O crescimento do futebol feminino tornou-se de tal forma evidente nas últimas décadas que, a cada ano que passa, os valores envolvidos nas transferências das atletas batem recordes. O episódio mais recente liga Inglaterra e Estados Unidos e envolve a defesa norte-americana Naomi Girma que, ao que tudo indica, vai reforçar o Chelsea a troco de uma verba superior a um milhão (1.053.000) de euros. Caso a jogadora internacional pelo seu país passe nos exames médicos, que serão realizados esta semana, esta passará a ser a transferência mais elevada do futebol feminino e a primeira acima do milhão de euros.

A jogadora do San Diego Wave poderá assim superar os 800 mil euros que o Bay FC pagou, em fevereiro de 2024, ao Madrid CFF pela colombiana Racheal Kundananji, bem como os 500 mil euros pagos pelo Chelsea ao Levante por Mayra Ramírez. O Lyon também esteve na mira da defesa e, segundo a imprensa inglesa, fez uma proposta semelhante, mas a escolha de Girma terá recaído mesmo pelas blues, onde vai encontrar as companheiras de seleção Catarina Macaria e Mia Fishel.

Naomi Girma chegou ao San Diego Wave em 2022 e tinha contrato com a equipa norte-americana até 2026, depois de ter passado pelo futebol universitário. É internacional pelo seu país de 2022 e apontou dois golos nos 44 jogos realizados, tendo sido, em 2023, eleita a jogadora feminina do ano da seleção norte-americana.

Natural de San José, na Califórnia, foi o facto de ser filha de pais etíopes que empurrou Girma para o futebol. “A herança etíope, a cultura, a comida, a língua… tudo. A comunidade foi parte muito grande da minha infância em San José. Tínhamos uma comunidade e foi assim que comei a jogar futebol”, partilhou em entrevista à BBC. Curiosamente, foram os pais que criaram, inicialmente, a comunidade da Etiópia em San José, começando por estabelecer a tradição de se encontrarem todos os sábados de manhã num parque local. A partir daí, começaram a socializar e um dos passatempos preferidos era o futebol.

Assim nasceu o Maleda Soccer Clube, primeiro clube da agora jogadora mais valiosa do planeta. Seguiu-se o Central Vallery Crossfire, clube de camadas jovens a que chegou por influência de uma amiga e, devido ao irmão, decidiu testar basquetebol, ginástica e basebol mais tarde. Como decidiu não abandonar o futebol, os estudos fizeram com que optasse pelo desporto-rei quando chegou à Universidade de Stanford para se formar em sistemas simbólicos. Fez o mestrado em ciência e engenharia de gestão.

Ao mesmo tempo, progrediu no futebol, e assinou pela equipa de Stanford, da qual foi capitão e conquistou o campeonato universitário em 2019 e foi eleita a defesa do ano em duas épocas consecutivas. Depois de terminar os estudos, foi a escolha número no draft da NWSL, a Liga feminina dos EUA, chegando ao San Diego Wave.