E tudo Amorim mudou. Foi há cerca de um mês que o técnico português abandonou o comando técnico do Sporting e rumou ao Manchester United. De lá para cá e, no que ao emblema português diz respeito, muito mudou. João Pereira assumiu o cargo de treinador numa altura em que está a dar os primeiros passos na função e, apesar de ter mantido grande parte das ideias do antecessor, a equipa quebrou em termos de resultados. Primeiro, foi goleada pelo Arsenal (1-5). Depois, caiu diante do Santa Clara (0-1), em duas partidas jogadas em Alvalade.
A viver um cenário de duas derrotas consecutivas, algo pouco visto nos últimos anos, os primeiros sinais de contestação começaram a fazer-se sentir sobre o novo técnico verde e branco, que continua a ser questionado devido às suas habilitações. No capítulo mais recente, que foi para o ar poucas horas antes do duelo em Moreira de Cónegos, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) informou que instaurou um procedimento disciplinar para apurar as habilitações de João Pereira, no seguimento de uma queixa da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF). O processo é praticamente idêntico ao de Ruben Amorim na altura em que chegou ao Sp. Braga e, depois, ao Sporting, pelo que não deverá ter impacto.
No que ao futebol diz respeito, os leões chegaram a Moreira de Cónegos à procura de responder ao primeiro desaire interno da temporada e voltaram a contar com um forte apoio da massa associativa que, apesar do dia e da hora pouco convidativos — algo cada vez mais normal no futebol português —, esgotaram os seus bilhetes. Assim, o Sporting procurava dar seguimento ao registo de seis vitórias em seis jogos fora de portas na Primeira Liga e aumentar o saldo de 24 golos marcados, mas para isso João Pereira tinha que voltar a encontrar soluções para as ausências de Franco Israel, que continua doente, e de Eduardo Quaresma, que “ainda não está 100%”.
Ficha de jogo
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Moreirense-Sporting, 2-1
13.ª jornada da Primeira Liga
Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos
Árbitro: António Nobre (AF Leiria)
Moreirense: Kewin Silva; Dinis Pinto (Fabiano Souza, 64’), Marcelo, Maracás, Godfried Frimpong; Sidnei Tavares, Rúben Ismael; Madson (Gabrielzinho, 64’), Benny (Carlos Ponck, 64’), Alanzinho (Jeremy Antonisse, 77′); Guilherme Schettine (Luís Asué, 71’)
Suplentes não utilizados: Caio Secco; Leonardo Buta, Pedro Santos e Gilberto Batista
Treinador: César Peixoto
Sporting: Vladan Kovacevic; Jeremiah St. Juste (Geovany Quenda, 65’), Ousmane Diomande (Zeno Debast, 77′), Gonçalo Inácio; Geny Catamo (Conrad Harder, 77′), Hidemasa Morita, Morten Hjulmand, Matheus Reis; Francisco Trincão, Daniel Bragança (Maxi Araújo, 65’) e Viktor Gyökeres
Suplentes não utilizados: Diego Callai; Marcus Edwards, Iván Fresneda, Ricardo Esgaio e João Simões
Treinador: João Pereira
Golos: Gyökeres (12’, g.p.), Dinis (19’) e Schettine (35’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Marcelo (9’), Inácio (18’)
“O Moreirense é um clube que está a atravessar uma boa fase, que ainda não perdeu nos jogos em casa e nós temos isso bem claro na nossa cabeça. Depois, aquilo que disse é verdade: continuamos líderes [da Liga], com a melhor defesa, com o melhor ataque, isso tudo, e queremos regressar às vitórias. É esse o foco e é isso que queremos fazer no próximo jogo. Pressão tenho desde o primeiro dia em que comecei a ser treinador, estou sempre sob pressão. Não me deixo acomodar, não facilito e estou sempre à procura do melhor. Todos sabemos o timing que foi. Uma equipa que ganhava sempre, com um treinador que estava aqui há quatro ou cinco anos”, assumiu João Pereira na antevisão à partida.
Com César Peixoto, os cónegos chegaram a esta 13.ª jornada a realizar um Campeonato sólido, com 17 pontos, 17 golos marcados e 17 golos sofridos. A ocupar o oitavo posto da tabela classificativa, o Moreirense fazia da sua casa uma autêntica fortaleza, já que, em seis jogos, somava quatro vitórias e dois empates, com destaque para os resultados antes Benfica (1-1) e FC Porto (2-1), na Taça de Portugal. “O Moreirense tem de estar muito organizado, deve saber bem o que tem de fazer. Vamos sofrer em alguns momentos, mas temos de ser competitivos, humildes e agressivos nos duelos. Vamos encontrar uma equipa forte, que nos vai criar muitos problemas, mas temos de pensar no que devemos fazer para continuar a ser competitivos. Temos de acreditar muito que é possível conquistar os três pontos contra uma grande equipa”, perspetivava o técnico.
