Olhando meramente para os resultados, dificilmente a Red Bull poderia estar mais nas nuvens com carros que dão verdadeiras asas aos seus pilotos. Depois do triunfo na qualificação que rendeu a 33.ª pole position da carreira, Max Verstappen completou o Grand Slam no Grande Prémio do Bahrain com liderança em todas as voltas, volta mais rápida e triunfo na corrida e Sergio Pérez teve a grande subida de quinto para segundo que valeu a primeira dobradinha da temporada ao conjunto austríaco. Melhor era impossível, até pela forma como a Ferrari e a Mercedes se revelaram impotentes para se intrometerem nesse domínio. No entanto, o ambiente está tudo menos calmo na equipa e há mais uma declaração a deitar gasolina para a fogueira.
Rebobinemos um pouco o filme. Durante esta semana, na antecâmara da primeira prova do maior e mais longo Mundial de Fórmula 1, o processo interno relativo à alegada “conduta imprópria” de Chris Horner foi arquivado. Ou seja, e trocado por miúdos, as explicações do diretor da equipa sobre as acusações feitas por uma funcionária da Red Bull ao longo de oito horas foram suficientes para convencer um advogado que foi contratado pela escuderia e que é especialista neste tipo de casos. “Estou aliviado pelo processo ter chegado ao fim mas não posso comentar mais nada. O nosso foco está agora no Grande Prémio e na temporada que aí vem, de maneira a defendermos os nossos títulos. Estou feliz por estar aqui no Bahrain. A união na equipa nunca foi tão grande”, referiu numa primeira instância o britânico que está há duas décadas na Red Bull.
Mais tarde, houve novos desenvolvimentos. Todos os funcionários da FIA mais alguns jornalistas que por norma acompanham a Fórmula 1 receberam dois emails anónimos onde eram apresentadas as provas das tais acusações que eram feitas pela funcionária (sendo que mais tarde os tablóides ingleses, que tiveram o acesso a essa informação, falaram em pedidos de selfies, conversas sobre roupa interior e até um episódio de “descontrolo” no jato privado a caminho do Dubai. “Não vou comentar especulações mas nego as acusações. Respeitei a integridade da investigação independente e cooperei totalmente em cada etapa do processo. Foi uma investigação completa e justa realizada por um advogado experiente e resultou na rejeição da queixa”, apontou Horner ainda no mesmo dia da qualificação quando não se sabiam esses pormenores.
Este sábado, as atenções voltaram-se então para a pista, com Chris Horner a ter ao seu lado duas figuras de peso no meio da confusão que o britânico queria deixar para trás. Por um lado, o magnata tailandês Chalerm Yoovidhya, que agora tem 51% da empresa de bebidas energéticas; por outro, a mulher Geri Halliwell, a antiga cantora das Spice Girls que andou sempre de mão dada com o marido no paddock. Os resultados não podiam ser melhores para enterrar de vez o assunto mas Jos Verstappen, antigo piloto que chegou a estar na Benetton de Michael Schumacher como número 3 da equipa e pai do tricampeão Max, surgiu depois a apontar o dedo ao diretor da Red Bull, negando também qualquer tipo de “fuga de informação”.
Mientras Jos pidió abiertamente la cabeza de Horner, el director del equipo Red Bull recibió 2 fuertes apoyos. En lo personal, su esposa, Geri Halliwell. En lo institucional, el dueño del 51% de las acciones de la empresa, el magnate tailandés, Chalerm Yoovidhya #TelemetricoF1 pic.twitter.com/Yvy1LXWe3F
— TELEMETRICO F1 | Adrian Puente (Oficial) (@TelemetricoF1) March 3, 2024
“Haverá sempre tensão enquanto ele se mantiver naquela posição. A equipa está em risco de se desfazer. As coisas não podem ficar assim, tudo isto vai ‘explodir’. Está a fazer-se de vítima, quando na realidade é ele quem está a causar os problemas. Eu é que divulguei as mensagens? Então mas isso não faz o mínimo sentido, por que faria isso numa fase em que o Max está tão bem?”, comentou ao Daily Mail, jornal que, tal como outras publicações inglesas, fala de uma discussão forte entre Jos e Horner na sexta-feira à noite e de uma espécie de cisão no conjunto da Red Bull desde a morte do fundador Dietrich Mateschitz há dois anos que coloca de um lado Chalerm Yoovidhya e do outro os responsáveis pela parte “austríaca” da companhia.
???? | Jos Verstappen on Christian Horner:
"There is tension here while he remains in position."
"The team is in danger of being torn apart. It can't go on the way it is.
"It will explode. He is playing the victim, when he is the one causing the problems."#F1 pic.twitter.com/4VD89VYq4l
— Fastest Pitstop (@FastestPitStop) March 3, 2024
Como não podia deixar de ser nesta novela, já se fala de uma possível passagem de Max Verstappen da Red Bull para a Mercedes apesar de ter um contrato a longo prazo com os austríacos, algo que não passa de uma pura especulação (pelo menos nesta fase). No entanto, elementos de outras equipas como os diretores Toto Wolff (Mercedes) e Zak Brown (McLaren) já apertaram o cerco ao homólogo. “Acabo de ler um comunicado da Red Bull e diria que é demasiado simples. Na minha opinião, não podemos estar a olhar por trás da cortina. Houve uma senhora da organização que falou com os Recursos Humanos e disse que havia um problema, que foi investigado e agora a mensagem é que está tudo bem. No desporto, não nos podemos dar ao luxo de deixar estas coisas de forma vaga e manter a opacidade em relação a temas críticos como este porque com o tempo isto vai superar-nos”, apontou Toto Wolff, grande rival de Chris Horner na F1.