Os socialistas vão votar contra a proposta do JPP para fazer uma comissão de inquérito parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da PJ. “Somos contra essa comissão de inquérito”, disse esta manhã, no Parlamento, José Luís Carneiro.

As declarações foram feitas pelo líder do PS aos jornalistas, depois de uma reunião da bancada parlamentar, e surgem após a recusa da proposta do Chega para uma comissão de inquérito potestativa (que não teria de ser sujeita a votação do plenário para avançar) ao mesmo assunto.

A proposta feita pelo deputado único do Juntos Pelo Povo (JPP) foi admitida, mas não tem condições para ser viabilizada, já que contará com os votos contra dos partidos que apoiam o Governo, PSD e CDS, e — sabe-se agora — também do PS.

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Carneiro foi ainda confrontado com a outra comissão de inquérito que o PS vai viabilizar, apresentada pelo Bloco de Esquerda e sobre a correção dos exames nacionais deste ano, argumentando que o faz “porque o ministro não deu respostas às perguntas que foram colocadas em julho” sobre aquela situação. “Se viabilizamos é porque o ministro não deu as respostas que foram colocadas”, repetiu o socialista aos jornalistas, em declarações transmitidas em direto pela RTP Notícias.

O PS chegou a falar na necessidade de um inquérito, no início da semana, mas acabou por não avançar com uma proposta própria. Junta-se à do BE, com Carneiro a afirmar agora que “o importante era garantir os esclarecimentos e não quem é o porta-estandarte da bandeirinha“.

PS também vota contra propostas do Chega sobre custo de vida

O líder socialista ainda foi questionado sobre o projeto de resolução que apresentou para recomendar ao Governo medidas de combate à crise dos combustíveis. Esta quarta-feira, numa entrevista à SIC-Notícias, já tinha quantificado o custo mensal desse pacote, 132 milhões de euros, e agora sublinha que as medidas “são sustentáveis do ponto de vista orçamental”.

Carneiro faz mesmo as contas para dizer que entre o que o Governo já anunciou e a receita fiscal não prevista com a subida dos preços, “há cerca de 400 milhões de euros” de margem para aplicar em medidas de resposta à crise. “Só o que ganhou a mais com receita não prevista cobre toda a despesa”, argumenta.

Quanto aos projetos do Chega que vão no mesmo sentido das medidas do PS, Carneiro diz que serão chumbadas por parte da bancada do seu partido. “Votamos contra as propostas que têm aplicação em janeiro, mas também aquelas que se aplicam a partir de hoje”, detalhou. Em relação às últimas, disse, o PS vota contra por causa da norma travão — “respeitamos a Constituição” –, já quanto àquelas que só entram em vigor a 1 de janeiro, o líder socialista diz que “a isso se chama Orçamento do Estado”, alegando que não teriam impacto imediato, como o PS pretende.