Portanto, as candidaturas abriram no início de outubro e logo passado um mês havia resultados. Os resultados também foram comunicados aparentemente de uma forma muitíssimo diligente e portanto foi informado às famílias, às 130 famílias galardoadas, foi logo informada a morada da casa que lhes tinha sido atribuída, até porque depois há diferentes tipologias de casas, portanto dependendo da dimensão da família, as pessoas tinham direito a um T0, um T1, um T2, enfim, a morada e quanto é que iam pagar. Esse cálculo da renda é uma fórmula que aplica-se com os critérios que têm a ver com o rendimento das famílias. Portanto, parecia tudo realmente a correr muito bem. E depois o IHRU enviou um e-mail quando se apercebeu que, na verdade, passados três dias, envia uma comunicação às pessoas a dizer às famílias a dizer que afinal tinha sido um erro e a anular os concursos. Agora, reverência, eu tenho que me despachar.

Tens.

Está bem, então vou dizer uma coisa muito importante. Quer dizer, pronto, isto não é propriamente atribuir um almoço extra aqui no café da esquina, não é? Estamos a falar da casa das pessoas, que é um bem essencial para muitas coisas, para as escolas a que têm acesso, enfim, para o tipo de qualidade de vida, para o sítio onde trabalham. Portanto, a casa é de facto algo com que não se brinca. Pronto, isto é um problema. Agora, o que é que acontece? O IHRU diz que vai abrir uma auditoria interna para perceber o que é que aconteceu ao sistema informático, mas o sistema informático nada funcionava, porque repara que os erros contam-se assim: candidaturas admitidas que não foram sorteadas, candidaturas sorteadas que foram sorteadas em duplicado, portanto, o candidato tinha aparecido lá duas vezes no sorteio, e candidaturas sorteadas que não tinham sido admitidas a concurso. Quer dizer, uma coisa é a pessoa ter um erro no programa informático e de facto depois ter de auditar, outra coisa é ter um programa informático que a única coisa que fez com aquilo foi ovos mexidos, não é? E agora querer desfazer os ovos, estás a ver, para os voltar a pôr na capa do ovo, na casca.

Na casca, sim.

E finalmente, também queria agradecer Queria agradecer ao IHRU, porque com o intuito de mitigar o impacto desta situação, o IHRU implementou um mecanismo de contingência para notificar todos os candidatos admitidos a concurso e esclarecer quaisquer dúvidas relacionadas com este assunto. É isto um mecanismo de contingência quando diz às pessoas que vão ter casa e depois passar três dias mudas de ideia? Imagina que alguém deu um pré-aviso. Imagina que alguém recebe aquilo e dá logo um pré-aviso, porque se calhar está na altura em que ia pagar a nova renda e assim passado um mês. Enfim, percebes. E agora o que é que o IHRU vai fazer com estas pessoas? Isto é que está a brincar com a vida das pessoas.

Estão aí as cartas, jogada da semana no Fora do Baralho, ainda há autárquicas pelo meio, daqui a menos de um ano, mas as presidenciais de 2026 já aquecem, e de que maneira. Com mais um provável candidato a posicionar-se esta semana, António José Seguro, o antigo líder do PS está a ponderar, é o que diz. Susana Peralta, entre Mário Centeno e António José Seguro, o PS terá aqui dificuldade em escolher ou o mais lógico é até Pedro Nuno Santos apoiar Seguro, como fez quando Costa o desafiou na liderança na altura?

Bem, Vanessa, estás a me pôr numa posição muito difícil porque eu sou péssima para interpretar decisões de políticos e certamente as do Pedro Nuno Santos.

E para já nem há decisões finais, não é verdade?

Sim, mas eu acho que parece evidente que foi Pedro Nuno Santos que trouxe o nome de António José Seguro à corrida. É óbvio, nós não vamos ser inocentes e imaginar que Pedro Nuno espontaneamente fala em António José Seguro e depois António José Seguro fica muito surpreendido. Portanto, como é óbvio, houve conversações prévias, mas de facto António José Seguro vem.

