Jogar várias modalidades ao mesmo tempo era um pouco o pão nosso de cada dia há algumas décadas. Os jogadores do Sporting não eram exceção. Jesus Correia, que ficou como um dos Cinco Violinos no ataque mais temível dos leões, era tão bom a jogar futebol pela direita como hóquei em patins (que até era a sua grande paixão). Mário Moniz Pereira, o saudoso Senhor Atletismo, sagrou-se campeão nacional de voleibol pelo conjunto verde e branco ainda nos anos 50. Alexandre Baptista era outro desses exemplos, jogando e bem qualquer modalidade do futebol ao ténis, passando pelo ténis de mesa, pelo voleibol e pelo basquetebol (e o golfe, já depois de acabar a carreira). Ficou no futebol, ficou em Alvalade e foi aí que teve um trajeto de sucesso ligado ao maior feito internacional de sempre do clube. Morreu este domingo, aos 83 anos.

Chegado ao Sporting em 1957, no ano a seguir à inauguração do antigo Estádio José Alvalade, o central com grande capacidade técnica começou nos principiantes, passou pelos juniores, teve uma experiência inicial no conjunto principal em 1960/61 e fixou-se de vez entre a equipa A em 1963/64, por um sinal um ano que ficou para a história: além de ter sido pela primeira vez chamado à Seleção (11 jogos por Portugal), Alexandre Baptista foi um dos obreiros da campanha vencedora dos leões na Taça dos Vencedores das Taças entre a maior goleada de sempre nas provas europeias (16-1 ao Apoel) e a fantástica recuperação com o Manchester United de 1-4 em Old Trafford para 5-0 em Alvalade até ao triunfo na finalíssima diante do MTK Budapeste com o famoso “Cantinho de Morais” que decidiu o encontro depois da igualdade a três.

Alexandre Baptista continuaria a jogar no Sporting até 1971, onde terminaria a carreira como único clube que representou, fazendo um total de 163 jogos oficiais e três golos e conquistando dois Campeonatos, uma Taça de Portugal e duas Taças de Honra. O central esteve também na campanha dos Magriços de Eusébio e companhia no Campeonato do Mundo de 1966, onde Portugal conseguiu aquela que é ainda hoje a melhor classificação de sempre na prova (terceiro lugar após derrota nas meias com a Inglaterra).

Ao mesmo tempo que se destacava nos relvados, Alexandre Baptista ficou também conhecido por ser um dos poucos jogadores da sua geração a nunca deixar os estudos para trás, concluindo o seu curso de Economia que iria seguir depois de terminar a carreira com apenas 30 anos, depois de ter sido cumprir serviço militar obrigatório para África. Mais tarde, além da ligação como sócio, o antigo central pertenceu ainda à Direção de João Rocha entre 1984 e 1986 (antes da saída do presidente com mais tempo na liderança nos leões). Era um dos símbolos da equipa que ganhou a Taça das Taças, algo que lhe foi valendo vários troféus e homenagens além da presença na Comissão de Honra do Centenário do Sporting em 2006.

“O Sporting manifesta o seu pesar pela morte de Alexandre Baptista, antigo futebolista leonino e sócio número 584-0, que faleceu este domingo aos 83 anos. Aos familiares e amigos, o Sporting endereça as mais sentidas condolências, não deixando de enaltecer e agradecer os anos de esforço e dedicação ao clube”, escreveu o clube de Alvalade em comunicado, antes de ser cumprido um minuto de silêncio em sua memória na receção do conjunto verde e branco ao Farense a contar para a 24.ª jornada do Campeonato.