É ???????????? ???????? ???????????????? ???? Lado a lado, queremos a vitória em Moreira de Cónegos ???? #MFCSCP pic.twitter.com/9ASoDLyfye
— Sporting CP (@SportingCP) December 5, 2024
Deste modo, Peixoto e Pereira, que foram colegas de quarto no Sp. Braga, apresentaram novidades no relvado do Joaquim de Almeida Freitas, com Maracás e Alanzinho a regressarem ao onze cónego por troca com Carlos Ponck e Jeremy Antonisse. Nos leões, a defesa apresentou-se com duas novidades, já que Jeremiah St. Juste e Gonçalo Inácio voltaram ao centro da defesa. Mais à frente, João Pereira remeteu Marcus Edwards para o banco de suplentes e colocou Daniel Bragança na meia-esquerda.
O jogo começou animado e, logo nos primeiros segundos, o Moreirense teve a primeira incursão na área do campeão nacional, mas o remate forte de Madson acabou por desviar em Morten Hjulmand e saiu para fora (1′). A resposta dos leões surgiu de bola parada, com Gonçalo Inácio a finalizar por cima, na primeira tentativa. Na segunda, Viktor Gyökeres foi derrubado dentro da área por Marcelo, António Nobre assinalou o penálti e, na cobrança, o avançado sueco atirou irrepreensivelmente para o fundo das redes, não dando qualquer chance a Kewin Silva (12′).
Os cónegos não precisaram de muito para responder e fizeram-no logo a seguir, com Sidnei Tavares a encontrar Benny na esquerda, o médio recebeu e deixou Geny Catamo pelo caminho, cruzou atrasado, mas o tiro forte de Dinis Pinto saiu ligeiramente ao lado (15′). A defesa leonina continuou a somar erros e com dificuldade para travar as rápidas incursões do Moreirense e, pouco depois, Madson “arrancou” um amarelo a Inácio. Na cobrança do livre, Alanzinho colocou a bola com precisão na área e, de cabeça, Dinis Pinto cabeceou para o empate (19′). O jogo continuou dividido e, depois de Alanzinho ter testado Kovacevic, Geny vacilou na cobrança de um lançamento junto à área leonina, colocou a bola diretamente em Guilherme Schettine que, à entrada da área, completou a reviravolta (35′). Até ao intervalo, a formação da casa continuou mais perigosa e, a fechar o primeiro tempo, Madson atirou para nova intervenção do bósnio.
Na etapa complementar, o Sporting esboçou uma reação e, na fase inicial, encostou o Moreirense à sua área. Na primeira tentativa de golo, Francisco Trincão tentou o golo de dentro da área, mas Marcelo foi ao chão e impediu o festejo (51′). O internacional português voltou a estar na ocasião seguinte, ao cobrar um canto que Gyökeres desviou para o segundo poste, mas Hjulmand teve a pontaria desafinada e acertou na trave (54′). Já para lá da hora de jogo, João Pereira fez as primeiras alterações, mas não mudou o plano de jogo, chamando a jogo Maxi Araújo e Geovany Quenda. César Peixoto respondeu e lançou mais um central na tentativa de conter as incursões ofensivas dos leões.
A partir o Sporting dominou por completo o controlo da posse de bola, mas mostrou muitas dificuldades em rendilhar o jogo no último terço do terreno de jogo e em romper a defensiva minhota. Perante a inércia de ocasiões, Pereira voltou a mexer e colocou Conrad Harder no ataque, mas a baliza de Kewin parecia enguiçada e, novamente de cabeça, Gonçalo Inácio voltou a ver a bola embater na trave (81′). Nos derradeiros assaltos ao pote do tesouro, o conjunto verde e branco continuou sem ideias e o Moreirense lá foi resistindo, voltando a bater os leões na Primeira Liga 21 anos depois (1-0 em 2003). Em sentido inverso, o Sporting perdeu pela segunda jornada consecutiva e pode terminar a jornada empatado com o FC Porto e com apenas dois pontos de avanço para o Benfica. Segue-se a Liga dos Campeões.