A atleta norte-americana Tory Bowie, que conquistou três medalhas de atletismo nos Jogos Olímpicos Rio 2016 , morreu devido a complicações durante o parto, de acordo com o relatório médico a que a USA Today Sports teve acesso. A causa só foi agora conhecida, depois de a agência responsável pela representação de Bowie ter anunciado a sua morte no início de maio.

Norte-americana Tori Bowie, tripla medalhada no Rio2016, morre aos 32 anos

O relatório do Gabinete de Medicina Legal do condado de Orange County, na Califórnia, informa que a atleta tinha “um feto bem desenvolvido” e que estaria em trabalho de parto no momento em que morreu, tendo a sua morte sido provocada por causas naturais.

A autópsia indicou que Bowie teria sofrido de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), uma complicação clínica grave associada à inflamação dos pulmões, e eclâmpsia, um quadro clínico grave na gravidez que se caracteriza por episódios repetidos de convulsões, seguidos de coma.

O mistério de mais de um mês em torno da sua morte levou muitos a especularem que se teria tratado de suicídio. “Infelizmente muitas pessoas, incluindo a imprensa, especularam que ela tinha feito algo a si própria, o que é muito perigoso”, disse Kimberly Holland, a agente da atleta, à CBS News. “Por isso esperemos que agora, sabendo-se a verdade, haja muitos pedidos de desculpa.”

O canal de televisão norte-americano Black Entertainment Television (BET), focado no público afro-americano, partilhou na sua conta de Twitter uma mensagem para alertar para os perigos que as mulheres negras na América enfrentam durante a gravidez.

“As mulheres negras têm taxas de mortalidade de complicações relacionadas com a gravidez extraordinariamente mais elevadas”, pode ler-se. “Enfrentamos um risco muito mais elevado de morte maternal devido a vários motivos, incluindo stress crónico e preconceitos implícitos de profissionais de saúde. Há muito trabalho a ser feito para proteger devidamente e defender a saúde das mulheres negras.”

No Rio2016, Tori Bowie conquistou a medalha de prata nos 100 metros, a de bronze nos 200 metros e a de ouro na estafeta 4×100 metros. No ano seguinte, em Londres, sagrou-se campeã mundial na prova do hectómetro e na estafeta 4×100 metros.