Nós pensávamos o mesmo da Lenora Beleza e afinal...

Tens razão.

Mas pronto, vamos a ver se são mais lógicos.

Tem que ser mais cuidadosa. Há uma elevada probabilidade, vamos dizer assim, disto ser um movimento combinado, e acho que não tem nada de mal, mas de facto António José Seguro quando vai falar diz que ficou muito sensibilizado com esta ideia que Pedro Nuno Santos trouxe para cima da mesa de ele poder ser um bom candidato presidencial e que em face disso estava e de facto a ponderar a sua candidatura. Portanto, eu acho que Pedro Nuno claramente queria ter uma alternativa a Mário Centeno, até porque apesar de Pedro Nuno Santos já ter dito no passado que Mário Centeno é um bom nome, ele tinha dito isso, é o nome bom, disse isso há um mês, há quase dois. Mário Centeno é um representante da ala de António Costa, como é evidente, e é uma pessoa que ficou muito ligada a António Costa, seu ministro das Finanças, foi nomeado por António Costa para o Banco de Portugal.

Era uma maneira de arrastar aqui um costista.

António Costa quis que Centeno propôs ao presidente da República há um ano que Centeno assumisse o governo, se bem se recordam, para evitar eleições antecipadas e, portanto, parece-me que se eu tivesse que apostar, eu diria que o coração de Pedro Nuno pende para António José Seguro. Deixa-me só dizer mais uma coisa, duas coisas, na verdade. Uma é que eu acho que Mário Centeno tem muito mais notoriedade, porque até agora não houve sondagens destas prévias que incluíssem o nome de António José Seguro. Veremos, mas a minha intuição é que Centeno-

Esteve 10 anos afastado. Ainda hoje o Alberto Campos Fernandes dizia isso, que 10 anos é muito tempo.

Tem estado bastante fora. E por outro lado, eu continuo realmente infelicíssima, porque todos os presidenciáveis são homens, a não ser a Leonor Beleza, que vai logo dizer: "Não, eu não." Marques Mendes, o almirante, já falámos de António Vitorino, já se falou de Pedro Passos Coelho. Parece que este país não consegue ter imaginação para ir buscar presidenciáveis mulheres e fico triste por isso.

Luís Aguiar-Conraria, a vingança a servir-se, serve-se fria. Pergunto isto porque neste caso, por António José Seguro, que foi afastado da liderança por António Costa, e eventualmente pelo próprio Pedro Nuno Santos, depois do choque frontal que teve com o ex-primeiro-ministro a propósito dos despejos em Loures.

Vanessa, tu se calhar tens razão na pergunta que fazes e se calhar a resposta é sim, mas eu honestamente não consigo imaginar o António Costa com as suas novas funções europeias, minimamente preocupado em saber qual destes dois é que vai perder contra Marcos Mendes, que é basicamente aqui o que estamos a escolher. Portanto, sim, se calhar isto até é visto como uma vingança, mas não vai ter qualquer tipo de efeito. Aqui o Jorge está a trunfar. Trunfa lá, Jorge.

Não, eu acho que tu dás demasiado crédito ao Costa e as suas preocupações com as grandes questões do nosso tempo. O Costa, eu imagino que ele preste tanta atenção à situação política portuguesa, mesmo que ele não quisesse, ele é intrinsecamente um homem do corpo dos Bombeiros.

Deixa-me aqui concordar parcialmente contigo, que eu por acaso eu pensei nisso e estás a dizer, e até acho que se calhar tens alguma razão neste momento. Mas eu espero que pelo menos quando António Costa entrar em funções a sério, que deixe-se preocupar com isto. Para já ainda se está a entreter.

Ele preocupou-se com isto a vida inteira, ele nunca fez mais nada na vida inteira.

Está bem, mas a determinada altura a pessoa tem o trabalho de 10, 12 horas por dia encontrar soluções para encontrar um consenso contra o Putin ou a favor de uma coisa qualquer. E espero que não esteja mesmo preocupado com saber qual é o candidato do PS que vai perder contra Marcos Mendes. Pronto, mas sim, olha, veremos. Nunca saberemos se o homem se sente vingado ou não, mas pronto.

