A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) já recomendou aos associados que implementem o regime de teletrabalho durante a Jornada Mundial da Juventude, que se realiza na primeira semana de agosto e deverá trazer a Lisboa um milhão de pessoas. Essa recomendação foi feita às associações com empresas que sejam “impactadas” pelo evento.

“Nós, na CIP, já demos uma indicação para que, sempre que possível, as nossas empresas, as nossas associações, recomendem nesse período — aquelas que são impactadas pela visita de sua Santidade e da promoção das Jornadas — que efetivamente se possa utilizar o teletrabalho. Essa é uma instrução que demos porque achamos que se justifica para que tudo corra na perfeição”, afirmou Armindo Monteiro, em declarações aos jornalistas, esta quarta-feira, após uma reunião da concertação social. Esta recomendação foi feita na terça-feira.

Armindo Monteiro diz que, nesta reunião da concertação social, o Governo não fez nenhuma recomendação para que as empresas adotem o teletrabalho durante a JMJ, que se realiza de 1 a 6 de agosto, em Lisboa.

Segundo Armindo Monteiro, a CIP representa 320 associações empresariais em todo o país (não precisou o número de empresas que cabem nesse universo), que empregam um milhão e 800 mil trabalhadores, de setores como a indústria, o comércio, turismo ou setor agrícola.

A organização da JMJ estima que o evento leve a Lisboa um milhão de pessoas. Antecipando um aumento significativo das deslocações na capital nesse período, e para “racionalizar a circulação na cidade de Lisboa”, a Câmara Municipal de Lisboa já recomendou o teletrabalho de 31 de julho a 3 de agosto aos trabalhadores do município que integrem as “equipas operacionais de apoio ao evento e cujas funções o permitam”.

Parceiros veriam com bons olhos recomendação do teletrabalho

Questionado sobre se o Governo pondera fazer também uma recomendação do teletrabalho na cidade de Lisboa durante a JMJ, o secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes, remeteu para o Conselho de Ministros. “Não estou em condições de responder. Essa é uma matéria que será seguramente objeto de ponderação por parte do Conselho de Ministros. As Jornadas Mundiais da Juventude são acompanhas pela senhora ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares e, portanto, a seu tempo, se for caso disso, saber-se-á”, afirmou.

Já as centrais sindicais, UGT e a CGTP, bem como a Confederação do Comércio (CCP), veriam com bons olhos a recomendação. Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP, não vê “inconveniente”, para “ajudar a manter a funcionalidade na cidade”. Mas lembra que o teletrabalho abrange um “número limitado” de trabalhadores. Por isso, pede que sejam tomadas medidas para garantir os serviços que são necessários perante o aumento da procura.

Mário Mourão, líder da UGT, também admite que a recomendação do teletrabalho possa ser feita. “Pode ser uma resposta para evitar que os trabalhadores sejam confrontados com o que se prevê que seja, em Lisboa, uma grande movimentação”, diz. Mas sublinha que terá de ser por acordo entre as partes.

João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), adianta, mesmo, que há um “grande número” de empresas que tenciona colocar as pessoas em teletrabalho nessa semana.