As pistolas que testemunharam o declínio do antigo imperador francês Napoleão Bonaparte foram vendidas por 1,69 milhões de euros no domingo, apenas a 300 metros do local onde alegadamente Napoleão se tentou suicidar. O leilão aconteceu no Hotel d’Albe de Fontainebleau e acabou por superar as expectativas iniciais da casa da leiloeira Osenat — valor que rondaria entre os 1,2 e 1,5 milhões euros. Um dia antes, o ministério da Cultura francês tinha declarado as pistolas Gossard “tesouros nacionais” e proibiu a sua exportação.

As Gossard representam o pior momento da vida de um dos imperadores mais conhecidos de todos os tempos, o símbolo da sua “queda, do fim e da abdicação”. Segundo afirmou o leiloeiro Jean Pierre, num vídeo publicado no Youtube no âmbito do evento, “Napoleão subiu ao pináculo e desceu ao mais baixo nível com as Gossard”.

Na publicação, Osenat conta a história do recente “tesouro nacional”. Tudo começou com a derrota do exército francês pelas nações da Sexta Coligação (aliança militar entre a Rússia, antiga Prússia, Áustria, Reino Unido, Suécia, Espanha e Portugal) na Batalha de Toulouse, a 10 de abril de 1814. Dois dias depois e antes da sua rendição, nas escadarias do Castelo de Fontainebleau, Bonaparte terá pegado nas suas Gossard e disparado contra si mesmo, algo que alegadamente o seu grão-escudeiro, Armand de Caulaincourt, tinha antevisto — mas já não existiria pólvora nas armas. Contudo, o antigo imperador não terá desistido à primeira e tentou, pela segunda vez, tirar a própria vida, mas com veneno. Novamente, não teve êxito. Quatro dias depois, a 14 de abril, estaria a render-se às forças estrangeiras.

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Porém, antes de ser forçado ao exílio na ilha italiana de Elba, de acordo com o leiloeiro, Bonaparte ofereceu as atuais peças históricas e uma espada a Caulaincourt como recompensa pela sua lealdade e apoio. “Desde então, permaneceram na sua família”, a do grão escudeiro de Napoleão, que só agora “decidiu separar-se delas”.

O par de pistolas altamente decorado acabou por ser vendido agora a um comprador anónimo numa caixa de nogueira Burr, em conjunto com uma buzina de pólvora e varetas de calcamento, avançou a Euronews. Mas como as considerou “tesouros nacionais”, o governo francês tem agora trinta meses para realizar uma proposta de compra das peças a este novo proprietário — que, ainda assim, a poderá recusar.

Este leilão seguiu a estrutura de outros dois com peças de Napoleão Bonaparte — que também foram vendidas por valores na casa dos milhões de euros. Primeiro o seu sabre, leiloado por 4,5 milhões, “símbolo da glória de Bonaparte”, e depois, o seu chapéu, que valeu 2 milhões, “símbolo da sua imagem”.