Eu concordo com o Luís, queria só dizer isso. Acho que ele numa certa altura vai andar demasiado entretido. Por enquanto ainda anda assim por lá a perceber onde é que errou.

Já agora, posso só responder ao repto da Susana e dizer aqui na rádio uma coisa que já disse em privado? Já que o PS não tem nenhum candidato de jeito pra apresentar, então pondere a hipótese de apoiar um candidato, ou uma candidata, fora do Partido Socialista. E neste caso, eu queria aqui desafiar o Partido Socialista a apoiar, de forma expressa e empenhada, a Catarina Martins. Fazer um bocadinho o que Cavaco Silva fez quando apoiou Freitas do Amaral em 1985. Vale a pena lembrar que Freitas do Amaral era uma pessoa vista como de direita, conotada até com o antigo regime. Aliás, foi assim que Soares destruiu Freitas do Amaral no debate que tiveram, quando ao lembrar que ele tinha sido convidado pra secretário de Estado da ditadura do regime anterior. Portanto, eu vejo aqui na Catarina Martins uma espécie de Freitas do Amaral de esquerda, alguém que está à esquerda do PS. E já que não têm ninguém de jeito pra apresentar, e qualquer um que apresentem vai perder, pelo menos os nomes que se falam, vai perder com o Marques Mendes, ao menos eram originais e apoiavam uma mulher, que é uma coisa que está na altura de o Partido Socialista fazer.

Achas que isto seria possível, Jorge, de acontecer?

Isso também eu acho que não. Desculpa lá, não ponhas aqui o Jorge como se o Jorge estivesse aqui sendo a voz do bom senso.

Ele é o nosso politólogo de serviço.

Sim, mas como voz do bom senso contra o disparate que eu disse do PS apoiar. Portanto, é óbvio que o PS não vai apoiar. A questão diferente é se devia apoiar ou não. Eu acho que devia.

É a intenção.

Mas não vão fazer, de facto.

Bom, Jorge, Francisco Assis já declarou apoio a António José Seguro, se vier sempre a candidatar-se. Fê-lo aqui na Rádio Observador, no Explicador. Entre Centeno e Seguro, a ver vamos se Santos Silva também sai ou não da corrida. Será fácil para o PS unir-se na escolha ou terá de fazer cálculos tendo em conta outras variáveis? Pergunto-te também se Seguro pode ser uma escolha mais ampla que agrade também ao eleitorado de centro-direita.

Eu acho que há aqui três coisas fundamentais a dizer. A primeira coisa é que eu acho que, apesar de tudo, estas eleições presidenciais são muito importantes para o Partido Socialista. Como é incómodo lembrar que o Partido Socialista há 20 anos que está arredado do lenho. Cavaco ganhou dois mandatos, depois Marcelo, e o Partido Socialista sempre teve uma perspectiva de algumas instituições, nomeadamente a presidência, com uma certa coutada, digamos assim. E para além disso, houve já várias eleições presidenciais em que o partido, nuns casos, venceu, noutros casos, basicamente não compareceu às eleições ou escolheu não comparecer, digamos assim, em força. Portanto, eu acho que o Partido Socialista vai ter fortes incentivos e uma forte pressão interna para tentar arranjar um candidato forte ou pelo menos um candidato que, na opinião das lideranças do partido, possa tentar disputar e colocar o partido unido em seu redor pra tentar disputar as eleições. Dito isto, acho que os candidatos que estamos a falar do Partido Socialista são francamente maus. Não desfazendo, quer dizer, António José Seguro não tem estatura, estatuto pra ser presidenciável. Eu percebo que nos últimos anos Marcelo Rebelo de Sousa degradou a função a tal ponto que se acha praticamente hoje em dia qualquer substituto ou substituta faria melhor do que Marcelo. Mas eu acho que Seguro, claramente, a única coisa que foi, tirando ser líder da JS, foi ser ministro, um secretário de Estado. Nunca teve propriamente grandes cargos, nem que se saiba, nenhuma vitória eleitoral no país. Eu penso que ele nunca foi a votos numa eleição que tenha ganho. Por exemplo, Jorge Sampaio tinha ido em Lisboa, que apesar de tudo, é uma eleição com uma importância de outra natureza. Mário Centeno, pra mim, representa tudo de errado que está na política portuguesa, representa as portas giratórias de alguém que vai para Ministro das Finanças, sai diretamente do Ministério das Finanças pro Banco de Portugal, sai de um órgão político para o supervisor, de uma forma absolutamente escandalosa, e agora a ideia que ele vai pra Presidente da República não tem qualquer sentido.

