A esta distância das legislativas, há uma atenção especial para quem se junta aos partidos, sobretudo quando se trata do debate dos programas eleitorais. Não é de hoje que nesses grupos estão nomes que acabam nos governos e, mesmo que Pedro Nuno Santos seja avesso a esse tipo de leituras, recorreu aos mesmos fóruns com a sociedade civil, onde vai juntar este sábado, nomes do PS (o mais sonante é o de António Vitorino) e figuras da academia, especialistas nas áreas de governação. Há um repetente nestas andanças, uma predominância da academia do norte do país, uma ex-futura vereadora de Medina e uma constitucionalista que defende outro modelo para a eleição de juízes do Tribunal Constitucional. As leituras virão depois.
Nos trinta nomes da lista de oradores que este sábado vão estar no Porto para discutir o programa que o PS está a preparar, sob coordenação de Alexandra Leitão, a maioria não tem ligação ao partido. É a primeira vez que Pedro Nuno Santos faz um evento deste género, desde que foi eleito líder e escolheu um modelo colado ao de António Costa antes das eleições de 2022. Até no local coincide, a Alfândega do Porto, e também num dos nomes chamados a participar, Fernando Araújo.
O médico que era então presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de São João, já na altura era colocado com uma possibilidade para o Ministério da Saúde de um futuro Governo. Acabou por ser escolhido por Costa para o novo cargo de diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde. E nos painéis temáticos dessa tarde de dezembro de 2021 estava também Elvira Fortunato, cientista, professora catedrática e vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa, que seria pouco tempo depois ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Os nomes que vão dar contributos para o programa do PS de Pedro Nuno Santos foram escolhidos por Alexandra Leitão e, entre os vários painéis, contam-se sobretudo figuras vindas das universidades e um ou outro nome que já passou pela política. Por exemplo, António Vitorino, antigo ministro e antigo comissário europeu vai intervir logo na sessão de abertura, mas também participar no debate sobre Assuntos Europeus e Relações Internacionais, ao lado do secretário geral da União Internacional de Juventudes Socialistas, Bruno Gonçalves, de Telmo Carvalho (vogal do IPMA) e ainda da antiga secretária de Estado da defesa e atual presidente do grupo de peritos da NATO sobre a aliança militar aos vizinhos do flanco Sul.
A “Qualidade da democracia, Justiça e Segurança Interna” será o outro grupo de discussão que vai ter à mesa o presidente da Associação Portuguesa de Demografia, Paulo Machado, o especialista em Ciências Políticas do ISCTE, Tiago Fernandes, o advogado que se candidatou a bastonário nas últimas eleições, Paulo Valério, e ainda Teresa Violante, a constitucionalista que considera “pertinente” o debate sobre a legalidade do Chega e que tem dúvidas sobre o modelo de escolha de juízes do Tribunal Constitucional.
Numa entrevista à revista Visão, no ano passado, Violante defendia que a prática de ter dez juízes conselheiros designados pela Assembleia da República e três cooptados por estes “tem problemas de aplicação e é menos democrático. A sua substituição por um modelo em que todos os juízes fossem eleitos por uma maioria de dois terços do Parlamento seria o mais desejável”.
O painel do Estado Social vai cobrir várias áreas e terá, além de Fernando Araújo e Isabel Pires de Lima, o professor universitário João Couvaneiro, especialista em educação (é professor e diretor do departamento de inovação pedagógica e elearnig na Universidade Egas Moniz), Fernanda Rodrigues, especialista em assistência social e professores na Universidade Católica do Porto, e também a arquiteta Inês Lobo, que foi comissária de Portugal na Bienal de Veneza e também o segundo nome da lista do PS e do Livre à Câmara de Lisboa em 2021. Depois da derrota de Fernando Medina nessas autárquicas, não quis ficar como vereadora — sendo que o pelouro que lhe estava prometido era o do urbanismo.
No painel dedicado à Economia, Pedro Nuno vai contar com o presidente da Startup Portugal, António Dias Martins, Mário Rui Silva, economista da Universidade do Porto, Cristina Pinheiro, e Cláudio Sunkel, professor de Biologia Molecular da Universidade do Porto e diretor do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde.
José Alberto Rio Fernandes é outro catedrático da Universidade do Porto e também investigador do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território que vai estar na discussão do programa do PS. Fará parte do painel que se dedicará ao “Território, Ambiente e Energia” e terá ao lado Júlia Seixas, especialista em alterações climáticas na Universidade Nova de Lisboa, o geógrafo João Seixas, também da Nova, e ainda Teresa Pinto Correia, professora na Universidade de Évora e especialista em agricultura sustentável.
A sessão será aberta pelo presidente da Federação socialista do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia que foi condenado a perda de mandato por peculato e que entretanto recorreu da sentença. E será fechada pelo cabeça da lista de candidatos do PS no Porto, Francisco Assis, e também pelo líder Pedro Nuno Santos que no dia seguinte vai encontrar-se com os autarcas socialistas.