Segundo uma nova diretriz aprovada pela Conferência Episcopal Italiana, homens homossexuais vão passar a poder formar-se como padres nos seminários católicos romanos, com a condição de que observem o celibato.
As diretrizes aprovadas, escreve o jornal britântico The Guardian, afirmam que o mais importante para os aspirantes a sacerdotes não é a orientação sexual, mas sim mostrar “uma orientação para a vida celibatária”.
“No processo formativo, quando se faz referência a tendências homossexuais, é conveniente não reduzir o discernimento apenas a este aspeto”, já que “o objetivo da formação para o sacerdócio na esfera afetivo-sexual é a capacidade [de] acolher a castidade no celibato como um dom, de a escolher livremente e de a viver responsavelmente”, justificaram os bispos italianos numa decisão comunicada esta sexta-feira.
No caso de manterem a vontade de ter uma vida sexual ativa, homens homossexuais não poderão ser admitidos nos seminários ou em quaisquer ordens religiosas, frisam os bispos, adiantando que, apesar desta restrição imposta, “respeitam profundamente as pessoas em questão”.
A decisão episcopal italiana choca assim com a posição que se conhece do Papa Francisco, que apesar de ter conduzido a Igreja Católica a uma postura mais aberta em relação a pessoas LGBT+, afirmou publicamente que homens homossexuais não poderiam ser padres dado o risco de viverem uma vida dupla.
Além disso, o líder da Igreja Católica viu-se envolvido numa polémica em maio de 2024, vendo-se obrigado a pedir desculpa por usar um termo considerado ofensivo durante um debate sobre a admissão de homens homossexuais nos seminários.
O Papa Francisco disse “C’è già troppa frociaggine”, que se traduz como “já há demasiada bichice”, sendo que o termo “frociaggine” é considerado ofensivo para a comunidade homossexual. Na altura, os bispos justificam a gaff com o facto de o italiano não ser a língua materna de Jorge Mario Bergoglio.
No seu pedido de desculpas, o Papa afirmou que “nunca teve a intenção de ofender ou de se exprimir em termos homofóbicos” — apesar de tê-lo repetido um mês depois.