E também podia ter sido o primeiro-ministro.

Pois, exatamente. Eu acho que Mário Centeno foi uma criação de António Costa e depois dada altura aquilo ganhou uma certa vida própria. Mas acho que o passado de Mário Centeno, é muito pouco ético aquela passagem das Finanças para o Banco de Portugal, e sinceramente não vejo Mário Centeno remotamente como estando à altura para ser presidente da República. Eu, por exemplo, nunca o ouvi falar, pra além das questões econômicas, eu nunca o ouvi ter um discurso público sobre o que é Portugal, o que ele acha sobre Portugal, sobre o futuro do país. Quer dizer, pra além daquelas questões técnicas, ou um bocadinho mais áridas daquela questão nas quais ele tem objetivamente uma excelente formação acadêmica. Mas nunca o ouvi propriamente a fazer um discurso público sobre o país. E eu acho que há alguma coisa que o Luiz estava a dizer com a qual eu acho que neste momento tendo a concordar. Diz, diz.

Não, diz tu primeiro, eu depois. Desculpa, fala.

Não, eu ia dizer que o problema disto é que estes candidatos que o PS está a regimentar, ou que estão a aparecer na órbita do PS, vão facilitar a vida, eventualmente, a uma pessoa que eu acho que pode ganhar com o apoio do PSD, que é Marques Mendes, e que eu também acho que não tem remotamente a estatura intelectual, a todos os níveis, e noutros níveis também relacionados com a sua atividade profissional, pra ser presidente da República. Mais uma vez, eu termino aqui. Disse só pra dizer que a única coisa perante a qual todas estas pessoas são um bocadinho melhores é que realmente o ponto de partida é Marcelo Rebelo de Sousa. É a desgraça que sabemos.

Susana, vinha daí um trunfo?

O pão em si.

Não.

Importante.

Não era um trunfo. É um comentário. Quando o Jorge diz que não se conhece a Mário Centeno nenhum discurso acerca das grandes questões do país, etc., é verdade, mas com esse critério só podiam chegar à presidência pessoas que tinham sido primeiros-ministros, por exemplo, ou comentadores, que certamente não queremos outro Marcelo. Enfim, não parece que isso seja um critério. A pessoa se tem uma ideia para o país, terá a oportunidade na apresentação da candidatura e depois nos debates, na campanha, para a apresentar.

Quem já vai bem colocado nas sondagens é o almirante Gouveia e Melo, que, como disse recentemente, não exclui nem inclui, para já, essa hipótese. "O Observador" noticiou ontem que Belém considera que o mais lógico é que o almirante seja reconduzido à frente do Estado-Maior da Armada. E isso impediria, porque é já em dezembro, de concorrer às presidenciais. Susana, sendo que o próprio, recentemente, lá está, como eu dizia, não excluiu candidatar-se. O atual declínio de Belém, ao dizer isto, através de uma fonte presidencial ao observador, Marcelo Rebelo de Sousa está aqui, de alguma forma, a condicionar a escolha do sucessor?

