A fusão da Honda com a Nissan continua a avançar, como a única solução para evitar a segunda situação de falência desta última num período de apenas 25 anos. A segunda crise financeira da Nissan aconteceu apenas sete anos depois de a marca japonesa voltar a controlar a sua gestão e se, da primeira vez, em 1999, foi a Renault que injetou capital e a conduziu de regresso aos lucros, desta vez o objectivo é solicitar a ajuda da Honda para manter a empresa no Japão, contando para tal com o apoio do Governo local.

A Honda não parece ter nada contra a Renault, mas isso não a impede de a querer fora do capital da Nissan antes de avançar com a fusão, que tem todos os contornos de um take over, uma vez que, aparentemente, os responsáveis na marca não a conseguem manter longe dos prejuízos. De acordo com a Bloomberg, o que a Honda teme é que os franceses vendam a sua quota a outro construtor.

Honda e Nissan casam mas prenda vai para a Renault

De recordar que a Renault se quer livrar da sua parte Nissan, desde que esta se revelou incapaz de gerir de forma eficaz (porque a marca francesa detinha 43% e não a maioria do capital), tendo o construtor japonês criado um incidente para afastar o então chairman Carlos Ghosn. Precisamente aquele que, à frente da Renault, tinha salvo a Nissan da falência, lançando modelos como o GT-R e o Leaf, e cuja visão do futuro passava por transformar a Aliança que as unia num verdadeiro grupo, para maior eficiência.

Governo japonês quis fusão entre Honda e Nissan

A estratégia da Honda pode, contudo, encalhar num pequeno detalhe, mas com um preço demasiado elevado para a Nissan. Referimo-nos ao valor dos 35,7% da marca nipónica, que poderá implicar um custo superior a 3,5 mil milhões de euros. Sucede que, em vias de avançar para um casamento de conveniência, os dois construtores japoneses sabem que a Foxconn — um dos maiores fabricantes mundiais de material electrónico, como os iPhone da Apple, com sede em Taiwan mas com o aparelho produtivo na China —, já reuniu com a Renault para manifestar o seu interesse em adquirir a fatia que esta possui na Nissan. Ora, será precisamente isso que a Honda quer evitar a todo o custo.