Das duas, uma: ou Marcelo Rebelo de Sousa tem, de facto, em grande conta o trabalho do almirante à frente dos seus deveres militares e é por isso que o quer reconduzir, ou então efetivamente quer condicionar a sua carreira política, sendo que ambas não são incompatíveis. Eu acho que o perfil de Marcelo Rebelo de Sousa é difícil. Imaginemos Marcelo Rebelo de Sousa daqui a um ano. Uma pessoa que esteve no centro do poder, muitas vezes informal, fático, das intrigas, do empurra aquele, empurra o outro, ao longo de várias décadas da sua vida. Como é que Marcelo se vai sentir quando sair da presidência? Eu julgo que vai ser bastante difícil para ele. Veremos o caminho que se segue. Mas parece-me difícil que ele resista à tentação de, no que puder, fazer aqui alguns condicionamentos de última hora, que são as suas últimas grandes manobras num lugar de grande poder.

Sendo que o almirante Gouveia e Melo é reconduzido por indicação do primeiro-ministro, depois tem que ter também o aval do Presidente da República, só para ficar isso aqui também claro.

Claro, desculpa, Marcelo não tem, obviamente, o poder total, mas tem um poder enorme de influência. Certamente junto do primeiro-ministro.

Sim, o que percebemos pela notícia do Observador é que não conhecem ainda os planos do primeiro-ministro relativamente a essa matéria, mas de facto há aqui estas notícias e não é a única a envolver Gouveia e Melo. Jorge, foi Luís Montenegro quem acabou por reduzir o leque de possibilidades ao inscrever na moção de estratégia global do PSD, ao congresso do PSD, que o candidato apoiado pelo partido deve ser militante do PSD. Mas o ministro da Defesa e líder do CDS, Nuno Melo, encontrou-se num bar em Lisboa com Gouveia e Melo. Como é que interpretaste este encontro que acabou por não ser bem explicado por nenhum dos dois?

Isso parece quase uma anedota. Quer dizer, Nuno Melo e Gouveia e Melo entram num bar e o que se passa depois ninguém sabe. Eu acho que é evidente que Luís Montenegro está claramente apostado em Marques Mendes. Provavelmente acha que ele é o sucessor mais provável ao Marcelo Rebelo de Sousa. Eu acho que Nuno Melo está desesperado.

Jorge, deixa-me só dizer duas coisas.

Pode, claro.

Eu acho que o Nuno Melo e o almirante têm de ser particularmente inábeis para fazer de um encontro entre os dois um acontecimento. Isto é o ministro da Defesa e é um almirante das Forças Armadas. À partida, nada mais normal do que os dois encontrarem-se. Para eles conseguiram ser tão desajeitados que encontram-se e faz-se disso um caso.

Mas foi literalmente num bar.

Não foi falta de jeito, foi intencional. Eles quiseram fazer disso um facto político, porque quando Nuno Melo quer falar com o almirante, imagino que tenham outras vias mais discretas. Portanto, isto é Nuno Melo a querer pôr-se em bico de pés.

Sim, certamente.

Parece-me evidente. Nuno Melo ficou muito inchado desde que entrou na AD, muito inchado e tem uma ideia da importância do CDS que tem pouco a ver com a realidade. Desculpa, Jorge.

Sim, eu acho que isso que a Susana está a dizer é absolutamente correto. Eu acho que o CDS, por um lado, tem uma ideia deles próprios da importância relativa deles no mundo, que não corresponde remotamente à realidade. Eles são um partido que foram às eleições ligados à máquina, ao PSD, e não há nenhuma indicação, eu posso estar muito enganado, mas não há nenhuma indicação nas sondagens que se o CDS, porventura, se apresentasse a eleições sozinho, que conseguisse novamente eleger e manter alguma continuidade na Assembleia da República. Portanto, eu acho que Nuno Melo e a elite do CDS, ou do que resta do CDS, apesar de tudo, precisam destes factóides para se manterem relevantes e tentarem de alguma maneira marcar a agenda política. Eu acho que o CDS, no contexto atual, e precisamente por causa disto, pode ter a tentação de tentar afastar-se do PSD nesta matéria e tentar com isto sinalizar, apesar de tudo, alguma independência estratégica que possa ter em relação ao PSD. E, por outro lado, há outra questão que é da maneira como as coisas se estão a desenhar, se realmente ao ver este conjunto muito alargado de candidatos, podemos estar a aproximar-nos de um cenário em que as eleições presidenciais podem ter uma segunda volta. Portanto, de alguma maneira, isto seria interessante para Nuno Melo, porque poderia, na primeira volta, sinalizar a sua autonomia estratégica enquanto partido e depois, na segunda, cumpriria o seu dever de homem de direita e apoiar o candidato, presumivelmente Marques Mendes, que o PSD apoiasse. Deixa-me só fechar dizendo que acho que Gouveia e Melo seria claramente o reconhecimento do estado latino-americano da política portuguesa, porque um militar neste tipo de funções em 2026 seria uma coisa praticamente impensável. Quer dizer, Gouveia e Melo, falando de currículos, a única coisa que tem no currículo e falando da ausência de ideias para o país, foi a implementação da vacinação. E não é uma coisa menor, certamente, mas a ideia de que precisamos de um militar para pôr ordem na casa, porque é a única pessoa que está acima da política, que está acima da corrupção dos políticos, é o discurso mais populista que pode existir. Discurso esse, convém relembrar, que em larga medida já foi ensaiado noutro patamar, por exemplo, por Sampaio da Nova em 2016. Ele era a pessoa, o puro, que estava acima da política, que nunca tinha estado nos partidos, que nunca tinha estado na política partidária e que de alguma maneira vinha limpar a política. Enfim, um discurso profundamente populista e que há uma certa pulsão e uma certa procura por isso por parte do eleitorado. Mas eu espero que o Gouveia e Melo tenha juízo suficiente para perceber que os militares são uma coisa e a política é outra. Claro que ninguém fica com os seus direitos políticos diminuídos por ser militar, mas uma coisa é a lei e as regras, outra coisa é o que deve ser. E apesar de tudo, os militares deviam estar claramente separados da política.

Para o centro-direita, para a direita, o primeiro-ministro Luís Montenegro estará-

Deixa-me só dizer que eu não concordo nada com isso. Está bem?

É um trunfo? Vamos lá.

Não é um trunfo, aqui estamos em debate. Eu não concordo nada com isso. Acho que os militares têm exatamente os mesmos direitos que as outras carreiras, que os professores universitários, que tudo o resto. Obviamente que se vai apelar ao nosso voto e se vier a ser candidato, é evidente que terá de esclarecer quais são os seus entendimentos com poderes presidenciais e por aí fora, e terá tempo para o fazer em campanha. Agora, à partida, dizer que alguém, por ser militar, está desqualificado do cargo, eu acho isso um preconceito que não acho sequer aceitável.

Ia só perguntar-te, não só por causa do Gouveia e Melo, mas também, por exemplo, Paulo Portas, se Luís Montenegro fez mal em reduzir o leque de candidatos possíveis, tendo em conta que quer que o PSD apoie um militante do partido, porque estes aqui ficariam fora da equação.

Eu confesso que, com a eventual exceção de Gouveia e Melo, porque não sei qual é o pensamento político dele e, portanto, não me posso pronunciar sobre ele, e acho normal que enquanto é almirante e enquanto foi vice-almirante, que não dê entrevistas políticas, ou pelo menos com grande pendor político. Portanto, não falando desse caso em concreto, eu acho que qualquer nome é melhor que o Marques Mendes. Pelo menos, não digo enquanto candidato, mas enquanto presidente da República. E portanto, sim, tem pena que se fechem portas e que se feche isto à militância de um partido. Eu gostaria que as coisas fossem um bocadinho mais abertas, mas pronto, isso é uma velha luta minha que não tem qualquer efeito.

Para já, só vamos mesmo lá com apostas autárquicas e presidenciais. Prometem apimentar a política e as nossas jogadas da semana no Fora do Baralho. Eu sou a Vanessa Cruz, volto a reunir-me para a semana, já com os quatro ases juntinhos, assim espero, depois das 19h e sempre, sempre em podcast. Até lá.